
O universo das celebridades nunca pareceu tão perigoso e magnético. Na terceira temporada de Oshi no Ko 「推しの子 第3期」, a fama continua sendo uma faca de dois gumes. Entre celebridades em ascensão, bastidores cruéis e fãs que ultrapassam limites, a continuação mergulha ainda mais fundo no lado sombrio da indústria do entretenimento. Aqui, mentiras são moeda de troca, relações são calculadas e o brilho dos holofotes esconde cicatrizes cada vez mais difíceis de ignorar.
Se antes o anime equilibrava crítica social e drama pessoal com certa leveza, agora a atmosfera pesa — e muito. A obra continua explorando temas como stalking, obsessão e a construção de personas públicas, mas com uma abordagem mais densa e, por vezes, desconfortável. O resultado é uma temporada intensa, visualmente deslumbrante, mas que pode afastar parte do público pela forma como conduz seus personagens. Embarca comigo?
Ficha técnica: Oshi no Ko 3
Anime: Oshi no Ko III 「推しの子 第3期」
Gênero: Mistério, Drama, Sobrenatural
Número de Episódios: 11 (3ª Temporada)
Estreia: 14 de janeiro de 2026
Estúdio: Doga Kobo (Oshi no Ko, Gekkan Shoujo Nozaki-kun, Kawaii dake ja Nai Shikimori-san, Tokidoki Bosotto Russia-go de Dereru Tonari no Alya-san, Tada-kun wa Koi wo Shinai, Myself; Yourself, Shiro Seijo to Kuro Bokushi)
Adaptação: mangá de Akasaka Aka (história) e Yokoyari Mengo (arte)
Seis meses após o lançamento de “POP IN 2”, o grupo B-Komachi se aproxima do tão esperado breakout. Com o desejo de vingança de lado, Aqua parece tentar viver uma normalidade provisória ao lado de Akane. Enquanto ela segue avançando com firmeza na carreira de atriz, Ruby assume um papel mais ativo e ambicioso no showbiz, disposta a mentir, manipular e vestir a máscara de personagens que não refletem quem ela realmente é para descobrir a verdade por trás das mortes de Ai e Gorou.
Espetáculo visual, roteiro amargo
É impossível falar de Oshi no Ko sem exaltar a qualidade técnica. O estúdio Doga Kobo continua entregando uma animação de elite, com direção refinada e cores vibrantes que contrastam com o tom cada vez mais pessimista da narrativa.
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A sequência do show em Hokkaido e a transição da abertura para o episódio são exemplos claros desse cuidado cinematográfico, que justificam todo o hype da espera de um ano e meio.
No entanto, a beleza visual parece tentar esconder um roteiro que, nesta temporada, toma rumos questionáveis. O tom segue em direção a um sombrio extremo, perdendo aquele equilíbrio sutil de crítica social e entretenimento das temporadas passadas.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
O episódio final, com duração estendida, parece dividir sua força entre dois clímax distintos: o passado de Ruby como Sarina e o relacionamento de Miyako e Ichigo quando criam a agência e decidem levar o B-Komachi de Ai ao Tokyo Dome. O resultado é uma conclusão com menos impacto e, mais uma vez, em aberto. Afinal, vem a quarta temporada aí!
Aqua e Ruby: a dualidade dos protagonistas
A inversão de papéis entre os irmãos é o maior protagonista da terceira temporada de Oshi no Ko. Se nas temporadas anteriores Aqua dominava o centro do palco, aqui Ruby ganha os holofotes (mas não da forma mais confortável). Ela deixa a imagem de “luz” para trás, movida pela frieza do desejo de vingança. Sua mudança de personalidade chama atenção: mais fria, calculista e assustadora em alguns momentos. Até mesmo as estrelas dos seus olhos mudam para um tom mais sombrio. Visualmente, é um detalhe incrível.
Ruby se torna uma personagem mais imprevisível, quase um reflexo distorcido de Aqua. A diferença está na dualidade dos irmãos Hoshino. Enquanto ele sempre foi transparente sobre sua manipulação, ela esconde tudo sob um sorriso.
