Atenção passageiros! Após viagens mais longas pelo universo dos animes e pelos últimos lançamentos de K-Pop, vamos estender a programação também no tour pelos K-Dramas. Para o voo KD2406, você passará duas estreias de maio, The 8 Show e Dreaming of a Freaking Fairy Tale. Enquanto a primeira traz uma mistura de Round 6 e Alice in Borderland, a segunda é uma comédia inspirada nos contos de fadas.
- The 8 Show
- Dreaming of a Freaking Fairy Tale
- Tale of the Nine Tailed
- Dare To Love Me
- Estreia de Junho
Durante a viagem, também faremos uma conexão por Hierarchy, estreia da Netflix no mês de junho, além de acompanhar as últimas impressões de Dare To Love Me.
O grande destaque da programação é Tale of the Nine Tailed que, enfim, embarca na nossa seleção. Vem comigo?
The 8 Show
Baseado nos webtoons “Money Game” e “Pi Game” de Bae Jin Soo, The 8 Show (더 에이트 쇼) foi uma das séries coreanas a estrear recentemente na Netflix, com oito episódios liberados de uma só vez no dia 17 de maio. A premissa envolvendo jogos, dinheiro e a velha ambição de ‘até onde você iria para ganhar mais’ me fez lembrar de Round 6 (ou Squid Game) e Alice in Borderland. Por contar com um plot aparentemente interessante, incluí na seleção deste mês.
The 8 Show acompanha o encontro de oito pessoas que precisam de dinheiro e recebem um misterioso convite para participar de um reality show em troca de uma conta bancária farta para lidar com suas dívidas. À primeira vista, cada minuto parece render uma grande quantia. E os participantes não precisam fazer nada, apenas seguir algumas regras simples.
Aos poucos, porém, eles descobrem que tudo tem um preço, inclusive suas necessidades mais básicas. Só que os valores são muito mais altos do que os do lado de fora do programa (retratando o capitalismo). E cada andar remunera o participante de forma diferente, mostrando a hierarquia no comando ao representar as diferenças de classes presentes no nosso dia a dia.
Além disso, quem define o tempo do “show” é a capacidade dos participantes de entreter — mesmo que para isso tenha que recorrer a situações extremas, como violência ou tortura psicológica.
Na primeira metade, The 8 Show instiga e desperta a curiosidade de saber mais sobre as pessoas que estão lá e suas motivações. Do quinto em diante, fica repetitivo e o tom começa a mudar, adotando um humor sádico ao extremo e um nível de agressividade incômoda. Após maratonar os primeiros episódios, eu acabei me arrastando para chegar no final. Se ganhar uma 2ª temporada, provavelmente vou passar.
Dreaming of a Freaking Fairy Tale
Além de The 8 Show, Dreaming of a Freaking Fairy Tale (나는 대놓고 신데렐라를 꿈꾼다) também é uma das estreias mais recentes do catálogo de bordo deste voo. O K-Drama da TVING foi ao ar no dia 31 de maio e ganhou 10 episódios. A história acompanha o herdeiro de uma família rica, Moon Cha Min (Lee Jun Young), que não acredita no amor dadas as circunstâncias de sua vida, e a sonhadora Shin Jae Rim (Pyo Ye Jin), que busca seu próprio conto de fadas.
Após chegar ao episódio final, sinto que Dreaming of a Freaking Fairy Tale foi uma das escolhas mais excêntricas que já fiz em toda a minha seleção de séries coreanas. Afinal, é um K-Drama que mistura elementos infantis e surreais com doses exageradas de comédia (um pouco fora do meu checklist habitual).
A história de Moon Cha Min e Shin Jae Rim promete um romance de conto de fadas, mas entrega uma trama absurdamente simplista. O roteiro segue um caminho previsível, onde Cha Min não consegue admitir seus sentimentos, levando a situações frustrantes e um humor que nem sempre provoca risadas.
Dreaming of a Freaking Fairy Tale é uma escolha leve para quem busca algo menos intenso, mas é difícil recomendar devido ao seu enredo infantil e uma atuação tão básica. Lee Jun Young é um dos poucos motivos para incluí-la na lista. Apesar de suas falhas, a série coreana traz uma mensagem valiosa sobre a importância de amar a si mesmo antes de abrir-se para as possibilidades que a vida reserva para nós. O K-Drama pode não ser memorável, mas serve como um refresco para aliviar outras tramas mais complexas.
Tale of the Nine Tailed
Tale of the Nine Tailed (구미호뎐) é um K-Drama da tvN com três temporadas anunciadas. A primeira foi ao ar entre 7 de outubro e 3 de dezembro de 2020 com 16 episódios, enquanto a segunda, Tale of the Nine Tailed 1938 (구미호뎐1938), teve sua transmissão de 6 de maio a 11 de junho de 2023 com 12 episódios. Já a terceira, especula-se que deve chegar entre o final de 2024 e o início de 2025. Há ainda um especial de bastidores, apresentado pelos personagens Shin Joo (Hwang Hee) e Ki Yuri (Kim Yong Ji).
A primeira temporada da série acompanha Lee Yeon (Lee Dong Wook), um gumiho (raposa de nove caudas), que deixou seu posto como um dos deuses das montanhas para reencontrar a reencarnação de seu primeiro amor, uma humana chamada A Eum. Após 600 anos de espera, ela reaparece como Nam Ji Ah (Jo Bo Ah), produtora de um programa de TV que investiga mitos urbanos.
A segunda temporada, por sua vez, leva Yeon para uma inesperada jornada ao passado no ano de 1938. Lá, ele reencontra Ryu Hong Joo (Kim So Yeon) e Cheon Mu Young (Ryu Kyung Soo), que, assim como Yeon, também eram guardiões das montanhas. E também tem a chance de rever seu irmão Lee Rang (Kim Beom).
Depois de Goblin e The Legend of the Blue Sea, estava em busca de séries coreanas vinculadas a alguma mitologia. Ao consultar minha lista, encontrei Tale of the Nine Tailed. Já vi muitos animes com raposas de nove caudas. Gosto de vê-las em suas formas humanas com orelhinhas. Quando vi o nome do Dong Wook no elenco, não precisei de mais motivos para incluir o K-Drama no tour deste mês.
Tale of the Nine Tailed vs Tale of the Nine Tailed 1938
Tale of the Nine Tailed proporciona uma mistura equilibrada de horror, fantasia, romance e ação, apesar de ter algumas falhas na trama romântica. Embora a relação de Ji Ah com Yeon não provoque aquela faísca que torna um romance fascinante e nos faz torcer por ele, ela tem alguns bons momentos na primeira temporada. Um deles é sua transformação entre a produtora Ji Ah e sua versão vilã possuída pelo Imoogi.
Já a química entre Lee Yeon e Lee Rang é um dos pontos altos da série, superando o romance entre os protagonistas na primeira temporada. A divertida relação de amor e ódio entre os dois se transformou em um dos pontos focais da sequência Tale of the Nine Tailed 1938, provocando risos e lágrimas sempre que a dupla entrava em cena.
Dong Wook é um dos atores coreanos que mais admiro desde que conheci seu carismático ceifador em Goblin. Era um dos meus personagens preferidos até agora, mas Lee Yeon acabou se tornando tão memorável quanto. Já não sei dizer se prefiro o ceifador ou a raposa, então fico com os dois. xD
Vale a pena?
Diferente da primeira temporada, que foca mais no romance com pitadas de mistério e seres místicos da mitologia coreana, Tale of the Nine-Tailed 1938 traz uma mistura de ação e comédia, com viagem no tempo. Ji Ah tem apenas uma participação especial. O romance dá lugar à relação entre os irmãos Lee Yeon e Lee Rang e ao trio de deuses da montanha, incluindo Ryu Hong Joo (Kim So Yeon) e Cheon Mu Young (Ryu Kyung Soo).
Hong Joo é a protagonista que faltava para elevar a série. Além de mostrar uma personagem forte, divertida e admirável, sua química com Yeon está em outro nível. A sequência também se destaca pelos efeitos especiais e pelo roteiro, que mantém o ritmo e a emoção do início ao fim.
Pelo Yeon e pelo Rang vale a pena acompanhar a primeira temporada antes de seguir para a segunda, pois a familiaridade com os personagens enriquece a experiência. Para uma experiência completa, recomendo ver a primeira temporada, o spin-off Tale of the Nine Tailed: An Unfinished Story (são três episódios com Lee Rang como o protagonista) e, enfim, a sequência no ano de 1938. Se não quiser ver tudo, recomendo a segunda temporada.
Dare To Love Me
Após 16 episódios, Dare to Love Me (함부로 대해줘) chegou ao final. Baseado no webcomic “Hamburo Dahaejwo” de Sun Woo, o K-Drama da KBS2 foi transmitido entre os dias 13 de maio e 2 de julho. A série entra na programação de junho, aproveitando a data da publicação deste post, que sempre se estende um pouquinho.
A história de Dare To Love Me une as tradições do passado ao mundo moderno do presente. Do lado que ainda preserva os costumes do período Joseon, está o jovem mestre Shin Yoon Bok (Kim Myung Soo) com a missão de herdar a liderança da Seongsan Village, apesar do sonho de criar webtoons. Do lado que tenta sobreviver aos tempos atuais, está Kim Hong Do (Lee Yoo-Young), uma aspirante à fashion designer com o sonho de ir a Paris.
Dare To Love Me é um K-Drama que mergulha profundamente nas tradições e na cultura coreana, tornando a Seongsan Village a verdadeira protagonista da história. Para quem gosta da cultura oriental, esta pode ser a principal motivação para acompanhar. A mensagem central da série é enfatizada no final: seja dinheiro ou patrimônio cultural, o verdadeiro tesouro são as pessoas. E teve também um cameo do Youngjae (영재) do GOT7 (갓세븐).
O ritmo da narrativa é lento, sem surpresas, sem química entre os protagonistas e com diálogos que às vezes pareciam não ter assunto para expandir as conversas. Camille (Bae Jong Ok) é um destaque à parte, com sua personalidade marcante e as interações memoráveis com os moradores da vila. Gostaria de ter visto mais cenas do tempo em que ela passou lá.
Com uma história leve, trilha sonora agradável e foco envolvente na herança cultural coreana, Dare To Love Me, Camille e Yoon Bok foram boas companhias para as noites de segundas e terças.
Estreia de Junho
Hierarchy
Hierarchy (하이라키) estreou na Netflix em 7 de junho de 2024, com 7 episódios liberados de uma só vez e um final pronto para embalar uma segunda temporada a qualquer momento. Incluí o K-Drama no tour por me lembrar de Celebrity. Eu esperava encontrar o mesmo tom de mistério que me fez maratonar os planos da Seo A-Ri.
A trama de Hierarchy é guiada pelo desejo de vingança de Kang Ha (Lee Chae Min) após a perda do irmão. Apesar de conquistar seu lugar na prestigiada Jooshin High School, Kang In Han (Kim Min Chul) passa a sofrer bullying dos alunos de famílias influentes e poderosas, até perder a vida de forma trágica.
A estética da série é um ponto positivo, com a escolha de cores frias e sombrias que ajudam a criar o clima adequado, remetendo a um ambiente fechado, controlado e, por vezes, sufocante. No entanto, a execução deixa a desejar. A trama é confusa e os personagens não são bem desenvolvidos.
Jung Jae-I (Roh Jeong Eui) adota uma postura monótona e sem emoções. Suas decisões românticas são tão frustrantes quanto, oscilando entre o Kim Ri An (Kim Jae Won) e o Kang Ha sem mais, nem menos. Muitos personagens e subtramas, aliás, parecem desnecessários e mal explorados, como o relacionamento entre Lee Woo Jin (Lee Won Jung) e a professora — que é tanto impróprio quanto mal construído. Yoon He Ra (Ji Hye Won) e Kang Ha são as exceções em uma narrativa fragmentada e mal roteirizada.
Além disso, o “revenge” — que era para ser o centro — demora a se desenvolver e culmina em um final anticlimático frustrante. No final, Hierarchy parece mais um romance teen cheio de intrigas do que uma busca pela vingança para derrubar o sistema de hierarquia que dita as regras do jogo.
* * *
Como foi o tour pelos K-Dramas deste mês? Dessa vez, a seleção trouxe obras mais recentes, mas também resgatou um clássico que já está indo para sua terceira temporada. Entre as séries coreanas que entraram no catálogo deste mês, minha maior recomendação é Tale of the Nine Tailed, principalmente a sequência que se passa no ano de 1938. O personagem de Lee Yeon e seu relacionamento com Lee Rang deixaram marcas quase tão profundas quanto Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo, mas menos trágicas.
Se você gosta de séries mais leves, a pedida é Lovely Runner no maior clima de rom-com para deixar seus dias mais românticos.