
Em meio aos corredores de uma escola onde duas figuras idealizadas compartilham o título de “príncipe”, Uruwashi no Yoi no Tsuki (In the Clear Moonlit Dusk) presencia um amor que vai muito além das aparências. Takiguchi Yoi é dona de uma beleza andrógina e gestos naturalmente elegantes, o que lhe rendeu o apelido de 王子 entre as garotas. Ichimura Kohaku é o outro “príncipe” da escola. Sua postura “rebelde” passa longe de qualquer membro da realeza, mas o visual de cabelos brancos e olhos verdes faz jus à imagem.
Por trás da beleza e da popularidade, eles carregam inseguranças e o desejo de serem vistos como realmente são. Ao longo de seus 12 episódios, acompanhamos não apenas um clichê de opostos, mas uma relação sobre identidade e sobre como o olhar de outra pessoa pode mudar a forma como enxergamos a nós mesmos — tudo embalado pela fórmula de um shoujo clássico. Embarca comigo?
Ficha técnica: Uruwashi no Yoi no Tsuki
Anime: Uruwashi no Yoi no Tsuki 「うるわしの宵の月」
Gênero: Romance
Número de Episódios: 12
Estreia: 11 de janeiro de 2026
Estúdio: East Fish Studio, Atelier Peuplier
Adaptação: mangá de Yamamori Mika
Apesar de estar acostumada a ouvir os suspiros das garotas da escola por onde passa, Takiguchi Yoi se sente desconectada do próprio rótulo de “príncipe”. Sua rotina, guiada por um papel que a mantém emocionalmente distante, é abalada por Ichimura Kohaku. O outro “príncipe” é igualmente idolatrado, mas pouco preocupado em manter aparências e completamente imprevisível. Diferente de todos, ele é o primeiro a enxergar Yoi como garota, mostrando seu interesse de forma direta e desarmando todas as suas defesas.
Esse reconhecimento a desestabiliza e cria um vínculo difícil de ignorar, mesmo quando ela tenta se convencer de que não é nada sério. O que começa como uma curiosidade mútua evolui para um “namoro experimental”, onde Kohaku e Yoi precisam aprender a baixar a guarda e mostrar quem são por trás da fachada de príncipe.
Além dos estereótipos: a desconstrução dos príncipes
O que mais me cativou em Uruwashi no Yoi no Tsuki foi como o anime lida com a imagem pública versus a realidade interna. Yoi tem uma presença quase divina. Não importa o cabelo curto ou o jeito cool, ela transborda uma elegância que justifica o fascínio das colegas com gestos que facilmente derretem o coração: como carregar no colo uma garota que se machucou ou pegar um lenço que caiu no chão e devolvê-lo como o protagonista de um romance faria.
No entanto, estar em um pedestal pode ser mais solitário do que aparenta à primeira vista. Por trás da fachada perfeita, há apenas uma adolescente como qualquer outra: insegura, inexperiente e alheia ao seu lado feminino por ter se acostumado ao papel de “príncipe”.
Kohaku é o seu oposto. Embora dividam o mesmo título, as semelhanças ficam mais no nível das aparências. Enquanto ela é extremamente refinada em todas as suas interações, ele não mede palavras para agradar, nem não faz questão de manter a postura. Suas atitudes estão longe do que se espera de um príncipe. Kohaku é bem direto, inclusive ao mostrar interesse pela Yoi desde o início.
Assim como ela, ele também tem suas inseguranças e, no fundo, carrega uma certa frustração pela superficialidade das pessoas que se aproximam dele — seja pela aparência ou pelo status financeiro de sua família.
O charme está nos detalhes (e no ritmo)
Desde o início, o anime deixa claro seu maior trunfo: as interações entre seus protagonistas. Yoi é uma personagem que carrega o peso das expectativas alheias, enquanto Kohaku, apesar da aparência despreocupada, demonstra uma sinceridade emocional rara. A dinâmica entre os dois foge um pouco do ritmo arrastado de alguns romances. Enquanto ele tenta tirá-la de sua concha construída em torno da imagem de príncipe, ele descobre que há pessoas dispostas a enxergá-lo além da superfície da imagem de “bonito e rico”.
Entre caminhadas sob a chuva, conversas sinceras e uma confissão que não vem com floreios, o romance de Takiguchi Yoi e Ichimura Kohaku avança relativamente rápido. O “namoro experimental” se começa cedo e combina perfeitamente com o ritmo do anime, que também brinca com detalhes visuais de encantar os olhos, como as fotos deles mudando na abertura dos créditos finais ao som de “Azalea no Kaze (アザレアの風)” da banda UNISON SQUARE GARDEN. É um detalhe visual fofíssimo que mostra a evolução da intimidade do casal.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
O segundo e terceiro episódios aceleram o desenvolvimento com um “namoro experimental”, algo que dá um toque de novidade ao gênero shoujo. Sem enrolação! A confissão quase impulsiva de Kohaku, ao soltar sem mais nem menos que o que sente por ela está perto do amor, e a resposta surpreendente de Yoi, criam uma dinâmica envolvente.
