
Mais de dois anos se passaram desde que Taeyong (태용), o multifacetado líder do NCT (엔시티), alimentou sua discografia solo com o EP TAP (2024), após o debut com SHALALA em 2023. Nesse intervalo, ele cumpriu o serviço militar obrigatório e retornou em dezembro do ano passado com foco em sua evolução artística. WYLD, seu aguardado primeiro álbum completo lançado nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, chega para cravar uma bandeira de total independência criativa.
Composto por 10 faixas escritas por ele e 9 delas com sua produção direta, o projeto é um mergulho visceral nas profundezas de sua identidade mais autêntica e madura. Longe de qualquer amarra do K-Pop, ele assume o papel de produtor principal do seu comeback. Taeyong revelou em um Q&A publicado pelo The Korea Times que durante o hiato dos palcos ele revisitou rascunhos antigos e descartou tudo que não representasse seus sentimentos hoje.
Antes ele passava dias reescrevendo e ajustando uma mesma música dúzias de vezes, agora Taeyong entrega composições definitivas em duas ou três revisões. Essa eficiência afiada transborda pela tracklist, construindo uma narrativa sonora em alta definição entre o hip-hop cru e batidas eletrônicas experimentais. Embarca comigo?
Title Track: “WYLD”
A title track “WYLD” é a tradução das palavras que formam seu acrônimo: Wild, Yell, Loud e Dance (Selvagem, Grito, Alto e Dança). O hip-hop agressivo e experimental é inspirado diretamente nos movimentos instintivos de animais selvagens, criando uma atmosfera crua e tridimensional. A música abre com uma bassline destrutiva e instrumentos rítmicos pesados que absorvem os fones de ouvido em uma sensação imediata de imersão.
A progressão da faixa cresce em uma escalada de tensão controlada, onde a entrega vocal de Taeyong alterna entre rimas afiadas e uma performance visceral. O grande trunfo de “WYLD” está em seu encerramento. Ao atingir o terceiro verso, o arranjo sofre um plot twist sonoro, pivotando abruptamente para um som eletrônico caótico de hyperpop. É o momento onde a música se expande e libera toda a energia reprimida durante os dois anos de espera dele até que pudesse voltar para os palcos.
A letra reflete as camadas de sua identidade acumuladas ao longo da carreira. Taeyong usa a linguagem selvagem para expressar suas ambições de seguir em frente em direção aos seus objetivos sem olhar para trás. É um impacto, quase nocaute, projetado para provocar uma reação física e mental imediata em quem escuta.
Visual & MV
O MV de “WYLD” traduz essa urgência de instinto animal por meio de uma estética visual intensa. Taeyong mergulha em uma profundidade psicológica exaustiva em tela, alternando cenários de confinamento mental com coreografias explosivas.
A fotografia do vídeo brinca com tons contrastantes e texturas ásperas que dão o tom de sua nova era autoral. O grande ápice visual acontece no terceiro verso com a explosão hyperpop que toma conta do som e da tela. A coreografia é desenhada para acompanhar o estouro da música e a liberação física dos passos de dança em perfeita sincronia, gerando uma sensação de intensidade extrema.
Destaques da faixa
- Killing Part: o breakdown caótico do terceiro verso, onde a música vira hyperpop e a coreografia explode em uma libertação física inacreditável.
- Bastidores: o diretor do MV exigiu tanta profundidade psicológica de Taeyong que o processo foi puxado, mas trouxe a energia necessária para transbordar em cada take.
- Para quem gosta de: Stray Kids, ATEEZ, 8TURN, xikers e NCT 127 em seu repertório mais experimental ou com batidas industriais intensas.
B-sides de WYLD
A abertura do álbum com “Storm” dita as regras do jogo com um hip-hop grandioso recheado de baixos 808 pesados, tambores de marcha e elementos de dubstep. O flow mecânico e frio do rap de Taeyong cria um contraste com o refrão. Logo em seguida, “Hypnotic” muda o tom dos batimentos com tons de jazz acompanhados por um piano lo-fi e ganchos vocais viciantes. É aquele tipo de música que dá para deixar de fundo em momentos de foco intenso.
O primeiro grande destaque do álbum é “I’m a Dancing Cactus”. Com uma batida house não convencional misturada a sintetizadores dos anos 80/90, a música gera dissonância com uma letra espirituosa na qual Taeyong se compara a um cacto dançante. Na sequência, “Mermaid” mergulha em um R&B alternativo sensual de guitarras ecoantes, com uma confissão de amor que ganha forma através da metáfora de uma sereia. Combina com um entardecer na praia.
A metade final do disco traz “404 Euphoria”, faixa conceitual que dá sequência à sua famosa saga introspectiva (“404 Series”). Iniciada por narrações contidas e teclados elétricos, a música se expande de forma majestosa em cordas, metais e sintetizadores intensos, ilustrando de forma corajosa o confronto com a solidão. “Skiii”, por sua vez, volta a injetar fôlego ao combinar eletrônico acelerado com hip-hop.
“Hot” é uma homenagem ao hip-hop clássico old-school reeditado com roupagem moderna. “Feeling Myself” surpreende com um efeito de fita cassete dando rewind (rebobinando) pouco antes dos 2 minutos de música. Se o melhor fica para o final, a b-side “Run” faz jus ao ditado. Guiada por um riff de guitarra em overdrive e bateria rítmica, a faixa abraça o pop rock alternativo com vocais nostálgicos, fechando o álbum de forma triunfal e inesquecível.
✈️ Avaliação da Guia — WYLD
🛫 Status do voo
Decolagem vertical com propulsão supersônica
🎧 Experiência a bordo
Hip-hop industrial cru + picos experimentais de libertação emocional
💺 Assento
Poltrona da cabine de comando acompanhando as decisões do piloto
📍 Destino
O centro de uma floresta urbana onde os instintos falam mais alto
🗺️ Dados do voo
Tripulação: Taeyong
Álbum: WYLD
Title Track: “WYLD”
Highlight: “I’m a Dancing Cactus”, “Skiii” e “Run”
Embarque: 18 de maio de 2026
Companhia: SM Entertainment
Esse álbum despertou algo primitivo por aí também? O que você sentiu ao ouvir WYLD? -ˆ-ˆ-v