
Se você é dorameira e também fã de K-Pop, provavelmente já se pegou imaginando como seria encontrar o seu bias absoluto cara a cara. Agora imagine ter a chance de trabalhar na empresa dele? O que poderia ser o sonho para muitas de nós virou realidade para a Nam Da Reum em My Bias, My Boss (최애의 사원). Fangirl de longa data de Lee Chan, um dos integrantes do grupo D.N.X, ela conquista uma vaga na startup de moda ligada ao idol para ficar mais perto de quem sempre admirou de longe.
Essa combinação de idol, fandom e rom-com colocou o K-Drama no meu radar de agosto. Acompanhar a jornada de quem tenta equilibrar a paixão de fã com os deadlines do escritório parecia o cartão de embarque perfeito para uma comédia romântica divertida. E a participação de Kang Hoon como protagonista foi o empurrão definitivo para o embarque. No entanto, ao longo da viagem, entre o bias e o boss, algumas conexões perderam força. Embarca comigo?
Ficha técnica de My Bias, My Boss
Série: My Bias, My Boss (최애의 사원)
Data de Estreia: 3 de agosto de 2026
Número de Episódios: 12
Emissora: tvN
Direção: Park Ji Hyun
Roteiro: Seong Eun (webcomic), Lee Young, Kim Ji An
Elenco principal: Kim Hye Jun (Nam Da Reum), Kang Hoon (Kang Ha Gi), Cha Woo Min (Lee Chan) e a lista completa
Gênero: Comédia, Romance e Drama
Resumo
Nam Da Reum (Kim Hye Jun) é uma fã dedicada do grupo D.N.X há 12 anos e decide trabalhar na startup APPELLO para ficar perto do seu ultimate bias, Lee Chan (Cha Woo Min). O problema é que Chan atua como diretor e faz visitas pontuais ao escritório. Quem comanda a empresa é Kang Ha Gi (Kang Hoon), um CEO workaholic que não parece nada disposto a facilitar a vida dela. Entre mal-entendidos e a tentativa de esconder seu lado fangirl, Da Reum precisa aprender a navegar entre o encanto com seu idol favorito e a realidade do trabalho.
Entre o sonho de fã e a rotina do escritório
A premissa de My Bias, My Boss me conquistou logo de cara. Primeiro, porque qualquer produção envolvendo música e K-Pop me faz querer estar na primeira fileira. Segundo, porque eu estava curiosa para ver Kang Hoon como protagonista e assumindo a liderança do romance, especialmente depois do seu papel marcante em Dear Hyeri. Queria muito vê-lo com mais tempo de tela e encontrando a sua própria felicidade na ficção.
Um roteiro que carece de apelo emocional
O ritmo do primeiro episódio começa um pouco arrastado, a ponto de eu precisar assistir em dois momentos do dia para engrenar. Além disso, a fórmula de certas cenas começou a ficar repetitiva: a famosa queda extravagante em câmera lenta, que foi até divertida em Spring Fever e bem forçada em See You at Work Tomorrow, voltou a aparecer logo no segundo episódio aqui. Em um K-Drama, pode funcionar pelo contexto, mas quando o recurso se repete demais, perde o efeito.
Apesar dos clichês batidos, a série coreana traz momentos acolhedores, como os epílogos ao final de cada episódio, com destaque para a cena em que o CEO fica até mais tarde no trabalho só para acompanhar Da Reum e oferecer uma sombrinha na saída do metrô.
A estética visual é agradável. A fotografia clara, suave e de baixo contraste cria uma atmosfera quase de sonho ou memória, combinando com a leveza da proposta. Ao mesmo tempo, essa escolha contribui para uma certa distância emocional. Muitas cenas parecem apresentar acontecimentos bonitos em sequência, mas não necessariamente nos fazem mergulhar no que os personagens estão sentindo.
My Bias, My Boss frequentemente conta o que aconteceu em vez de construir a experiência daquele acontecimento. Da Reum é apresentada como uma personagem solitária e excluída na escola, mas faltou mostrar o que levou a isso, já que no presente sua personalidade é extremamente solar. Ha Gi carrega o abandono da mãe e de outras pessoas próximas, mas a dor dele também aparece mais como informação do que como experiência. A própria solidão de Chan é apresentada de uma forma mais superficial do que deveria.
O bias entrega mais química que o casal principal
Kim Hye Jun entendeu muito bem a energia de uma fangirl. Algumas reações de Da Reum eram tão familiares que eu me pegava pensando: “sim, eu faria exatamente essa cara”. E a conexão com Lee Seul A (Kim A Young) e Park Mi Mi (Kong Ji Ho)? A amizade do trio é divertida, leal e genuína, e o fato de as três terem se conhecido através da paixão pelo D.N.X. é uma das melhores representações do lado comunitário do fandom na série.
