K-Pop · Música · Review

Leve ou intenso? Stray Kids pede os dois em THIS & THAT

Review do álbum THIS & THAT do Stray Kids: cena final do MV da title com Hyunjin no centro, acompanhado por I.N, Lee Know, Bang Chan, Changbin, Felix e Han

[Atualizado em 27 de agosto] “Cappuccino and americano / I’ll take this and that.” Em vez de escolher apenas um, o Stray Kids (스트레이 키즈) troca o “ou” pelo “e”. E essa lógica aparece em todo o álbum THIS & THAT: força e leveza, hip-hop e pop, refrões que ficam na cabeça e produções cheias de personalidade. Conhecido por ritmos frenéticos e performances explosivas, o grupo mostra neste comeback de 7 de agosto de 2026, que não precisa abrir mão da própria intensidade para explorar um groove mais relaxado.

Desde a estreia, o grupo transformou a experimentação em identidade, sempre guiado pelo 3RACHA — Bang Chan, Changbin e Han — trio responsável por escrever e produzir praticamente toda a discografia. Em THIS & THAT, eles escolhem um caminho mais leve e descontraído, mas sem perder o DNA que tornou o SKZ uma das vozes mais reconhecíveis do K-Pop.

Por que escolher um quando você pode ter os dois? Sem se limitar a um único sabor, o Stray Kids monta o próprio cardápio musical e serve um EP que combina diferentes texturas, do hip-hop cadenciado e a energia de festivais, sem perder a essência. Embarca comigo?

“This & That” serve groove descontraído

A title track “This & That” mostra um lado do Stray Kids que sempre esteve ali, mas raramente liderou um comeback. Basta prestar atenção na produção para perceber que a faixa continua carregando o DNA do grupo. Essa energia lazy-cool já aparecia no groove de “The View”, na liberdade de “Surfin'” e na confiança de “DOMINO”. Agora, ela finalmente assume o protagonismo.

A explosão sonora que marcou ATE e KARMA abre espaço para outra dinâmica, que começou a se expandir em DO IT. Em vez de drops explosivos ou mudanças bruscas de andamento, 3RACHA propõe uma base de hip-hop em médio tempo, linhas de baixo encorpadas e sintetizadores discretos que deixam espaço para o groove respirar. Os versos caminham de forma quase conversada até um refrão repetitivo (de propósito) para marcar. Segundo Changbin, a intenção era tornar a música mais acessível sem abrir mão da identidade do grupo. 

A bridge desacelera por alguns instantes antes de devolver a energia de forma fluida, acompanhando o clima mais relaxado da faixa. O rap continua afiado, mas menos agressivo, enquanto os vocais trabalham melodias mais leves e descontraídas. Todo o conceito de THIS & THAT cabe em quatro versos: 

"Cappuccino and americano
I'll take this and that
I'ma rip a show and then hit the studio
I do this and that"

É uma escolha simples, quase casual, mas que resume toda a proposta do 10º mini-álbum do grupo e conversa diretamente com a própria trajetória dos meninos: idols que produzem o próprio repertório, experimentam gêneros diferentes a cada lançamento e seguem construindo uma carreira sem limitar as possibilidades. Assim como a letra não troca um café pelo outro, “This & That” mostra que o Stray Kids também não pretende escolher entre intensidade e leveza tão cedo. E, para manter a tradição, a title também tem sua versão festival.

Visual & MV

Se a música respira liberdade criativa, o MV acompanha essa proposta. A direção alterna cenários abertos banhados pela luz natural com ambientes mais urbanos, enquanto o figurino passeia entre o conforto do streetwear, peças esportivas e a elegância dos blazers de alfaiataria. Mais uma vez, o Stray Kids evita escolher apenas um caminho: casual e sofisticado convivem na mesma estética, refletindo o conceito de THIS & THAT.

A coreografia segue essa mesma lógica. Os movimentos continuam precisos, mas deixam de lado parte da explosão característica dos title tracks anteriores para privilegiar um fluxo mais orgânico, acompanhando o groove da música. É uma performance que transmite confiança sem precisar acelerar o tempo todo: como quem domina grandes palcos e, ao mesmo tempo, parece estar apenas aproveitando o momento.

Destaques

  • “Killing Part”: refrão acompanhado do gesto de “I’ll take this and that” transforma a proposta do comeback em um momento fácil de cantar, reproduzir e lembrar. É o tipo de trecho que resume o conceito do álbum em poucos segundos.
  • Curiosidade de bordo: durante a coletiva de imprensa, o grupo refletiu sobre a viagem no tempo. Enquanto alguns escolheram o futuro, Felix voltaria para reviver a turnê dominATE. Para quem acompanhou a passagem do Stray Kids pelo Brasil, é impossível não lembrar da energia daqueles shows e desejar o mesmo.
  • Para quem gosta de…: TXT na fase mais descontraída de “Blue Hour”, SEVENTEEN em faixas com clima de festival como “God of Music” (Seventeenth Heaven) e RIIZE, pela combinação de groove, refrões leves e energia contagiante.