Experimento: o início fora do convencional
Apesar do avanço rápido de status de desconhecidos a namorados, é importante manter em mente que os dois entram em um “namoro experimental”. Dar as mãos, abraçar ou trocar beijos podem ser gestos naturais em um romance tradicional que começa entre duas pessoas apaixonadas, mas não é o caso aqui.
Frequentemente, você vai ver mal-entendidos e hesitações (um recurso comum no shoujo) que passa a impressão de que os os personagens estão andando em círculos. Por mais frustrante que possa ser em alguns momentos, isso também reforça o realismo emocional: são dois adolescentes aprendendo a lidar com sentimentos pela primeira vez.
Para Yoi, é o primeiro amor, o primeiro garoto a vê-lo como garota. Para Kohaku, é a primeira vez que ele embarca em uma trilha que o leva em direção a se apaixonar de verdade. Até então, suas experiências não tinham qualquer apego ou vontade de criar vínculo.
Momentos que elevam a experiência
Embora Uruwashi no Yoi no Tsuki utilize alguns tropos conhecidos (como o triângulo amoroso que vem para dar força ao casal principal), o anime se sobressai ao discutir papéis de gênero. Yoi não quer deixar de ser quem é, ela apenas quer ser reconhecida em sua totalidade. A imagem elegante do príncipe faz parte dela, assim como seu lado feminino que vive inconscientemente escondido. Já Kohaku está cansado de atrair gente por sua aparência ou status financeiro, ele quer interações reais, alguém que goste dele pelo pacote completo.
Visualmente, o anime é lindo. Se você gostou de Yubisaki to Renren (A Sign of Affection), vai se sentir em casa aqui. As cores quentes e o uso de luzes criam uma atmosfera sonhadora, especialmente nos momentos mais emotivos, além das cenas noturnas e românticas.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
A cena do festival no episódio 7 é, visualmente, uma das mais lindas da temporada de animes de janeiro de 2026, com o reflexo das luzes e a confissão da Yoi. Tudo começa estranho, incerto e meio frio, daquele jeito quando o silêncio, a timidez e as inseguranças ditam as regras. Gradualmente, as cores ganham tons quentes e os dois ficam ainda mais próximos.
O namoro oficial começa na companhia de fogos de artifício e com o convite para uma viagem a dois para Kobe… que acaba incluindo os amigos na bagagem. Tadinho do Kohaku!
E no episódio Another Prince, o triângulo amoroso, daqueles que surgem apenas para acelerar o relacionamento do casal principal, ganha peso com a declaração de Takuto Oji. Que dor no coração vê-lo se declarar! Ele foi, tecnicamente, o primeiro a ver a Yoi como mulher, e sua dificuldade em interagir com garotas torna tudo mais melancólico. É aquele momento em que a gente queria que todos fossem felizes. *-*
Veredito: um shoujo clássico e visualmente encantador

Uruwashi no Yoi no Tsuki é aquele tipo de anime que entende suas raízes no shoujo e entrega um romance doce, às vezes frustrante, mas sempre envolvente pelo carisma de seus protagonistas. Apesar de alguns clichês e muitos mal-entendidos, a química entre Yoi e Kohaku sustenta o romance. O maior acerto está em como os dois conseguem ser vulneráveis um com o outro em um contexto onde sempre foram colocados em pedestais. A forma como eles aprendem a “tirar a máscara” perto um do outro faz cada minuto valer a pena.
Por que pode valer a pena dar uma chance?
- Dois príncipes: Kohaku e Yoi são protagonistas lindos, carismáticos e cheios de química, que, juntos, descobrem o amor além das aparências.
- Visual delicado: a estética do anime valoriza os momentos românticos e dá mais vida a cenas, como os encontros noturnos sob a luz do luar.
- Abordagem sensível: trata a descoberta do primeiro amor com um foco que gradualmente muda do olhar externo para o interno.
Apesar de algumas decisões de roteiro servirem apenas para gerar drama, In the Clear Moonlit Dusk é, para mim, um dos melhores romances da temporada. Para quem gosta de shoujo em sua forma mais clássica, Yoi e Kohaku compartilham diversos momentos para aquecer o coração, além de trazerem uma história sobre ser visto como você realmente é.
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