
Reconhecido pela energia intensa e performances carregadas de impacto, P1Harmony (피원하모니) retorna nesta sexta-feira, 6 de novembro, com uma proposta de virada na carreira. Em seu 10º miniálbum, BLOW UP, o grupo decide seguir um caminho diferente do último comeback com UNIQUE e também bem distante daquela pegada intensa habitual que conhecemos. Dessa vez, Intak, Jiung, Jongseob, Keeho, Soul e Theo experimentam um som mais leve, universal e focado no easy-listening.
A mudança também faz parte da narrativa: os seis retornam como heróis para cumprir uma última missão e concluir a jornada construída desde o debut em 2020. Mas, entre a vontade de alcançar novos ouvintes e a expectativa de quem acompanha o grupo justamente por sua energia tão característica, será que essa nova rota encontra o equilíbrio necessário para ganhar um lugar na playlist? É o que vamos descobrir. Embarca comigo?
“BLOW UP”: uma aposta mais contida
A title track “BLOW UP” apresenta uma combinação de hyperpop, sintetizadores glitchy e bateria acelerada em uma sonoridade que conversa com a estética PC Music. A intenção é transmitir liberdade e movimento para acompanhar o conceito de superar limites e romper barreiras: “Break the limits, burn it / Set it on fire / Call me the fuse (I’ma blow it up)”. A letra é assinada por Intak e Jongseob, que contribui com os créditos de todas as faixas do álbum.
Apesar do nome sugerir uma abordagem mais explosiva, a experiência nos fones provoca o efeito oposto, como o próprio Soul chegou a comentar. Com um arranjo mais contido do que de costume, a faixa entra facilmente na categoria de easy-listening.
Nas anotações da tracklist onde os seis membros apontam o que esperar em cada faixa, a promessa deixada é de muitas músicas poderosas, mas confesso que a faixa-título não correspondeu inteiramente a essa expectativa. Com o uso frequente de auto-tune e efeitos sonoros, senti falta de uma dinâmica que valorizasse melhor as vozes e entregasse um encerramento mais marcante. E a duração de apenas 2:45, sem uma ponte ou um refrão final explosivo, também não ajuda muito.
Entendo a vontade do P1Harmony de experimentar uma abordagem mais acessível, como Theo e Soul comentaram no lançamento. No entanto, quando penso no grupo, lembro da diversão, da irreverência e da energia que encontrei em suas músicas. Foi essa combinação que me conquistou ainda mais quando vi eles ao vivo durante a passagem da MOST WANTED Tour pelo Brasil, em 2025.
Não espero que o grupo repita a mesma fórmula sempre e reconheço que a mudança de direção é válida para expandir o alcance dos meninos. O que me incomoda é quando a produção parece esconder aquilo que torna o P1H tão reconhecível.
Visual & MV
A narrativa de heróis que retornam para uma última missão ganha um significado especial no MV de “BLOW UP”, que retoma elementos de P1H: The Beginning of a New World, filme de ficção científica que apresentou o universo conceitual do grupo na estreia. Dessa vez, eles utilizam os superpoderes estabelecidos na história: Keeho manipula o espaço-tempo, Theo tem precisão de atirador, Jiung controla objetos com telecinese, Intak possui regeneração, Soul consegue se comunicar de forma universal e Jongseob tem o poder de inventar qualquer coisa.
Com humor, atitude e criatividade visual, a coreografia acompanha as variações de ritmo, alternando entre velocidade e intensidade. O refrão, quando os integrantes parecem correr pelo céu, é o destaque. Mas é o final que dá o tom de despedida: depois de dançarem na Lua, os seis desaparecem no espaço, deixando apenas suas roupas flutuando. A última missão está cumprida, e o P1Harmony deixa sua órbita para explorar um universo ainda maior e o início de um novo capítulo.
Destaques do comeback
- “Killing Part”: “How To”, para mim, é o maior destaque do álbum. É o tipo de momento em que a personalidade divertida do grupo aparece sem precisar de tantos efeitos para chamar atenção. Consigo imaginar a faixa funcionando muito bem ao vivo.
