
Se você é fã de shoujo, sabe que nada supera o frio na barriga de um romance entre amigos de infância. Existe algo quase mágico: aquele sentimento que cresce em silêncio, cria memórias e resiste ao tempo. Em Douse Koishite Shimaunda (Anyway, I’m Falling in Love with You), essa nostalgia é o combustível de uma história repleta de lembranças que atravessam uma década, aquecem o coração, mas também machucam quando o presente não acompanha o que ficou no passado.. A segunda temporada chegou para testar os laços desse grupo inseparável e nos fazer questionar: o amor sobrevive às escolhas (às vezes erradas) que fazemos?
Dessa vez, a narrativa se apoia ainda mais no peso das lacunas deixadas pela passagem do tempo. A obra, inspirada no mangá de Mitsui Haruka, mantém a estética delicada e com a mesma paleta de cores claras que me conquistou na primeira temporada.
Diferente da primeira fase, que focava na descoberta do amor, aqui mergulhamos no amadurecimento dos personagens enquanto lidam com as repercussões da confissão de Kizuki e seu misterioso desaparecimento. Embarca comigo?
Ficha técnica: Douse Koishite Shimaunda 2
Anime: Douse Koishite Shimaunda 「どうせ、恋してしまうんだ。第2期」
Gênero: Drama e Romance
Número de Episódios: 12 (2ª Temporada)
Estreia: 8 de janeiro de 2026
Estúdio: Typhoon Graphics (Kanojo ga Koushaku-tei ni Itta Riyuu, Madougushi Dahliya wa Utsumukanai, Sengoku Night Blood, Douse, Koishite Shimaunda., Mizu Zokusei no Mahoutsukai)
Adaptação: mangá de Mitsui Haruka
Nishino Mizuho cresceu ao lado de quatro amigos inseparáveis: Kizuki, Shuugo, Shin e Airu. Quando Kizuki se declara para ela em seu aniversário de 17 anos, o amor começa a abalar o equilíbrio do grupo. Tudo parece ir bem até ele desaparecer da vida de todos sem dar notícias. Após três anos de um hiato doloroso, Kizuki retorna, mas o grupo não é mais o mesmo. Entre sentimentos mal resolvidos, uma proposta de casamento e conflitos internos no círculo de amizade, Mizuho precisa decidir se o passado ainda tem espaço no seu presente.
O peso do tempo e a vibe de Otome Game
A segunda temporada de Douse Koishite Shimaunda começa com força total e carregada de emoção, apostando forte nas memórias e no peso do tempo que passou desde que Kizuki se separou de Mizuho e dos amigos de infância. O primeiro episódio nos convida para um recap daquela cena icônica do vestiário, acompanhada por um reencontro digno de cinema em um festival noturno à beira-mar com fogos de artifício ao fundo.
A ambientação é romântica, poética e melancólica — com cenas que parecem criadas para ficar na cabeça por dias — como o flashback do Natal de 2020, com o beijo silencioso e o pedido de Kizuki para que Mizuho não fosse embora.
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A cena pós-créditos me deixou triste, com Mizuho correndo enquanto chorava. A reação dela é compreensível depois de passar três anos sem qualquer notícia do Kizuki, e nesse ponto, ainda não sabemos por que ele sumiu.
Esse primeiro episódio entrega exatamente o que a gente poderia esperar da continuação de Anyway, I’m Falling in Love with You: carga emocional abalada pelo peso do tempo, trilha sonora delicada e uma sensação de destino inevitável.
Depois de ter me apaixonado pela primeira temporada, eu estava ansiosa pela sequência. A história terminou com a inesperada despedida de Kizuki sem qualquer aviso prévio. A forma misteriosa como os diálogos eram conduzidos me fez pensar que algo grave tinha acontecido com ele. Felizmente, a estreia já responde parte das minhas dúvidas.
Relações fragmentadas pelo tempo
A narrativa segue um caminho curioso, como se cada amigo (exceto Airu) tivesse sua própria “rota” em um jogo de Otome Game onde Mizuki é a heroína. Os 12 episódios distribuem a atenção entre Shin e Shuugo, com um arco à parte para mostrar um pouco mais sobre o background de Airu.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
No episódio 2, o foco muda para Shin, que aproveita a fragilidade emocional de Mizuho para se declarar novamente. O choque real fica para a cena pós-créditos, quando Airu beija Kizuki de surpresa (ao menos eu não esperava). E depois disso, acompanhamos a busca de Airu por autoaceitação com a ajuda de Toya.
O desenvolvimento de Airu é um dos pontos mais fortes da segunda temporada de Douse Koishite Shimaunda. Seu arco traz reflexões sobre aceitação e autoconhecimento, conectando passado e presente de forma mais orgânica do que os outros núcleos.
Qual caminho o roteiro seguiu?
Enquanto Kizuki e Mizuho ficaram em uma espécie de vácuo, ela seguiu rotas alternativas com os outros amigos de infância.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Shuugo tentou arriscar uma declaração, mas preferiu manter a amizade ao perceber os sentimentos não ditos de Mizuho. Shin, que já tinha se declarado e até beijado Mizuho de surpresa na primeira temporada, tenta mais uma vez e até faz proposta de casamento no penúltimo episódio. Como a Mizuho nunca foi interesse romântico do Airu, a amizade dos dois não foi afetada. A decisão de Kizuki e Mizuho de retomar o relacionamento ou colocar um ponto final definitivo acontece apenas no episódio final.
