
O que acontece quando uma espiã de elite decide abandonar as sombras para viver uma vida comum, mas descobre que o maior desafio de sua jornada não envolve artes marciais, e sim construir um lar? Em histórias de espionagem, é comum esperarmos conspirações intermináveis, ritmo frenético e traições. Em Tefuda ga Oome no Victoria (Victoria of Many Faces), as habilidades letais da protagonista funcionam como apoio para algo muito mais precioso: um recomeço e a inesperada formação de uma pequena família.
Com um toque de sensibilidade e muito charme aristocrático, o anime transforma o passado sombrio de uma agente em combustível para momentos de puro aconchego e desenvolvimento de laços. A história não foca apenas na fuga de uma organização secreta, mas na beleza de aprender a confiar nos outros e em como os instintos de proteção ganham um novo propósito no cotidiano.
É um daqueles animes que nos pegam desprevenidos, misturando a vibe badass da protagonista Victoria com o acolhimento de uma rotina familiar ao lado de Nonna e Jeffrey. Confesso que a temporada curta deixou aquele gostinho de quero mais, mas ver essa dinâmica ganhar vida foi uma das melhores experiências dos últimos meses. Embarca comigo?
Ficha técnica: Victoria of Many Faces
Anime: Tefuda ga Oome no Victoria 「手札が多めのビクトリア」
Estreia: 7 de julho de 2026
Episódios: 9
Estúdio: Studio Deen (Fate/Stay Night, Vampire Knight, Fruits Basket, Rurouni Kenshin, Hakuouki, Full Moon wo Sagashite, Rozen Maiden (2013), Touka Gettan, Tensei Akujo no Kuro Rekishi, Shibou Yuugi de Meshi wo Kuu, Akuyaku Reijou wa Ringoku no Outaishi ni Dekiai sareru)
Adaptação: light novel de Shuu (história) e Fujimi Nanna (arte)
Gênero: Romance
📺 Onde Assistir: Crunchyroll
Chloe é uma agente secreta de elite do Reino de Hagl, famosa por suas técnicas de disfarce inigualáveis e artes marciais letais. Porém, após ser traída pela organização, ela forja a própria morte e foge para o Reino de Ashberry. Determinada a recomeçar sob a identidade de Victoria Sellers, ela busca desesperadamente por uma vida pacífica e normal.
A rotina comum de Victoria dura pouco. Logo no seu primeiro dia de liberdade, ela encontra Nonna, uma garotinha abandonada, e decide acolhê-la. Essa decisão também chama a atenção do cavaleiro Jeffrey Asher, que a ajuda a se estabelecer em sua nova casa.
O problema é que seu passado não desapareceu junto com seu antigo nome. Enquanto ela tenta manter seu disfarce, a vida tranquila que tanto desejava é colocada à prova. Com muitas “cartas na manga”, as antigas habilidades de espiã de Victoria serão mais úteis do que ela imaginava para proteger o novo lar.
Muitas faces, um único desejo: vida comum
Victoria of Many Faces poderia facilmente se apoiar apenas no conceito de “ex-espiã badass vivendo uma nova identidade”. No entanto, existe uma história muito mais interessante escondida por trás de suas muitas faces.
A espionagem é o mecanismo que movimenta a trama, mas a vida cotidiana é o verdadeiro destino de Victoria. Apesar de precisar se esconder para sobreviver, o foco do anime não está em fugas cinematográficas ou na organização tentando rastreá-la a todo custo. O roteiro prefere explorar o lado humano de quem passou a vida inteira servindo como uma arma e, de repente, precisa aprender a confiar, cuidar e ser amada.
De espiã a mãe: o pacing encontra seu próprio ritmo
A premissa da agente em fuga prende logo de início ao apresentar Vicky através daquilo que ela sabe fazer melhor: sobreviver. Victoria (ou Chloe, ou Anna Dale) é independente, extremamente competente e preparada para praticamente qualquer situação. Ela não perde tempo com indecisões: observa, age e resolve os problemas quando necessário, usando seu conhecimento para proteger quem ama.