- Bastidores: além de Intak e Jongseob, Keeho também contribui com os créditos de BLOW UP. Ele assina as letras de “element” e “MOMENTUM” e participa da composição da última, descrevendo o apelo da coreografia da faixa como atraente.
- Para quem gosta de…: o pop divertido “Steady” (NCT WISH), a descontração de “One and Only” (BOYNEXTDOOR) e as batidas envolventes de “Boom Boom Bass” (RIIZE).
B-sides de BLOW UP
Após uma sequência muito bem-vinda de title tracks marcantes, desde “JUMP” e “Killing’ It”, o P1Harmony deve marcar uma presença mais contida na minha playlist dessa vez. A faixa-título vai precisar de um tempo. Entre as b-sides, duas se sobressaem. Vamos a elas!
“element” combina uma linha de flauta com efeitos vocais e uma interpretação descontraída. Os integrantes a descrevem como uma música muito animada, e a produção reforça essa atmosfera lúdica com elementos que lembram efeitos de videogame. A letra fala sobre confiança conquistada, sem precisar recorrer à ostentação.
Mas é em “How To” que deixo minha maior recomendação. Com referências ao R&B-pop do início dos anos 2010, a faixa embarca em uma atmosfera festiva e dançante, acompanhada pela mensagem sobre encontrar forças para seguir em frente. Os membros destacam sua energia ousada e descontraída, e já consigo imaginar uma apresentação cheia de momentos divertidos.
“MOMENTUM” mistura ritmos de Afro-house, percussão marcada e vocais sensuais em uma produção com influências latinas, acompanhada por uma mudança de cadência antes do fade out. Keeho ainda provoca os ouvintes a descobrirem seu “ponto de virada sexy”. É meu segundo destaque.
Em uma direção mais delicada, “t.o.t.y.” combina harmonias de R&B com uma balada de piano e elementos de avant-pop. A letra explora a sensação de estar entre ser considerado “velho demais” e “jovem demais”, enquanto os meninos destacam o trecho “too old, too young” como um momento para cantar com os amigos.
Para fechar, “Talk That” traz o hyperpop experimental, com vocais agudos e uma mensagem descontraída sobre ignorar opiniões externas e encontrar o próprio ritmo. Os membros recomendam a faixa para acompanhar uma viagem com os amigos. Mais uma aposta com potencial para ganhar energia no palco em uma apresentação ao vivo.
✈️ Avaliação da Guia — BLOW UP
🛫 Status do voo: Turbulência controlada
A mudança de rota traz boas descobertas, mas a faixa-título não decola com a mesma intensidade de suas antecessoras
🎧 Experiência a bordo: Mood específico
Foco no easy-listening, criando uma boa companhia para momentos mais descontraídos
💺 Assento: Corredor
Uma oportunidade de conhecer um novo lado do Piwon, especialmente para quem está aberta a essa mudança de direção
📍 Destino
Uma tarde animada entre disputas de fliperamas com os amigos em um Game Center
🗺️ Dados do voo
Tripulação: Intak, Jiung, Jongseob, Keeho, Soul e Theo
Álbum: BLOW UP
Title Track: “BLOW UP”
Highlight: “How To” e "MOMENTUM"
Embarque: 6 de novembro de 2026
Companhia: FNC Entertainment
BLOW UP apresenta um P1Harmony disposto a experimentar e ampliar seu alcance global, mas a tentativa de suavizar a identidade musical do grupo e o uso frequente de vocais com alteração afinada e efeitos nem sempre resultam em escolhas interessantes. Enquanto a title track está entre as menos marcantes da discografia dos meninos, “How To” garante seu espaço na playlist. É um lançamento que tem seus bons momentos, mas que me deixa com saudade da personalidade que fez o grupo conquistar seu espaço por aqui.
Você prefere ver o P1H com essa sonoridade mais leve ou sente falta da intensidade marcante que já faz parte do DNA do grupo? -ˆ-ˆ-v