
Criar um bebê nunca vem com manual de instruções, muito menos quando isso acontece de forma inesperada. É como ser lançado ao espaço sideral sem treinamento: o frio na barriga é garantido e a falta de gravidade bagunça tudo o que você achava que sabia. Em Our Universe (우주를 줄게), dois adultos de galáxias completamente diferentes são obrigados a aprender, da noite para o dia, a dividir responsabilidades, fraldas, noites sem dormir e até o mesmo teto após uma colisão do destino. A convivência forçada leva a momentos fofos, situações caóticas e complicações do coração.
Ao decolar na grade da tvN entre 4 de fevereiro e 12 de março de 2026, o K-Drama se propôs a apresentar o universo de uma família construída nas circunstâncias mais improváveis. Bae In Hyuk assume o posto do fotógrafo Sun Tae Hyeong, enquanto Roh Jeong Eui vive Woo Hyun Jin. Os dois se veem lançados na missão de cuidar do pequeno Woo Ju, o sobrinho que se torna o centro gravitacional de suas vidas após uma tragédia familiar.
O que começa como uma jornada sobre os desafios da coparentalidade acaba sendo atraído por um imenso buraco negro: um triângulo amoroso que insiste em controlar a nave ao longo da rota. Embarca comigo?
Ficha técnica de Our Universe
Série: Our Universe (우주를 줄게)
Gênero: Comédia, Romance, Drama e Família
Número de Episódios: 12
Estreia: 4 de fevereiro de 2026
Direção: Lee Hyun Seok
Roteiro: Su Jin, Jeon Yu Ri
Elenco principal: Bae In Hyuk (Sun Tae Hyeong), Roh Jeong Eui (Woo Hyun Jin), Park Seo Ham (Park Yoon Seong), Park Yoo Ho (Sun Woo Joo) e a lista completa
Sun Tae Hyeong (Bae In Hyuk) é um assistente de fotografia que valoriza sua liberdade e prefere manter o controle do próprio espaço. Woo Hyun Jin (Roh Jeong Eui) busca estabilidade e sonha com uma vida comum. Os dois são cunhados, mas têm uma relação turbulenta, que fica ainda mais complicada quando assumem a responsabilidade de criar o pequeno Woo Joo (seu nome significa “universo” em coreano). Ele, um bebê de apenas 20 meses, é o único sobrevivente de um acidente que tira a vida de seus pais — o irmão de Tae Hyeong e a irmã de Hyun Jin.
Sem outra opção, os co-pais de primeira viagem começam a morar juntos para criar o sobrinho. Entre trocas de fraldas, noites mal dormidas e diferenças de personalidade, essa convivência inesperada transforma a relação cheia de provocações em laços familiares, enquanto ambos aprendem a lidar com o luto e com sentimentos que surgem no meio do caminho.
Uma missão de coparentalidade que se perde no vácuo de um triângulo
Embora o plano de voo inicial fosse sólido — dois adultos aprendendo a dividir a órbita da coparentalidade — o K-Drama nem sempre consegue manter o foco em sua rota. Nos primeiros episódios, o centro gravitacional absoluto da história é o pequeno Woo Joo. Ele é aquele tipo de “estrela” que rouba completamente a cena. Certamente foi o motivo de muitas dorameiras, inclusive eu, de dar o play em Our Universe.
As turbulências domésticas e as situações caóticas de quem precisa cuidar de um bebê de 20 meses são retratadas com um toque de humor e muita fofura (um pouco de arte também como aquela mão cheia de molho de tomate, né? xD).
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Em um único episódio, o bebê foi de super fofo a um dos mais arteiros que eu já vi. Foi tão engraçado e me fez admirar ainda mais os pais, porque criar uma criança, trabalhar todos os dias e ainda cuidar da própria vida não é missão para qualquer um.
A série propõe usar essa rotina para curar feridas abertas dos protagonistas, criando um sistema solar onde o afeto pelo pequeno Woo Joo deveria ser a força principal.
Expansão em direções opostas: romance e cura
Conforme o universo do trio se expande, a rota planejada desvia da órbita original. O que deveria ser uma exploração profunda dos laços familiares e da superação do luto começa a sofrer interferências externas. A coparentalidade acaba ofuscada por um triângulo amoroso onde o maior protagonismo (e tempo de tela) parece ser capturado pela gravidade do second lead, Park Yoon Seong (interpretado por Park Seo Ham).
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Com o passar da história, a narrativa passa a dedicar grande parte do combustível a um triângulo amoroso envolvendo Hyun Jin e seu primeiro amor, agora colega de trabalho e supervisor, Park Yoon Seong. O problema não é a existência desse “buraco negro” sentimental, um elemento clássico em K-Dramas, mas sim o fato de ele ocupar um espaço vital. A dinâmica de criação do Woo Ju e o desenvolvimento do casal principal acabam ficando em segundo plano, como se estivessem em uma cabine de descompressão aguardando a sua vez.
