
Existe um momento na trajetória de um grupo de K-Pop em que o discurso deixa de ser ‘promessa’ e vira ‘presença’. É exatamente esse shift que o BABYMONSTER (베이비몬스터) parece buscar com CHOOM. Depois do impacto visual de WE GO UP, o grupo agora mira menos no conceito e mais na e performance.
O 3º mini-álbum de Ahyeon, Asa, Chiquita, Pharita, Rami (ausente por motivos de saúde), Rora e Ruka chega com uma ambição alta: transformar o mundo inteiro em uma dance floor. E elas chegam perigosamente perto. É um comeback que abraça o hip-hop dance como tom principal, mas abre janelas para R&B e Pop com uma fluidez que sugere maturidade em construção. Embarca comigo?
Title Track: “CHOOM”
A faixa-título chega sem pedir licença. Um híbrido de hip-hop dance com tempero de riffs de sintetizador que aposta em contraste como motor principal para embalar a música. A intro de “CHOOM” é minimalista, guiada por uma bassline pulsante e quase provocativa.
O primeiro verso destaca o rap afiado no melhor estilo hip-hop YG clássico: flow preciso, cadência elástica. No pré-refrão, entram camadas de synths mais leves e uma harmonia vocal que cria tensão. E então vem o twist: parece que vai explodir e explode, mas não do jeito esperado. O refrão muda completamente o beat, com um drop mais expansivo, groove dançante e uma repetição que pode viciar com o tempo. É um convite direto para levantar, entrar na pista e dançar sem medo.
A produção aposta em camadas limpas. Pouco excesso de sintetizadores. Cada elemento respira. Isso deixa espaço para atitude — e elas preenchem bem. A bridge segura a tensão sem recorrer ao clichê do high note explosivo. Em vez disso, trabalha textura com pequenas variações rítmicas antes do último refrão voltar com força total. “CHOOM” é dinâmica pura: sobe, segura, explode.
Visual & MV
O MV de “CHOOM” dobra a aposta no espetáculo. Escala cinematográfica, cortes rápidos, estética street polida. Cada integrante do BABYMONSTER se transforma em uma agente secreta, com personalidades bem definidas.
Mas o momento-chave é o dance break no chão molhado. É aqui que tudo se alinha: coreografia, câmera, iluminação. A água amplifica cada movimento, enquanto as linhas de dança ficam mais evidentes.
É estética e técnica trabalhando juntas para elevar o nível da performance. Tem assinatura clara de produção YG: grandioso, polido, e direção do próprio Yang Hyun Suk nos passos do refrão. Dá pra sentir que essa música foi pensada com o palco em mente primeiro.
Destaques da faixa
- Killing Part: o refrão com troca de beat. A quebra rítmica gruda na cabeça e muda completamente a energia da track;
- Bastidores: a coreografia foi expandida em uma escala de 10 equipes, com envolvimento direto do fundador e produtor-chefe da YG;
- Para quem gosta de: BLACKPINK em modo “Kill This Love”, aespa ou ITZY mais performance-driven.
B-sides de CHOOM
Se depender das palavras de ASA no Q&A sobre o comeback, a palavra-chave do álbum é diversidade. E, surpreendentemente, aqui melhor do que em lançamentos anteriores do grupo. Mesmo com apenas quatro faixas, as meninas exploram diferentes dinâmicas em cada uma.
“MOON” abre o EP com o lado mais sensorial do BABYMONSTER. Impulsionada pelo hip-hop no modo R&B, as batidas da faixa flertam com o southern trap para criar uma atmosfera sonhadora. A harmonia vocal ganha protagonismo, com mais foco em textura do que potência. É aquela música para ouvir na madrugada, na companhia do seu fone de ouvido e, quem sabe, vendo a lua do outro lado da janela.
“I LIKE IT” muda o jogo para uma vibe mais divertida. Um dance com uma energia mais leve e uma batida mais elástica. A estrutura é simples: versos que constroem expectativa e um hook que explode fácil. Dá pra imaginar o fandom MONSTIEZ cantando junto ao vivo.
“LOCKED IN” é aquela b-side do álbum que fica na playlist com o tempo. A base acústica dá uma textura mais orgânica, enquanto vocais e rap se entrelaçam com fluidez. O mix de R&B pop cria uma sensação de aconchego. Não é a faixa de impacto mais imediato, mas tem um charme silencioso que cresce a cada play. Sabe aquele “clique” que só vem na segunda ou terceira vez? Em alguns momentos, me lembra “Stay” do BLACKPINK.
CHOOM não é um statement definitivo, mas é um passo sólido para o BABYMONSTER depois de um debut que provocou uma série de mixed feelings. Se o objetivo era transformar o mundo em uma pista de dança, missão parcialmente cumprida. A title track pode grudar, mesmo que não seja imediata para todo mundo. E as b-sides ampliam o setlist.
✈️ Avaliação da Guia — CHOOM
🛫 Status do voo
Altitude inicial com tendência a subir
🎧 Experiência a bordo
Performance-driven + espaço para voar alto
💺 Assento
Conforto (com chance de upgrade nos stages)
📍 Destino
Ainda não mostra tudo de primeira, mas te faz querer ficar mais um pouco
🗺️ Dados do voo
Tripulação: Ruka, Pharita, Asa, Ahyeon, Rami, Rora, Chiquita
Álbum: CHOOM
Title Track: “CHOOM”
Highlight: “LOCKED IN”
Embarque: 4 de maio de 2026
Companhia: YG Entertainment
Para você, “CHOOM” é hit de palco instantâneo ou aquela faixa silenciosa que cresce aos poucos? E qual b-side merecia um stage ou até um MV próprio? -ˆ-ˆ-v