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[Review] Niehime to Kemono no Ou: um conto além das aparências

Review do anime Niehime to Kemono no Ou: personagens Sariphi e Leonheart em um jardim florido

Em um mundo dividido entre humanos e bestas, o místico reino de Ozmargo abriga criaturas de todas as formas e espécies — unidas por uma trégua frágil e tradições ancestrais. Para manter a paz após uma guerra centenária, um acordo foi selado: todos os anos, uma jovem humana deve ser enviada como oferenda ao rei das feras. Niehime to Kemono no Ou (Sacrificial Princess and the King of Beasts) começa nesse ritual cruel, quando o soberano Leonhart encontra o 99º sacrifício, Sariphi. Ao contrário de suas antecessoras, ela não demonstra medo e decide encarar o destino que a aguarda de cabeça erguida. 

Produzido pelo estúdio J.C.Staff e baseado no mangá de Yuu Tomofuji, o shoujo estreou na temporada de primavera de 2023 no Japão. Com 24 episódios, o anime consegue adaptar com maestria a jornada de Sariphi desde sua chegada ao palácio até os complexos desdobramentos políticos que ameaçam as estruturas de Ozmargo — entregando muito mais do que apenas um romance entre espécies diferentes. 

Mais do que uma fantasia romântica, Niehime to Kemono no Ou constrói uma narrativa sobre sacrifício, preconceito e um amor além das aparências que se transformam em um catalisador para mudanças sociais em um mundo segregado. Embarca comigo?

Ficha técnica: Niehime to Kemono no Ou

Anime: Niehime to Kemono no Ou 「贄姫と獣の王」

Gênero: Fantasia e Romance

Número de Episódios: 24

Estreia: 20 de abril de 2023

Estúdio: J.C.Staff (Kaichou wa Maid-sama!, Nodame Cantabile, Kareshi Kanojo no Jijou, Maou 2099, Yarinaoshi Reijou wa Ryuutei Heika wo Kouryakuchuu, Sugar Apple Fairy Tale, Kujira no Kora wa Sajou ni Manabu!, Honey Lemon Soda, Chichi wa Eiyuu Haha wa Seirei Musume no Watashi wa Tenseisha e muito mais)

Adaptação: mangá de Tomofuji Yuu


Sariphi é enviada ao reino de Ozmargo como oferenda humana ao temido Rei das Bestas. Abandonada desde a infância e ciente de que seu destino sempre esteve selado, ela encara a própria morte com uma serenidade desconcertante — uma postura que rapidamente desperta o interesse do monarca. O que começa como um ritual destinado ao sacrifício se transforma, pouco a pouco, em uma relação construída sobre confiança, empatia e parceria.

Mas a aproximação entre humana e fera não impacta apenas seus corações. Em um reino marcado por preconceito e divisões entre raças, a presença de Sariphi passa a questionar tradições antigas e a desafiar estruturas políticas profundamente enraizadas. O que era para ser o fim torna-se o início de uma mudança capaz de ecoar por dois mundos.

Romance que vai além do conto de fadas

Muito mais do que um simples “A Bela e a Fera” com estética oriental, Niehime to Kemono no Ou rapidamente constrói sua própria identidade. O relacionamento entre Sariphi e Leonhart (Leo) é desenvolvido com paciência e profundidade, sem atalhos emocionais. Não é apenas sobre atração, é sobre duas almas marcadas pela solidão e pelas expectativas impostas por seus mundos encontrando, uma na outra, apoio e pertencimento

O que torna esse romance tão envolvente é a comunicação. Sari e Leo conversam, enfrentam conflitos juntos e amadurecem lado a lado. Em vez de depender exclusivamente de momentos fofos, a narrativa inspira parceria, confiança e respeito mútuo — algo que, convenhamos, nem sempre é regra dentro do shoujo.

Uma protagonista que transforma o mundo ao seu redor

O grande trunfo de Niehime é, sem dúvida, Sariphi. Humana em um reino que a despreza, sem poderes mágicos ou força física comparável às bestas, ela poderia facilmente ser retratada como uma donzela em perigo. Mas essa nunca foi a intenção da obra.