Qual caminho deveria ter seguido na minha opinião?
Em vez de distribuir os 12 episódios como se fossem rotas românticas de um Otome Game, a história poderia ter priorizado o desenvolvimento emocional.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Na minha visão, a história ganharia um aprofundamento mais satisfatório se o foco fosse no retorno de Kizuki e suas motivações (o verdadeiro motivo da ausência não deve ter sido “apenas” a lesão, mas o impacto mental que isso teria na vida dos dois), na reconciliação com os amigos de infância e na reconstrução gradual do relacionamento com Mizuho.
A carga emocional seria mais completa se esse build up fosse conduzido ao longo dos 12 episódios e não apenas na reta final. Traria mais respaldo para as decisões dos personagens, mais credibilidade e mais impacto.
Entre memórias do passado e o presente
Um dos maiores desafios da sequência está na forma como a história alterna entre os flashbacks da adolescência e a vida adulta. Além de perder parte da leveza que marcou a primeira temporada e aquela sensação de descobertas do primeiro amor, a linha do tempo fragmentada e sem transições claras pode confundir e quebrar a imersão.
Sem falar nas decisões importantes — como o motivo do afastamento de Kizuki — que soam pouco convincentes pela forma como são retratadas no anime. A ausência de comunicação por anos, especialmente em um relacionamento tão intenso, afeta a empatia e a conexão emocional que a obra poderia ter provocado.
Quando Kizuki reaparece e afasta todos os pensamentos que eu tive sobre o paradeiro dele durante o intervalo entre uma temporada e outra, mas seu retorno pesa sobre a narrativa. O desaparecimento repentino deixa o clima pesado entre os amigos de infância. Também senti que faltou mais diálogo entre eles para retomar ou cortar a amizade de vez (e o mesmo vale para o romance). O roteiro demora a lidar com isso de forma satisfatória e, quando o faz, é rápido demais e sem o devido build up emocional.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Mizuho e Kizuki encontram a tão aguardada resolução para sentimentos não ditos apenas no episódio final, com uma cena que remete ao passado: ela pula na piscina para ficar ao lado dele. O impacto do anime teria sido maior se a dinâmica tivesse sido um pouco diferente. Apesar da demora, para mim, esse momento recupera a essência da primeira temporada e entrega um fechamento emocional satisfatório, mesmo que tardio. Não sei você, mas eu sou #TeamKizuki apesar de ainda me questionar sobre a forma como ele se afasta sem qualquer satisfação.
Estética visual de Anyway, I’m Falling in Love With You
A animação da segunda temporada de Douse Koishite Shimaunda continua sendo o ponto alto do anime, com uma paleta de cores suave, tons claros e brilhantes, muita luz, cenários que parecem ganhar vida e uma trilha sonora impecável.
Um detalhe que me encanta é o uso das silhuetas pontilhadas para personagens secundários, porque reflete mais ou menos a nossa forma de enxergar o mundo: foco nas pessoas que conhecemos e uma espécie de blur para o que está fora do nosso campo de visão.
A trilha sonora, especialmente a opening “L to R (LとR)” de ME:I e a ending “Hatsukoi (初恋)” de berry meet, mantém a atmosfera melancólica e doce que o universo de Anyway, I’m Falling in Love with You propõe.
Veredito: nostalgia em foco entre memórias e sentimentos não ditos

De certa forma, a segunda temporada de Douse Koishite Shimaunda entrega o que prometeu: uma conclusão para o coração de Mizuho. Gostar ou não da conclusão, possivelmente, vai depender do seu ponto de vista sobre cada personagem e potencial candidato a engatar em um romance com a protagonista.
Ainda tenho mixed feelings em relação à justificativa para o sumiço de três anos de Kizuki. À primeira vista, parece rasa demais para tanto sofrimento — a não ser que por trás da superfície haja camadas mais profundas que tiveram seu impacto diluído por escolhas narrativas.
O brilho da primeira fase estava na leveza do grupo, algo que só recuperamos de verdade (e brevemente) no episódio final. Apesar disso, a animação continua impecável, com uma direção de arte delicada e trilha sonora envolvente: elementos que sustentam a experiência mesmo quando o roteiro vacila.
Por que pode valer a pena dar uma chance?
- Visual deslumbrante: sou fã da paleta de cores delicada, da claridade que traz um toque de frescor e dos cenários que parecem vivos.
- Crescimento pessoal: apesar do foco fragmentado, o anime trata bem a transição para a vida adulta e as carreiras de cada um (Mizuho, Kizuki, Airu, Shuugo e Shin).
- {⚠️ ALERTA DE SPOILER!} Final “Full Circle”: ver a Mizuho transformando sua história em mangá (o próprio anime que assistimos!) foi um toque de mestre.
Apesar da linha do tempo confusa e do drama um tanto exagerado, é impossível não se emocionar com o salto final de Mizuho na piscina. É um lembrete de que, às vezes, para seguir em frente, precisamos mergulhar de cabeça no que sempre esteve lá. No fim, Anyway, I’m Falling in Love with You é uma história sobre crescer, errar e aceitar que alguns sentimentos nunca desaparecem completamente — apenas mudam de forma.
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