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[Review] Champignon no Majo: um conto de fadas melancólico

Review do anime Champignon no Majo (Champignon Witch) com a personagem Luna na frente de sua casa na floresta em formato de cogumelo

No coração da Floresta Negra, onde o ar é mais denso e cogumelos venenosos brotam no chão a cada passo de uma bruxa solitária, nasce uma história que poderia ser como qualquer conto de fadas clássico. Porém, no universo de Champignon no Majo (Champignon Witch), o encanto da magia é tingido por uma névoa de melancolia. Em um reino governado por “Bruxas Brancas”, Luna, uma “Bruxa Negra”, tenta encontrar seu lugar enquanto observa a humanidade de longe, entregando cura para aqueles que a temem. 

Mais próxima de uma fábula sensível do que de uma fantasia tradicional, a obra inspirada no mangá de Higuchi Tachibana equilibra beleza e tristeza. Luna pode até ter o dom de envenenar o que toca, mas por trás da imagem de vilã se escondem suas verdadeiras ações: das sombras, ela purifica o mundo ao seu redor, cria remédios e zela pelo bem-estar de todos, enquanto vive em um isolamento que dói tanto quanto qualquer maldição. Embarca comigo?

Ficha técnica: Champignon no Majo

Anime: Champignon no Majo 「シャンピニオンの魔女」

Gênero: Drama, Fantasia e Romance

Número de Episódios: 12

Estreia: 8 de janeiro de 2026

Estúdio: Typhoon Graphics (Kanojo ga Koushaku-tei ni Itta Riyuu, Madougushi Dahliya wa Utsumukanai, Sengoku Night Blood, Douse, Koishite Shimaunda., Mizu Zokusei no Mahoutsukai), Qzil.la

Adaptação: mangá de Higuchi Tachibana 


Luna é uma bruxa solitária que vive isolada nas profundezas da Floresta Negra devido à sua condição: seu corpo produz veneno capaz de matar ao toque. Mesmo assim, frequentemente ela visita a cidade para vender remédios e comprar livros, ajudando pessoas que a temem sem sequer perceber suas boas ações. Em um reino dividido entre bruxas brancas e negras, Luna observa o mundo de longe — desejando, mais do que tudo, fazer parte dele.

Uma atmosfera de sonhos, desejos e melancolia

Quando a história de Champignon no Majo começa, a sensação é de abrir um livro de ilustrações antigo. Tanto a opening “Mahoutsukai no Nikki (魔法使いの日記)” de Rosu (ロス) quanto a ending “Kimi wa (君は)” de Ms.OOJA refletem aquele som mágico do universo encantado dos contos de fada da Disney. A trilha sonora é imersiva, sonhadora e levemente dramática — como um convite para assistir a uma peça bonita, mas de partir o coração. E isso não demora a acontecer por trás das cortinas do palco.

O anime brilha ao explorar como a magia pode ser usada para transmitir afeto sem o toque físico. Como amar quando o seu contato pode ser letal? Essa pergunta guia os primeiros episódios com delicadeza.

Luna é uma protagonista gentil e profundamente solitária. Ela ajuda todos, mas não pode se aproximar de ninguém. Isso transparece no simbolismo do seu corpo: criar cogumelos venenosos para limpar as toxinas da cidade é uma metáfora poderosa sobre o sacrifício silencioso. 

Essa dualidade é bem explorada conforme cada capítulo desse livro avança. O tom contemplativo de Champignon no Majo e a forma como constrói seu universo criam uma atmosfera etérea onde cada encontro carrega um peso emocional silencioso. A chegada de Lize ao final do arco com Henri expande a história, mas também mexe com o núcleo central.

O ritmo da magia e a chegada de Lize

A partir do terceiro episódio, o mundo se expande. Esse worldbuilding é rico e intrigante: entendemos melhor as estruturas de poder entre as bruxas, conhecemos outros personagens desse universo mágico e também aprendemos um pouco mais sobre a ameaça de um ser que pode levar ao fim de todas as coisas.

Com a entrada de Lize, o anime adota um ritmo mais lento e passa a focar intensamente na relação entre Luna e o novo co-protagonista. Embora a dinâmica de mentora e aprendiz seja interessante, ainda mais com o complexo desafio que os dois recebem em suas mãos, os episódios começam a ficar repetitivos. 

Entre conflitos políticos de bruxas brancas e negras, interferências constantes de Claude e os sentimentos conflitantes de Lize (com alguns excessos de drama), o protagonismo de Luna fica em segundo plano. Mesmo que a narrativa slow burn permita uma conexão mais profunda com o mundo de Champignon no Majo, a história também passa a impressão de ter estagnado em um certo ponto. O que permanece do início ao fim é a construção visual de seu universo mágico, lembrando contos clássicos com um toque melancólico moderno.

Veredito: uma fábula bela e imperfeita que floresce devagar

Review do anime Champignon no Majo (Champignon Witch) com os personagens Luna e Lize dormindo na grama

Champignon no Majo é uma experiência sensorial, emocional e única, ainda que irregular em seu desenvolvimento. A história começa com uma capa atraente, se perde um pouco no meio de suas páginas, mas ainda entrega momentos memoráveis graças à sua protagonista gentil e dona de um bom coração.

Por que pode valer a pena dar uma chance?

  • Estética única: atmosfera de conto de fadas com trilha sonora imersiva.
  • Universo mágico: classificações de bruxas, maldições e todo o simbolismo por trás das intenções dos personagens fogem de qualquer clichê.
  • Protagonista inspiradora: Luna é um exemplo de bondade em um mundo que lhe dá todos os motivos para ser amarga.

Champignon no Majo é como um cogumelo raro: nem todos vão apreciar seu sabor, mas para quem se conecta, tem todos os elementos para se tornar uma experiência difícil de esquecer. É um anime para ser assistido com calma, apreciando a trilha sonora e a construção gradual de mundo. Apesar do tom melancólico, a história termina com uma mensagem de esperança: mesmo diante de destinos pesados, não estamos sozinhos.


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