O cardápio vai muito além de “This & That”

Se a title track apresenta o conceito do álbum, as sete faixas que completam o repertório do comeback mostram como ela funciona na prática. Em vez de seguir uma única receita, o Stray Kids alterna entre diferentes gêneros sem perder a identidade. Cada b-side acrescenta um novo sabor ao cardápio, mas o apetite continua o mesmo do primeiro ao último minuto.

RUN IT

A abertura grandiosa com a pré-lançada “RUN IT” resgata o impacto dos metais, batidas marcantes e energia explosiva que representa aquele lado do Stray Kids que a gente já conhece — e é sempre bem-vindo. A música cria um contraste com a atmosfera mais relaxada da title track. 

Eu continuo achando que é uma das melhores produções do grupo nos últimos anos. Talvez por isso a decisão de não transformá-la na faixa-título tenha sido tão interessante: em vez de repetir uma fórmula vencedora, o grupo escolheu mostrar outra faceta da própria essência.

After You

​​Se existe uma faixa pronta para dominar festivais ao lado de “RUN IT”, ela atende pelo nome de “After You”. Os riffs melódicos de guitarra da introdução rapidamente abrem espaço para uma produção inspirada no progressive house, criando um crescendo que explode sem perder a leveza. É impossível ouvir essa faixa sem imaginar uma multidão curtindo junto em um grande palco ao ar livre. *Rock in Rio vibes* 

Não à toa, ela entrou imediatamente para a minha lista de destaques do álbum (ainda na fase do preview). O interlude com Felix e Hyunjin no final “You, you, you, you, you / Chasing after you” adiciona aquele tempero que faz toda a diferença na receita. Vontade de deixar essa parte em loop nos fones.

FARMING

Poucas pessoas conseguem transformar um conceito tão específico quanto “FARMING” em um dos momentos mais divertidos de um álbum. O Stray Kids faz exatamente isso. Ao misturar hip-hop com o humor característico dos meninos, a faixa brinca com referências ao universo dos games. O refrão é viciante, o instrumental muda de direção o tempo inteiro e Felix rouba completamente a cena toda vez que solta o icônico “farming”. Já virou trilha sonora oficial aqui na hora de completar as dailies do dia e farmar.

I Do

“I Do” muda completamente a textura do álbum ao apostar em guitarras e uma pegada pop rock cheia de energia. Um pouco dessa identidade já aparecia em “In My Head”, mas aqui ela ganha um refrão daqueles feitos para cantar de janela aberta durante uma viagem. É quase impossível não querer aumentar o volume.

Way Out

A introdução de “Way Out” me fez pensar imediatamente em uma trilha de K-Drama. A impressão dura poucos segundos até a faixa se deixar levar por texturas de hip-hop acústico, nuances lo-fi e arranjos delicados. Letra e melodia transmitem a melancolia de uma despedida sem transformar esse sentimento em peso.

Back Then

Na reta final do cardápio sonoro de THIS & THAT, “Back Then (그날)” — com letra assinada por Han — mergulha em uma sonoridade de banda com forte presença acústica. Há um conforto quase nostálgico na maneira como ela evolui, especialmente nos instantes finais, quando os instrumentos ganham ainda mais espaço. 

Esse clima calmo prepara a energia para a sobremesa: “This & That (Festival Version)”, versão acelerada com dinâmicas retrô que remetem a jogos clássicos — e lembrando que, quando o assunto é SKZ, sempre existe espaço para pedir mais uma rodada..

THIS & THAT prova que o maior trunfo do Stray Kids na atualidade é a liberdade criativa. Ao optar por um caminho menos óbvio, o grupo entrega um mini-álbum acessível, diversificado e extremamente agradável de ouvir do início ao fim. Sem abandonar suas raízes no hip-hop, os meninos demonstram maturidade ao transformar a versatilidade em sua assinatura mais marcante. O Stray Kids não quer escolher entre força e leveza. Prefere pedir as duas. E, quando a receita funciona tão bem quanto em THIS & THAT, fica difícil discordar da escolha.


✈️ Avaliação da Guia — THIS & THAT

🛫 Status do voo
Decolagem imediata: o grupo explora diferentes gêneros com extrema facilidade e sem perder a identidade.

🎧 Experiência a bordo
Replay automático: grooves envolventes e refrões que pedem mais uma rodada antes do pouso.

💺 Assento
Primeira classe: um álbum maduro e descontraído que reforça o domínio autoral da 3RACHA.

📍 Destino
Palco principal do Rock in Rio no Brasil, iluminado por milhares de lightsticks e com todo mundo transformando “This & That” em um hino de festival


🗺️ Dados do voo

Tripulação: Bang Chan, Changbin, Felix, Han, Hyunjin, I.N, Lee Know e Seungmin
Álbum: THIS & THAT
Title Track: “This & That”
Highlights: “RUN IT”, “After You” e “FARMING”
Embarque: 7 de agosto de 2026
Companhia: JYP Entertainment

Depois de ouvir THIS & THAT, qual dupla improvável (como cappuccino e americano) você escolheria sem pensar duas vezes? -ˆ-ˆ-v 

Deixe um comentário