Aqua continua sendo aquele personagem difícil de digerir: inteligente e talentoso, mas um manipulador egoísta que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Ninguém fica livre dessa teia de “vou usar tudo e todos a meu favor, pelo bem ou pelo mal”, nem mesmo Akane.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
O que falar sobre a escuta que ele implantou no chaveiro que deu para a Akane? Sem palavras… e o que vem depois é só ladeira abaixo. *-*
Personagens em conflito ou inconsistência?
Apesar da imersão fantástica que Oshi no Ko proporciona desde a primeira temporada em 2023 (sem espaço para qualquer queda na qualidade), os problemas na narrativa afetam os personagens. Algumas relações parecem forçadas em certos momentos, especialmente envolvendo Aqua, Kana e Akane.
A dinâmica entre ele e seus dois interesses românticos gera certo desconforto, especialmente pela forma como o roteiro parece favorecer Arima Kana. Acho que deu para perceber que sou a favor da Kurokawa Akane, né? #TeamAkane xD
Enquanto estão juntos, Aqua e Akane ganham profundidade. Há confiança (pelo menos de um dos lados), troca e desenvolvimento. Já com Kana, a conexão é irregular, como se a história insistisse em manter algo que não evolui naturalmente. Para mim, é como se fosse um relacionamento moldado apenas por uma necessidade do roteiro, o que enfraquece a consistência emocional. E agora até a Ruby entrou na jogada, mas prefiro não comentar por enquanto. Quem viu, já sabe.
Uma indústria cruel e cada vez mais exposta
Um dos pontos altos continua sendo a exposição dos bastidores do showbiz e sua crítica ao entretenimento. A terceira temporada de Oshi no Ko escancara o quanto esse universo pode ser tóxico, explorando desde relações parassociais até decisões por trás das câmeras que impactam profundamente quem está na linha de frente.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Um dos momentos mais marcantes acontece no episódio 3, quando um incidente envolvendo cosplay é exposto dentro de um programa fictício. O anime mostra como pequenas decisões de produção — como mudanças de figurino — podem afetar emocionalmente os envolvidos. O detalhe das bandagens nos dedos de Urushibara simboliza o esforço invisível por trás do glamour.
Esse tipo de abordagem reforça o quanto o anime se sobressai quando atua como crítica social. E há vários momentos para isso, como as dicas de Ichigo para que Ruby chegue ao topo ou até mesmo o escândalo envolvendo Kana.
Veredito: uma estrela que brilha, mas ofusca o sentido

Para mim, a terceira temporada de Oshi no Ko é uma experiência agridoce. Se você busca imersão nos bastidores da indústria do entretenimento e tensão constante, o anime entrega com maestria. A continuação é intensa, provocativa e tecnicamente impecável, mas também excessiva em seu tom e inconsistente em sua construção narrativa. Acerta ao aprofundar temas e elevar o drama, mas perde equilíbrio ao tornar tudo mais sombrio e menos orgânico. Ainda assim, é impossível ignorar seu impacto e relevância dentro do gênero.
Por que pode valer a pena dar uma chance?
- Qualidade da animação: a direção de arte e a trilha sonora (especialmente abertura e encerramento) continuam no topo da indústria.
- Imersão nos bastidores: o anime ainda é o melhor no que diz respeito a expor as engrenagens por trás da indústria do entretenimento.
- Personagens complexos: Aqua, Ruby, Akane, Arima, Mem-Cho são emocionalmente intensos e conseguem nos envolver facilmente em seus dilemas.
Mesmo com seus problemas, a terceira temporada de Oshi no Ko continua sendo uma obra que provoca discussão — e isso, por si só, já diz muito. A primeira ainda é a minha preferida entre as três, tanto pela história quanto pela trilha sonora. A animação se sobressai em todas. Se você já começou, vale continuar enquanto aguarda a chegada da quarta temporada já confirmada. Caso contrário, evite se apegar a personagens como eu me apeguei à Akane (sua experiência pode ser um pouco melhor).
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E você, o que achou da mudança de personalidade da Ruby nesta temporada? Acha que o Aqua está passando dos limites ou a vingança justifica tudo? ˆ-ˆv