
Bye Bye, Earth 「ばいばい、アース」 surgiu como uma das grandes apostas da temporada em 12 de julho de 2024. Produzido pelo estúdio LIDENFILMS (Kimi wa Houkago Insomnia, Kami wa Game ni Ueteiru, Lost Song, Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan, Mahoutsukai no Yakusoku, Goblin Slayer) e baseado na light novel de Tow Ubukata, o anime prometia entregar uma jornada épica de ação e fantasia em um mundo onde todos têm feições animais — menos Belle Lablac, a protagonista.
Com 20 episódios, divididos em duas temporadas, a história mergulha em um universo que tem suas próprias regras, crenças e mistérios. Por que Belle é a única humana (ou qualquer raça próxima disso)? Qual é sua origem? E o seu propósito? Essas são algumas das perguntas que nos acompanham até o final. Vem comigo?
Ficha técnica de Bye Bye, Earth
Anime: Bye Bye, Earth
Gênero: Ação, Aventura e Fantasia
Número de Episódios: 10 (1ª temporada) + 10 (2ª temporada)
Estreia: 12 de julho de 2024 + 4 de abril de 2025
Estúdio: LIDENFILMS
Adaptação: light novel de Ubukata Tow (história) e Kim Hyung-tae Kim (arte)
Em um mundo onde todos têm características bem peculiares — como focinhos, orelhas pontudas, rabinhos de diversas formas e pelagens coloridas — Belle Lablac, aparentemente, é a única de sua espécie: humana (ou algo similar). Sem presas, garras ou pelos. Apenas dúvidas. Com uma espada lendária nas costas, Belle parte em uma jornada em busca de respostas, um lugar para chamar de seu e talvez, quem sabe, um sentido para a solidão que a acompanha como se fosse uma sombra.
Review de Bye Bye, Earth
No papel, a premissa é fascinante: uma figura deslocada, confrontada por uma sociedade que valoriza normas rígidas e aparências híbridas. No caminho, Belle cruza com mestres espadachins, reis, músicos nômades, falsos profetas e cultos que parecem ter saído de uma fábula distorcida.
Rapidamente, Bye Bye, Earth se tornou um dos favoritos de julho de 2024, quando a primeira temporada estreou. Além da animação, a trilha sonora também assumiu o protagonismo.
A abertura com “Faceless” da ASCA incorpora na letra toda a jornada de Belle em busca do seu lugar de pertencimento e seu propósito. O encerramento “I LUV U 2” da LMYK adota um tom suave e emocional com a melancolia de quem parte sem saber se algum dia encontrará as peças que faltam. E as músicas de fundo que acompanham a jornada de Belle combinam com a atmosfera do anime.
Entre os personagens, Adonis — com seu cabelo prata e orelhinhas de raposa — tinha tudo para ser um dos meus preferidos. Mas a história fez de tudo para mudar isso. De potencial par romântico da protagonista, ele se transforma naquele que começa a questionar o mundo e a vontade de deus, até se opor a Belle. Essa é a premissa para o que vem a seguir, instigando um iminente confronto direto entre os dois.
Em abril deste ano, veio a sequência. A segunda temporada de Bye Bye, Earth 「ばいばい、アース 第2シーズン」 continua exatamente de onde a primeira termina. Dessa vez, com Belle e Adonis em lados opostos. A trilha sonora mantém seu papel de destaque, incluindo a opening “Aufheben” do grupo Who-ya Extended e a ending “MOONWORK” da ASCA.
O que mudou foi o meu sentimento. Acompanhei a continuação para terminar algo que comecei, sem o mesmo entusiasmo de antes e ainda mais confusa com o rumo da história.
Impressões finais de Bye Bye, Earth

Minha expectativa era ver a obra me surpreender no final. Será que conseguiu? Há promessas de magia, lógica reversa (com os humanos como minoria diante de outras raças) e muito drama existencial. O universo de Bye Bye, Earth é vasto. Tudo gira em torno da música e do sistema que rege o mundo. As batalhas são como concertos, conduzidos por um maestro e sua orquestra. E como se fossem instrumentos musicais, as espadas são sagradas e funcionam como uma extensão da vida de quem as carrega.
No meio de tudo isso, está Belle — a única personagem deslocada, tentando encontrar seu lugar no mundo. Mas como acontece em viagens longas e mal planejadas, a bagagem se perde no meio do caminho — cheio de diálogos complexos, símbolos religiosos pouco explorados e reviravoltas que, ao invés de impactar, parecem gratuitas.