É aí que Nonna entra. O encontro entre as duas estabelece rapidamente o principal eixo emocional de Victoria of Many Faces. A garotinha, abandonada pela mãe no dia em que Vicky chega ao Reino de Ashberry, representa a vida que ela nunca teve oportunidade de construir.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
É revoltante ver a Nonna sendo abandonada no início da história. Mas esse momento cria o ponto de partida para o nascimento de uma família tão especial quanto inesperada, que se completa com a chegada de Jeffrey. ⚠️
Quando decide adotar Nonna, Victoria conhece o Capitão da Ordem de Cavaleiros, Jeffrey Asher. Responsável, gentil e incrivelmente atencioso, ele não apenas a aceita sem conhecer toda a verdade sobre seu passado, como também passa a caminhar ao lado dela como um parceiro maduro, disposto a dividir uma vida comum com as duas.
É a partir dessa conexão com Nonna e Jeffrey que começa o maior arco de amadurecimento de Vicky. Após passar a vida inteira aprendendo a assumir diferentes identidades, ela precisa descobrir quem quer ser quando não está interpretando nenhuma delas. Tendo vivido sob constante ameaça, Victoria não sabe exatamente como confiar nos outros ou aproveitar as pequenas alegrias cotidianas.
Questões relacionadas ao passado da protagonista dividem espaço com pequenas histórias. Algumas parecem simples à primeira vista, mas ajudam a dar textura ao worldbuilding e, principalmente, mostram Victoria experimentando diferentes papéis: profissional, protetora, mãe, amiga e, aos poucos, companheira.
Quando sobreviver vira aprendizado de vida
Victoria é uma protagonista fácil de acompanhar porque sua força não elimina suas fragilidades. Ela sabe lutar. Sabe se disfarçar. Sabe analisar uma situação. Sabe quando fugir. Mas confiar nas pessoas é outra história.
Esse cotantntraste dá ao character arc dela uma dimensão muito mais interessante. Victoria passou boa parte da vida aprendendo a esconder quem era. Em Ashberry, precisa aprender o contrário: como permitir que outras pessoas conheçam quem está por trás dos disfarces.
E isso também aparece na relação com Nonna. Victoria não cria a menina em uma bolha completamente protegida. Ela procura prepará-la para ser independente, ensinando habilidades que poderão ajudá-la no futuro. O afeto é acompanhado por uma preocupação genuína em oferecer ferramentas para que Nonna possa construir a própria vida.
É uma escolha que diz muito sobre Victoria. Mesmo quando está cuidando de alguém, ela continua pensando como uma agente: preparar, observar, antecipar riscos. A diferença é que, agora, suas habilidades servem para proteger e cuidar, e não apenas para cumprir missões.
Jeffrey completa esse núcleo como um contraponto importante. Mais aberto emocionalmente e com empatia, ele ajuda Victoria a experimentar uma relação baseada menos em desconfiança e mais em parceria. E, junto de Nonna, constrói com ela algo que suas antigas vidas nunca conseguiram oferecer: continuidade. A química entre o trio é tão bem construída que fica impossível não torcer por eles desde o primeiro minuto.
Entre tantos disfarces, sobra pouco tempo para a despedida
Aqui está a única parte da viagem em que o avião claramente tentou pousar antes da hora. A primeira temporada adapta o primeiro volume da light novel e encerra sua jornada em apenas nove episódios. Algumas cenas ficam rápidas demais quando deveriam desacelerar e nos deixar aproveitar melhor seus desdobramentos.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
O reencontro entre Jeffrey, Victoria e Nonna durante o festival de verão de Cadiz não ganha o peso emocional que deveria. Ele abre mão de seu status de nobreza movido pelo desejo de estar ao lado de Vicky. Ela, que acreditava conseguir seguir sua vida sem criar novos vínculos, percebe que sente falta dele e que quer vê-lo mais uma vez.
O festival de lanternas, marcado pela lembrança dos entes queridos que partiram, cria um cenário particularmente adequado para esse momento. Identidade, saudade, perda e a possibilidade de um novo começo estão todos reunidos ali. O problema é que o anime não nos dá tempo suficiente para sentir tudo isso.
O reencontro acontece. As revelações vêm. Os sentimentos são colocados na mesa. E, quando percebemos, o casal já está falando em casamento.
Era uma evolução natural? Sim. Mas naturalidade não significa pressa. Depois de acompanhar Victoria aprendendo, pouco a pouco, a confiar em Jeffrey, a gente quer ver, sentir e se conectar com o caminho até essa decisão — não apenas chegar ao destino final.