Hyun Jin parece esquecer as responsabilidades com Woo Ju sempre que está em cena com seu “sunbae”, deixando quase todo o trabalho pesado para Tae Hyeong.
Além disso, a subtrama do pai dele, que retorna apenas para tentar colocar as mãos no dinheiro do seguro do irmão de Tae Hyeong, é um clichê que não acrescenta a profundidade que a série merecia.
Essa mudança brusca de trajetória deixa a sensação de que a série prometeu uma jornada sobre uma família improvisada, mas acabou se perdendo no vácuo de um romance que não precisava de tanto foco.
Mesmo com essas inconsistências, Tae Hyeong se torna um dos personagens mais interessantes da história. Seu arco emocional, marcado por traumas familiares e pela relação complicada com o irmão, ganha novas camadas quando ele passa a cuidar do sobrinho.
O verdadeiro comandante da missão: Woo Ju
Vamos ser honestos: se você decidir dar o play em Our Universe, será pelo bebê. Woo Ju é o centro gravitacional, é quem nos mantém em órbita, roubando absolutamente todas as cenas — seja em momentos de doçura estelar ou em situações caóticas que fariam qualquer astronauta experiente pedir socorro à base.
O K-Drama consegue capturar bem o impacto de um “corpo estranho” (uma criança pequena) na rotina de adultos que viviam em suas próprias galáxias isoladas. Há um realismo bem dosado em mostrar que equilibrar carreira e a criação de um bebê não é apenas um desafio, mas uma verdadeira caminhada espacial sem corda de segurança.
O impulso que faltava para a evolução de Tae Hyeong
Logo atrás do carisma de Woo Ju, temos o arco de Sun Tae Hyeong, que talvez seja o segundo motivo para explorar esse universo. Ele começa a missão como um planeta frio e distante, querendo o máximo de anos-luz de distância da criança, mas termina completamente rendido.
É a parte mais gratificante do roteiro. Bae In Hyuk entrega uma atuação consistente, dando vida a um homem que usa o sarcasmo como um escudo térmico para esconder traumas profundos de abandono. Ver Tae Hyeong encontrar na paternidade acidental a peça que faltava para consertar seus próprios propulsores internos traz a humanidade que o roteiro às vezes perde em outros núcleos.
Aterrissagem: o mapa estelar de Our Universe

Nem toda viagem espacial ocorre sem turbulências, e em Our Universe, a interferência na frequência do coração é o que mais ameaça o equilíbrio da nave. Se por um lado a dinâmica de família improvisada aquece o peito, por outro, o romance parece sofrer com a falta de gravidade. A química entre os protagonistas oscila bastante e o desfecho parece um pouso de emergência: apressado e um pouco fora das coordenadas.
O roteiro acabou dando combustível demais para o second lead Yoon Seong, deixando o par principal com menos tempo de órbita do que o esperado. Além disso, a escrita da protagonista Hyun Jin pode testar o limite do seu oxigênio. Em vários momentos, suas decisões são egoístas ou confusas, o que dificulta a nossa torcida por sua jornada individual.
Uma constelação de apoio
Apesar das falhas de navegação na narrativa, o K-Drama acerta em cheio ao nos mostrar que ninguém sobrevive ao vácuo sozinho. O provérbio africano citado no episódio final — “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” — nunca fez tanto sentido. Os vizinhos e amigos se transformam em uma verdadeira constelação de apoio, provando que a responsabilidade sobre o pequeno Woo Ju é um esforço coletivo.
O encerramento, com a comemoração do aniversário de dois anos do pequeno, é o momento em que a série finalmente encontra sua paz. Entre cenas de bastidores que mostram a fofura real por trás das câmeras, Our Universe se despede com uma fala do próprio Woo Ju: “Obrigado por amarem o nosso Universo durante todo esse tempo”.
Veredito final: Our Universe é uma viagem que vale a pena se o seu objetivo for observar a estrela principal (o bebê) e a evolução de Sun Tae Hyeong. Se você busca um romance bem construído ou um foco maior nos pais de primeira viagem, talvez sinta que a história se perdeu em um buraco negro. É um K-Drama morno, mas que entrega uma mensagem bonita sobre o verdadeiro significado da família.
Se você já assistiu, me conta: também sentiu que o triângulo amoroso roubou o oxigênio da trama ou conseguiu ignorar as turbulências pelo bem do pequeno Woo Ju? ˆ-ˆv