O impacto do primeiro episódio — apresentação do intrigante universo de Bye Bye, Earth, personagens, trilha sonora, animação — prepara o palco para o espetáculo. Parece que algo grande está a começar. No decorrer da apresentação, a música começa a perder força até desafinar…
O grande problema de Bye Bye, Earth é justamente este: o mundo é vasto, mas a narrativa se perde nas próprias voltas. E a história transborda. O roteiro, embalado por um linguajar floreado, nos lança de cabeça em uma mitologia rica, porém mal explicada. É como chegar a um destino desconhecido sem guia ou bússola. Assim, todo o potencial que aquele lugar tinha a oferecer fica escondido, pois, sem conhecer, nos limitamos a explorar apenas os arredores.
Belle encontra o seu lugar no mundo?
Belle Lablac é construída como símbolo de resistência e individualidade. Mas sua jornada, que começa com força e presença, vai se dissolvendo à medida que o anime insiste em se desviar do eixo principal para explorar tramas paralelas mal desenvolvidas. Ao menos, elas nos levam à resposta de um dos questionamentos, já que revela a verdadeira origem da protagonista.
>>> Alerta de spoiler!
É por isso que eu coloco uma observação ao lado da palavra ‘humana’ toda vez que aparece no texto. Afinal, Belle é de outro planeta. Isso não fica 100% claro para mim. A forma como suas origens são apresentadas com uma versão pequena dela, aquele pássaro que lembra uma fênix e todos os questionamentos sobre a vontade de deus, a fome de deus e por aí vai aparecem como uma névoa, que não se revela por completo. Essa é a sensação para mim.
Quando finalmente somos brindados com algumas revelações sobre a origem de Belle, a história começa a fazer um pouco de sentido. No entanto, para um universo tão vasto quanto o de Bye Bye, Earth, esses fragmentos não são suficientes para revelar tudo o que há por trás dessa neblina que se forma.
Todas as luzes se voltam para o confronto entre Belle e Adonis, mortes sem sentido, traições e mudanças de lado. As explicações surgem como pano de fundo, sem ganhar muita importância no centro do espetáculo. Também sinto que as motivações de Belle e Adonis não ficam claras, e a luta entre os dois, que deveria carregar peso emocional, se resume a um duelo vazio entre símbolos desconectados.
>>> Alerta de spoiler!
Fiquei decepcionada com o rumo que a história do Adonis toma. Até agora não entendi o porquê das escolhas dele, nem o sentido da sua luta com a Belle, absolutamente nada… >.<
No fim da jornada, tem um propósito?
Bye Bye, Earth é um anime que encanta pelos olhos, mas desafia demais o coração. A trilha sonora é impecável, a animação tem momentos de pura beleza, e o universo criado por Ubukata Tow carrega um potencial inegável. Mas ao longo dos episódios, esse potencial se dilui em diálogos complexos, personagens mal aproveitados e um roteiro que parece mais preocupado em parecer profundo do que em se comunicar.
Talvez essa seja a grande ironia: Belle busca um lugar onde possa se encaixar, mas o próprio anime parece indeciso o que quer ser. Uma fábula sobre pertencimento? Um épico político-religioso? Um drama filosófico sci-fi? Ao tentar ser tudo, acaba sendo pouco.
O impacto que deveria vir como catarse no 20º episódio, chega quase como um sussurro. E o que era para ser um grito de identidade, se perde no meio de despedidas, enquanto toca La Campanella de Liszt — mais uma vez, belo, mas vazio e sem profundidade.
>>> Alerta de spoiler!
Belle só consegue sair na tão falada jornada como nômade lá no início quando o anime chega em seu último episódio. Mesmo depois de todos os acontecimentos que mudam a forma como o mundo de Bye Bye, Earth funciona, ela ainda busca por um propósito e mais pistas sobre quem ela é, apesar de já conhecer sua origem.
Em um mundo tão vasto e complexo, a história de Bye Bye, Earth transborda para todos os lados, tentando mostrar mais músicos e instrumentos do que cabe no palco. Visualmente, vale a pena. Musicalmente, mais ainda. Agora, se o roteiro é o principal elemento para incluir o anime na lista ou deixá-lo de fora, talvez seja melhor deixar para lá.
Se você prefere uma obra mais bem amarrada, Zenshuu pode ser uma das opções para maratonar.