Com dois episódios adicionais, seria possível desenvolver melhor algumas dessas transições e deixar o impacto emocional mais forte. A boa notícia é que a despedida é passageira. Uma segunda temporada e também um episódio especial, ainda sem data de lançamento definida, já foram confirmados. E, considerando o quanto o trio é responsável pelo charme da série, saber que essa história continua já traz um quentinho para o coração. ⚠️
Estética aristocrática e uma trilha sonora discreta
A direção de arte acerta ao criar um mundo com estética europeia e aristocrática elegante. A paleta de cores acolhedora, o design dos personagens e até pequenas sequências de dança traduzem muito bem o clima da época. Existe uma sensação de conto de fantasia clássico no ar.
A animação também encontra bons momentos de direção nos primeiros episódios, embora a qualidade visual sofra algumas oscilações conforme os episódios avançam. Determinadas cenas parecem precisar de mais tempo de tela para alcançar o impacto que a direção prepara. Não chega a comprometer a experiência, mas é perceptível.
A trilha sonora segue uma estratégia semelhante à narrativa: não tenta chamar atenção o tempo inteiro. As músicas acompanham as mudanças de atmosfera, elevando o suspense nas sequências ligadas à espionagem e reforçando o aconchego dos momentos slice of life.
Veredito: por trás de tantas faces, há alguém aprendendo a viver

Para mim, Victoria of Many Faces foi uma das surpresas mais agradáveis entre os animes da temporada de julho de 2026. Não porque sua história seja especialmente complexa, mas porque consegue transformar uma premissa potencialmente genérica de espionagem em uma experiência sobre identidade, confiança, cuidado e pertencimento.
Se existe uma frustração, ela está concentrada na execução do final Nove episódios são suficientes para apresentar a primeira parte da história de Victoria, Nonna e Jeffrey, mas não necessariamente para dar a todos os momentos o peso que mereciam. Para um anime que começou com uma mulher tentando desaparecer do próprio passado, não é nada mal terminar desejando acompanhar a vida que ela finalmente decidiu construir.
Pontos Positivos:
- Vicky é uma protagonista carismática, competente e independente.
- A dinâmica entre Victoria, Nonna e Jeffrey é o coração da história.
- A transformação das habilidades de espionagem em ferramentas para o cotidiano é uma boa ideia narrativa.
- A continuação anunciada torna o encerramento menos frustrante.
Pontos de Atenção:
- Temporada curta de apenas 9 episódios.
- Algumas oscilações na qualidade da animação ficam mais perceptíveis na segunda metade.
- Reta final e desfecho um pouco corridos por conta do tempo reduzido.
Para quem é: fãs que buscam um tom um pouco mais focado na rotina e no romance adulto, ou apreciadores de dramas de romance com toques de slice of life.
Guia de Bordo de Victoria of Many Faces
- 🛫 Decolagem: primeiros episódios encantadores, com uma protagonista independente e a chegada de uma garotinha adorável.
- 🍱 Serviço de Bordo: o desenvolvimento da dinâmica entre Victoria, Jeffrey e Nonna é acolhedor e cheio de nuances.
- 🛋️ Conforto do Assento: ritmo geralmente equilibrado, mas o volume reduzido de episódios aperta nos momentos mais importantes.
- 📍 Desembarque: um final emocionalmente promissor, porém acelerado demais para tudo o que precisava entregar.
⭐ Status do Passaporte: Embarque Recomendado! A força dos personagens, a proposta de espionagem aplicada ao cotidiano e o potencial da continuação fazem Victoria merecer a passagem.
O mais interessante em Victoria of Many Faces é que, no fim das contas, as muitas faces de Vicky não são apenas os disfarces de uma espiã. São as versões dela que surgem quando precisa ser sobrevivente, trabalhadora, protetora, amiga, parceira e, principalmente, alguém capaz de construir um lar. Agora que a segunda temporada e um especial estão confirmados, fica a expectativa de que a próxima etapa tenha mais espaço para desenvolver aquilo que a primeira temporada apresentou tão bem.
O que funcionou melhor para você em Victoria of Many Faces: a espionagem, a evolução da Victoria ou a dinâmica entre ela, Nonna e Jeffrey? ˆ-ˆv
✨ Gostou do review? Você também pode curtir:
Se a rota por Ashberry deixou vontade de continuar viajando entre romance e personagens que carregam mais história do que deixam transparecer, estas três conexões merecem entrar no itinerário: