Animes

Animes no #NoRadar: seleção de dezembro

Para começar o mês e o novo ano, preparei mais uma seleção de animes com meus destaques de dezembro. Foi uma época corrida (imagino que para você também), por isso, não consegui acompanhar tantas obras como eu gostaria. Resgatei duas produções da minha lista, uma mais antiga e outra mais recente, e incluí minhas impressões finais sobre os finalizados da última temporada de 2023.

Neste post, vou compartilhar o que achei dos animes Golden Time e Koikimo, além de fechar os reviews das estreias do ano que passou. Vem comigo?

Golden Time

Golden Time 「ゴールデンタイム」 é um anime que já estava na minha lista há algum tempo e, finalmente, senti vontade de ver. Com 24 episódios, o primeiro foi ao ar no dia 4 de outubro de 2013, chegando ao final em 28 de março de 2014. A adaptação é do J.C. Staff, estúdio que também animou Kaichou wa Maid-Sama, Kare Kano, Nodame Cantabile e Sugar Apple Fairy Tail. 

A história de Golden Time acompanha a vida universitária de Tada Banri depois que ele perde suas memórias após um acidente em sua cidade natal. Sem lembrar da família nem dos amigos mais próximos ou qualquer outra lembrança, ele recomeça sua vida em Tokyo. Lá, Banri conhece a excêntrica e dramática Kaga Kouko, enquanto reencontra alguém importante do passado (sem reconhecê-la) e faz novas amizades.

À primeira vista, o plot parece interessante até chegar no ponto em que o drama toma conta de uma forma extremamente exagerada — seja pela obsessão da Koko com o Mitsuo e depois com o Banri, pela mente confusa em excesso do protagonista ou pelo relacionamento dos dois. Não parece natural, não convence e não envolve. Não vemos os sentimentos ganhando forma. Do nada, um aparece apaixonado pelo outro. 何それ?

Na primeira metade do anime, as coisas parecem interessantes. No entanto, conforme os episódios avançam, a história adota um tom monótono. Três personagens me fizeram superar a sensação e acompanhar até o fim: Nana (será uma referência ao anime com o mesmo nome? xD), Linda-senpai e 2D-kun. 

Se eu fosse a autora, teria encerrado tudo no episódio 23, porque a história apresenta certa personalidade e sentido. Ao chegar no final, Golden Time deixou de ser uma experiência agradável para se tornar uma tarefa, que vez ou outra me deixava entediada (só não mais que Ojou To Banken-Kun).

Koi to Yobu ni wa Kimochi Warui

Quando Golden Time começou a ficar monótono, busquei na minha lista outro anime para acompanhar em paralelo e aliviar o sentimento de frustração. Foi assim que cheguei em Koi to Yobu ni wa Kimochi Warui 「恋と呼ぶには気持ち悪い」 com animação do estúdio Nomad (Rozen Maiden). Com 12 episódios, a adaptação do mangá estreou no dia 5 de abril e se estendeu até 14 de junho de 2021. 

A história de Koikimo traz um encontro com desdobramentos inesperados. A caminho do trabalho, Amakusa Ryou quase cai escada abaixo em uma estação de metrô, mas é salvo pela estudante Ichika Arima. Por coincidência ou obra do destino, os dois ficam cara a cara mais uma vez na casa de sua melhor amiga, que também é a irmã mais nova de Ryou. 

Ichika tem apenas 17 anos, o que não impede Ryou (27 anos) de se apaixonar, apesar do tratamento ríspido (e com razão) da Ichika após algumas investidas um tanto agressivas. Este é apenas o começo. No decorrer da história, Ryou não perde uma oportunidade de demonstrar o que sente, mesmo sendo pegajoso e inconveniente em alguns momentos. 

Em Koikimo, o romance não chama tanto a minha atenção. O que mais se sobressai é a animação, além da belíssima trilha sonora. A opening e a ending entraram na minha playlist de músicas de anime assim que terminei todos os episódios. 

Tamaru Kai (colega de classe e amigo da Ichika), Rio (irmã do Ryou) e Matsushima Arie (colega de trabalho do Ryou e otaku de carteirinha) são os meus personagens preferidos. Koi to Yobu ni wa Kimochi Warui apresenta um relacionamento que pode levar a polêmicas pela diferença de idade entre uma estudante e um adulto, mas é um anime doce, divertido e gostoso de acompanhar. #TeamTamaru 頑張って


Bônus: lançamentos finalizados em dezembro

No início de outubro, a temporada de outono no Japão trouxe mais uma leva de animes para nós. Entre as produções que acompanhei, a maior surpresa foi Souso no Frieren (fora da análise, pois os episódios ainda estão em andamento). Também teve roteiro levemente forçado com WataOshi, em contraste com os divertidos Ikenaikyo e Tearmoon. Kimizero me surpreendeu e Ojou to Banken-kun me fez querer esquecer tudo o que vi.

Todos eles estavam nos destaques de outubro aqui do blog. Após acompanhar todos os episódios, neste mês, trago minhas impressões finais e recomendações que acho que vale a pena incluir na sua lista. Assim como em todos os outros reviews, vou evitar spoilers ao máximo para não influenciar sua experiência. Então, vamos em frente?

Watashi no Oshi wa Akuyaku Reijou

Claire e Rae deitadas em um gramado com flores na abertura do anime WataOshi

Toda a ansiedade para ver Watashi no Oshi wa Akuyaku Reijou 「私の推しは悪役令嬢」 se foi antes mesmo de chegar ao último episódio. Fui embalada por HameFura, Akulas e Tsunlise e me deixei levar. Enquanto Katarina, Aileen e Liselotte são personagens que transbordam carisma, Claire e Rae tornam o roteiro cansativo de acompanhar. Não sobra espaço nem mesmo para o tom de comédia se sobressair. 

Todos os momentos cômicos me parecem um pouco forçados e até mesmo sem graça. As constantes declarações de amor da Rae entre uma cena e outra transformam o romance em um relacionamento banal e repetitivo. Tudo o que é feito com exagero acaba perdendo o significado, não acha?

Os príncipes aparecem como enfeites, sem tirar, nem adicionar qualquer elemento ao enredo para o bem ou para o mal. Seria melhor se eles não fizessem parte da história. Não é por ser yuri, até porque tem boas obras no gênero como Strawberry Panic, Maria-sama ga Miteru e Kannazuki no Miko (embora eu não me lembre muito do último).

Por falar em falhas no roteiro, também senti falta de uma explicação sobre a reencarnação da Rae. Para mim, não fica claro como isso acontece. A impressão que tive é como se a protagonista tivesse dormido e acordado dentro do jogo. Ou foi mostrado em algum momento e eu perdi? 誰か助けて! @.@”

A cada novo episódio, menos WataOshi conseguia me engajar — a ponto de me desconectar em alguns momentos com aquele sentimento ‘tudo bem, não vou perder nada mesmo’. Talvez eu tenha criado expectativas altas demais, talvez Rae e Kouko (Golden Time) tenham saturado minha cota de protagonistas com obsessões que beiram o exagero.

Ikenaikyo

Charlotte e Allen com orelhas de gatinho na cabeça em cena do anime Ikenaikyo

Comecei a acompanhar Konyaku Haki Sareta Reijou wo Hirotta Ore ga, Ikenai Koto wo Oshiekomu 「婚約破棄された令嬢を拾った俺が、イケナイことを教え込む」 sem grandes pretensões. O anime entrou na minha lista de prioridades da temporada como uma opção para deixar os dias mais leves, tranquilos e quem sabe até mais divertidos (apesar da premissa indicando coisas impróprias no meio do caminho). Não devemos julgar um livro pela capa, não é mesmo? E Ikenaikyo não decepcionou!

A proposta do Allen de ensinar coisas impróprias para a Charlotte parece controversa no início e nos coloca em dúvida sobre suas intenções. Porém, não demora muito até entendermos o seu objetivo: ajudar a protagonista a ter mais confiança em si mesma, dizer o que sente e a aproveitar mais o mundo ao seu redor. 

No decorrer dos episódios, Ikenaikyo oferece uma experiência aconchegante apesar de seu ritmo lento para o desenvolvimento dos personagens, a personalidade da Charlotte (que vez ou outra incomoda um pouquinho) e a voz do Allen (algo nela não combina). Eruca e Miacha mantiveram o posto como as mais divertidas do anime. São elas que proporcionam alguns dos momentos mais engraçados na história, principalmente quando tentam unir o casal.

O roteiro não indica muito para onde vai, nem mesmo no último episódio. É simples, sem esquemas profundos ou tramas complexas, o que dá esse ar de leveza a Ikenaikyo. Não é o melhor romance, mas tem um charme doce e inocente que desperta a vontade de acompanhar o relacionamento de Allen e Charlotte. Após algumas cenas fofinhas, o final indica que a história ainda não acabou: “você não perde por esperar…Charlotte“.

Ojou to Banken-kun

Keiya e Isaku olhando para fora da janela do ônibus em cena do anime Ojou to Banken-kun

Ojou to Banken-kun 「お嬢と番犬くん」 é simplesmente um dos piores animes que acompanhei nos últimos meses. É quase tão desagradável quanto Isekai de Cheat Skill. Se colocarmos os dois lado a lado, não sei dizer qual se sobressai. Nenhum? Pois é, são grandes as chances. やれやれ

Eu poderia facilmente definir Ojou to Banken-kun com uma única palavra: entediante. Foi o sentimento de tédio que prevaleceu desde o primeiro episódio até o último. Não esperei ansiosamente por um novo episódio a cada semana e ainda precisei fazer um esforço enorme para acompanhar até o fim. 

Meu descontentamento não vem da diferença de idade entre o casal, apesar de não gostar da forma como o anime apresenta o início do relacionamento entre Utou Keiya (já adulto e assumindo o papel de pai) e Senagaki Isaku (ainda criança). Animes como Koi wa Ameagari no You ni e Koikimo executam a ideia de uma forma melhor, mais realista e mais aceitável do meu ponto de vista.

A execução e a qualidade da produção de Ojou to Banken-kun deixaram muito a desejar. É quase bizarro! (por falta de palavra melhor) Tem cenas desnecessariamente longas (incluindo uma bem tensa com Tanuki Mikio), diálogos sem fundamento, pausas estranhas e traços malfeitos na animação. Não chega nem perto de Otonari no Tenshi-sama que teve adaptação do mesmo estúdio. 

Quando decidi assistir, eu esperava encontrar algo próximo a Inu × Boku SS, mas o anime passa longe. Para piorar o roteiro, os personagens não têm carisma. Então, além da história fraca, o anime tem uma animação ruim. Que experiência esperar de uma combinação assim?

Kimizero

Runa e Ryuuto de mãos dadas em cena com pôr do sol no anime Kimizero

Kimi Zero ou Keikenzumi na Kimi to, Keiken Zero na Ore ga, Otsukiai suru Hanashi 「経験済みなキミと、 経験ゼロなオレが、 お付き合いする話」 me passou a mesma impressão que Ikenaikyo antes de começar a maratona. A história parecia ter um viés impróprio, pelo menos para o que estou acostumada a ver. Se você tem a mesma preocupação que eu tive de ver uma nova versão de School Days, pode relaxar.

A primeira metade de Kimizero foi uma surpresa agradável pela forma como o roteiro desenvolve o relacionamento entre o introvertido Kashima Ryuuto e a popular Shirakawa Runa. Pelas diferenças de personalidades e experiências (ou falta delas), um aprende com o outro, o que leva a muitos momentos fofinhos. A entrada de Kurose Maria ameaça cortar o clima, mas gradualmente as coisas vão se resolvendo.

Na segunda metade, a história fica um pouco intensa, tomando um rumo que poderia ter sido evitado, já que não acrescenta muito. Deixando esse deslize de lado, os dois se desenvolvem juntos. Ryuuto ganha mais confiança e até tenta defender a Runa em alguns momentos, mesmo que se impor não seja seu forte. Já Runa mostra mais da sua personalidade brilhante, que vai além de um rostinho bonito. Também conhecemos suas inseguranças e seus desejos. 

Apesar do Ryuuto estar com a garota mais popular da escola, não vemos aquelas cenas clichês de outros meninos tentando atrapalhar o relacionamento, nem olhares invejosos das outras meninas pela popularidade da Runa. 

Tearmoon

Mia em sua versão criança estende a mão para sua versão adulta nos créditos do anime Tearmoon

E o último anime finalizado da temporada foi Tearmoon Teikoku Monogatari: Dantoudai kara Hajimaru, Hime no Tensei Gyakuten Story 「ティアムーン帝国物語~断頭台から始まる、姫の転生逆転ストーリー」 com a hilária fuga de Mia da guilhotina. O estilo de narração, o tom cômico e as intenções ocultas muitas vezes me lembravam de Kaguya-sama wa Kokurasetai

Sob o tema de viagem no tema, a principal mensagem de Tearmoon retrata a oportunidade de uma segunda chance para evitar os mesmos erros. E, a partir dela, uma reflexão que compara as duas timelines de Mia. Na primeira, ela está praticamente sozinha e sem condições de se defender. Na segunda, ela está cercada por amigos e pessoas que se importam com ela.

Tearmoon é engraçado e é especialmente divertido de acompanhar durante os primeiros episódios. Conforme a história avança, os monólogos da Mia e a preocupação com sua segurança (e nada mais) podem incomodar um pouco (me incomodou). Mas, ao mesmo tempo, eu entendo o comportamento da protagonista e também noto um jeito mais gentil de lidar com as pessoas ao seu redor.

Aliás, sua personalidade movida por motivações egoístas é uma das características que torna Tearmoon diferente de outros animes do mesmo gênero. Além disso, Mia não é uma reencarnação, como na maioria dos isekais, é ela mesma. O que muda é a linha do tempo. Por isso, a protagonista não se torna uma pessoa melhor e preocupada com o bem-estar do seu reino. Seu objetivo é sobreviver, mas aos poucos sua personalidade se torna mais gentil.

Parece que esta foi a temporada dos finais em aberto. O anime até deixa uma sensação de finalidade, com espaço para explorar mais — não apenas as circunstâncias que levaram Mia à guilhotina, mas também seu relacionamento com Abel. ❤

* * *

Se você chegou até aqui, esta foi a última seleção de animes de 2023, com as obras que acompanhei durante o mês de dezembro. Entre as produções da minha lista, Koikimo é minha maior recomendação. Além da animação, a trilha sonora é uma protagonista à parte para mim. Em relação aos animes da temporada, Ikenaikyo, Kimizero e Tearmoon são os que mais gostei, apesar de não terem marcado tanto quanto as novidades das temporadas de verão (Watashi no Shiawase na Kekkon e Higeki no Genkyou) ou da primavera (Yamada-kun to LV999 no Koi wo Suru, Kanojo ga Koushaku-Tei ni Itta Riyuu e Oshi no Ko).

Você viu a retrospectiva com os melhores animes de 2023? Confira o que mais chamou minha atenção no ano, quem sabe a recomendação que esperava não está ali. ˆ-ˆv

Deixe um comentário