A personagem ganha ainda mais vida na interpretação de Hanazawa Kana. Seu tom de voz transmite perfeitamente essa energia de “posso ser fofa, mas não sou submissa”.

Desde que compreendeu sobre seu papel como sacrifício, Sariphi nunca esperou ser resgatada — ela escolheu agir. Pouco a pouco, conquista aliados, confronta preconceitos e suaviza até os corações mais resistentes. É extremamente satisfatório acompanhar uma protagonista que usa a empatia como sua maior força, enfrentando racismo, misoginia e tradições injustas com diálogo firme, coragem e uma determinação inabalável de transformar Ozmargo em um lugar melhor para todas as raças. 

Um rei implacável por fora, mas sensível por dentro

Leonhart é o contraponto perfeito para Sariphi. Apesar da imagem de fera absoluta e soberana que todos enxergam, ele carrega inseguranças profundas ligadas às próprias origens e ao peso da coroa.

Leo e Sari são opostos que se encaixam com naturalidade. Ela parece frágil aos olhos das feras, mas carrega uma força emocional impressionante. Ele impõe respeito e medo, mas esconde uma sensibilidade que poucos conhecem. 

A relação entre ambos é baseada em uma comunicação saudável, respeito mútuo e crescimento conjunto. É um tipo de romance que valoriza a maturidade emocional em vez de mal-entendidos forçados — algo que muitas vezes faz falta em obras do gênero.

Worldbuilding rico e coadjuvantes cativantes

A construção de mundo em Ozmargo é muito bem conduzida no universo de Niehime to Kemono no Ou. O reino das bestas é diverso e politicamente complexo, formado por diferentes espécies (répteis, hienas, clãs de um olho só) que também enfrentam preconceito dentro da própria sociedade. 

Personagens como o chanceler Anubis representam o peso da tradição e da resistência à mudança, servindo como um obstáculo ideológico importante para a ascensão de Sari. Ao mesmo tempo, a lealdade de Lante e o humor de Bennu equilibram o tom da narrativa com lealdade, humor e momentos de leveza, impedindo que o clima político se torne excessivamente denso. Menção especial à rápida aparição de Maalo, tentando se aproximar com o amigo de infância da Sari. ❤

Mesmo quando a história mergulha em disputas pelo trono e tensões diplomáticas, o anime nunca perde o foco no que realmente importa: o crescimento dos personagens. A ação aparece pontualmente — e com boa qualidade de animação — mas o verdadeiro coração de Niehime está nas relações que se constroem ao longo do caminho.

Veredito: uma obra subestimada que transborda o coração

Review do anime Niehime to Kemono no Ou: personagens Sariphi e Leonheart prontos para o casamento

Niehime to Kemono no Ou é aquela joia escondida que merecia muito mais atenção do que recebeu em 2023. Eu mesma comecei a acompanhar durante a temporada de lançamento, assisti um ou dois episódios… e, muito provavelmente por pura falta de tempo, acabei priorizando outras obras e deixando o anime em stand-by. Demorei quase três anos para retomar — e hoje só consigo pensar no quanto foi um erro ter esperado tanto.

Ao longo de 24 episódios, não acompanhamos apenas um romance florescendo, mas a transformação gradual de um reino inteiro. É o tipo de história que faz você se importar de verdade — com os protagonistas, com os coadjuvantes e com o futuro daquele mundo.

Por que pode valer a pena dar uma chance?

  • Sariphi: uma protagonista feminina forte, ativa e inspiradora, que lidera mudanças com empatia e coragem.
  • Worldbuilding: mundo rico, com intrigas políticas, conflitos raciais e tradições que realmente impactam a narrativa.
  • Desenvolvimento: personagens e romance que crescem juntos, com apoio na construção de um futuro melhor para todas as raças.

Se você busca uma história que faça você se importar genuinamente com os personagens e que mostre como mudanças estruturais podem começar com pequenos gestos de coragem, esse anime é praticamente obrigatório. 

Niehime to Kemono no Ou é uma fantasia romântica que surpreende pela maturidade emocional, pela qualidade da escrita e por entregar algo cada vez mais raro entre os novos lançamentos: um final fechado, coerente e profundamente recompensador.


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