O problema surge quando a personagem ultrapassa a linha entre entusiasmo e exagero no ambiente de trabalho, as reações exageradas da protagonista cruzam a linha do profissionalismo e beiram o constrangimento. Ser fã faz parte dela, mas, no ambiente profissional, eu queria vê-la equilibrando melhor paixão e postura. Afinal, trabalho é trabalho, e paixão é paixão!
E aí temos Lee Chan. Cha Woo Min foi uma surpresa muito simpática. Ele tem aquele ar suave e ligeiramente charmoso que combina com quem passou anos sendo uma estrela, enquanto sua voz mais sussurrada reforça a imagem de celebridade. O curioso é que, apesar de o K-Drama vender a imagem de Chan como idol, boa parte de sua trajetória acontece mais ligada à carreira de ator, incluindo participação da Yuna do ITZY.
#TeamChan vs #TeamHagi
Eu embarquei em My Bias, My Boss pelo Kang Hoon e, quando percebi, estava torcendo pelo Chan. As interações iniciais entre ele e Da Reum tinham uma naturalidade que me conquistou. Até quando ele muda uma fala durante uma filmagem para dizer a ela, sorrindo, “você era quem eu procurava”, a cena consegue entregar aquele pequeno friozinho de second lead syndrome que eu definitivamente não estava planejando sentir.
⚠️ >> Alerta de Spoiler!
A conversa entre Da Reum e Chan sobre como ela se tornou fã dele foi um dos meus momentos favoritos. Ela conta que se sentia invisível na escola até ouvir uma entrevista dele no rádio falando sobre se sentir da mesma forma e dizendo para quem estivesse passando por aquilo aguentar só mais um pouco, porque um dia alguém apareceria para amar essa pessoa.
Foi uma cena especialmente bonita porque explica o que um idol pode representar para um fã sem reduzir o fandom a uma paixão romântica. Da Reum encontrou não apenas alguém para admirar, mas também uma comunidade: suas duas melhores amigas surgiram justamente por compartilharem o amor pelo D.N.X. Como fã de K-Pop com dois utt bias, eu entendi completamente o impacto daquele momento. ⚠️
Kang Hoon como Ha Gi transmite a energia de um CEO jovem e reservado, com um lado caloroso e protetor. É fácil compreender por que a Da Reum começa a enxergá-lo de outra maneira. Porém, em cenários de alta carga dramática, como quando ele revela o passado sobre sua mãe, faltou um toque extra de sensibilidade para transmitir a emoção esperada.
A química entre Ha Gi e Da Reum é bonitinha, mas não chega a dar borboletas no estômago. O beijo acidental, por exemplo, pareceu excessivamente forçado até para os padrões irrealistas das comédias românticas.
Triângulo amoroso sem tensão
Não sei bem se dá para dizer “triângulo amoroso” aqui. Pelo título do K-Drama, existe uma promessa de escolha entre o bias e o boss, mas a série praticamente descarta qualquer disputa real entre os dois pelo coração da protagonista. Desde cedo, Ha Gi parece destinado a vencer. Isso não seria um problema por si só (a gente sabe como rom-com funciona). Eu, particularmente, não sou fã desse tipo de recurso. Mas, neste caso, senti falta da tensão que o nome prometia provocar.
⚠️ >> Alerta de Spoiler!
Quando Da Reum e Chan finalmente saem juntos, a dinâmica que tornava os dois interessantes praticamente desaparece. O apoio espontâneo dá lugar à frustração por estar com uma celebridade que não tem tempo para ela, e o relacionamento começa a parecer uma etapa necessária para que Da Reum perceba que Ha Gi é uma opção melhor.
A disputa pelo coração dela nem chega a acontecer de verdade. Eu teria preferido acompanhar os dois descobrindo, juntos, o quanto seus mundos eram diferentes. E o quanto a admiração nem sempre se transforma em amor.
A reta final reserva um dos momentos mais bonitos da série: o showcase de comeback do D.N.X após nove anos. Ver os lightsticks acesos e a emoção dos fãs nos faz lembrar exatamente do sentimento de amor e conexão que mantemos com nossos grupos favoritos. ⚠️
Quando o fandom vira a melhor parte da história
My Bias, My Boss tinha espaço para se tornar um rom-com divertido, sob a perspectiva da essência de ser fã e de uma história envolvendo o universo do fandom além da simples fantasia de conhecer um idol.
Quando a protagonista desabafa sobre como a música do seu bias a tirou da solidão, criou amizades e proporcionou pequenas coisas pelas quais esperar, é impossível não se conectar. Ser fã não é só gostar de um artista, é encontrar uma comunidade, compartilhar afinidades e trocar apoio mútuo mesmo sem estar necessariamente tão perto.
O K-Drama entende isso em vários momentos — especialmente nas amizades de Da Reum e na relação dela com Chan — e toca também no lado mais complicado da cultura de fãs, incluindo rumores e comportamentos associados à sasaeng culture.
⚠️ >> Alerta de Spoiler!
Uma das melhores cenas é a história por trás do colar de estrela cadente. O flashback mostra Chan já fora do D.N.X., trabalhando nos bastidores de uma loja, criando uma peça inspirada na marca de seus autógrafos. Da Reum aparece com merch do grupo estampado na mochila sem saber que ele está ali e se encanta pelo colar que ele criou.
Quando descobre que a peça não está à venda, vai embora decepcionada. Chan a segue de máscara e entrega a ele como presente de aniversário. Descobrir que os dois já tinham compartilhado aquele pequeno momento deixou a conexão entre eles muito mais fofinha e a síndrome do second lead ainda mais forte por aqui.
Outra cena que me marcou acontece quando ele a encontra na empresa vazia, ouvindo uma música do D.N.X de 10 anos. Seu olhar fica carregado de gratidão. ⚠️
Vale a pena o check-in em My Bias, My Boss?

My Bias, My Boss é uma série coreana leve, simpática e familiar para quem já experimentou a vida de fã. O K-Drama consegue capturar muito bem o sentimento de pertencimento que a música e a paixão por um idol podem trazer para a vida de alguém. Seus melhores momentos aparecem quando ela mostra o lado do fandom como comunidade, amizade e fonte de apoio, e não apenas como uma fantasia de romance com o bias.
⚠️ >> Alerta de Spoiler!
O showcase de comeback do D.N.X. no final, nove anos depois do grupo deixar os palcos, me pegou de jeito: fãs reunidos, merch, lightsticks brilhando e aquela sensação de legado mesmo depois de tanto tempo, mesmo com cada um seguindo um rumo diferente…
Foi impossível não pensar no Stray Kids e na conexão que construí com os meninos ao longo dos anos, especialmente nas passagens pelo Brasil. “When I become someone’s light, I, too, start shining in my own way”: a frase sobre se tornar a luz de alguém e também começar a brilhar por conta própria resume muito bem a essência de My Bias, My Boss.
E, olha, vou falar uma coisa: eu teria terminado o K-Drama naquela cena. Depois de uma história sobre fandom, amizade e a importância que um artista pode ter na vida de alguém, o showcase do D.N.X. teria sido um desembarque muito mais significativo. ⚠️
O problema é que justamente a premissa mais interessante vai perdendo espaço conforme os episódios avançam. O que era para começar como uma história sobre uma fangirl dividida entre seu idol e seu chefe acaba virando uma rom-com de escritório relativamente convencional, com muitos mal-entendidos e um “triângulo amoroso” que não chega a criar a tensão prometida pelo título da obra.
Guia de Bordo de My Bias, My Boss
- 🛫 Decolagem: o primeiro episódio começa em um ritmo lento e arrastado, mas ganha um pouco de fôlego a partir da segunda metade.
- 🍱 Serviço de Bordo: o trio de amigas fãs de K-Pop e o charme de Cha Woo Min são os grandes destaques da jornada.
- 🛋️ Conforto do Assento: o roteiro mantém a viagem leve, porém perde força ao trocar a premissa de fandom por um rom-com corporativo mais previsível.
- 📍 Desembarque: o pouso é marcado por um comeback especial, seguido por uma cena já bem comum em finais de comédias românticas.
⭐ Status do Passaporte: Voo com Conexão! Uma viagem cheia de momentos relatable para fãs de K-Pop, mas que poderia ter aproveitado melhor a premissa que prometia no embarque.
My Bias, My Boss foi uma viagem um pouco diferente daquela que eu imaginava quando fiz o check-in. Eu entrei querendo ver Kang Hoon brilhando como protagonista, encontrei uma fangirl com momentos de surtos (ora fofos, ora exagerados), descobri que meu second lead syndrome tinha passagem marcada e ainda saí pensando sobre como o fandom pode transformar solidão em amizade.
Não é uma série que vai revolucionar minha lista de K-Dramas favoritos, mas tem carinho suficiente por essa vida de fã para render alguns bons momentos — especialmente para quem entende a emoção de ver o bias no palco e pensar: “é, eu sei exatamente por que essa pessoa significa tanto para mim”.
E você, já imaginou como seria trabalhar na empresa do seu maior bias? ˆ-ˆv