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Dragon Pony [RUN RUN RUN]: grito rock sobre seguir o próprio caminho

Review do álbum RUN RUN RUN da banda Dragon Pony: cena do MV da title track "Oh Perfect!" com An Taegyu, Ko Ganghun, Kwon Sehyuk e Pyun Sunghyun em cima de uma faixa de segurança

Se a juventude tivesse um som oficial em 2026, certamente ecoaria através das guitarras do Dragon Pony (드래곤포니). Após explorarem os primeiros passos da jornada com POP UP, Not Out e o mais recente single “Radio Silence”, An Taegyu, Ko Ganghun, Kwon Sehyuk e Pyun Sunghyun abrem um novo capítulo de sua discografia com o álbum RUN RUN RUN. Lançado nesta terça-feira, 10 de março, o EP chega como um manifesto de movimento e reforça aquilo que já se tornou uma das principais marcas da banda: um rock direto, autoral e profundamente conectado às inquietações de quando se é jovem.

O disco vem com uma energia revigorada, impulsionada pelo fato de que a maioria dos membros nasceu no “Ano do Cavalo”, o que parece ter injetado uma dose extra de vigor nas composições. Mais uma vez, todos participam da composição, das letras e dos arranjos (inclusive com novos instrumentos, como o cello de Sehyuk), reforçando a identidade do Dragon Pony como uma self-producing band dentro da cena do K-Rock.

Diferente dos projetos anteriores, que resgatam músicas dos tempos de trainee, RUN RUN RUN é composto inteiramente por material inédito, refletindo emoções ainda mais autênticas e as pressões sentidas pelo grupo logo após o debut. Cada uma das cinco faixas cumpre um papel específico em uma narrativa sobre escolhas, liberdade e crescimento pessoal — trazendo o toque instintivo de seguir em frente com determinação mesmo sem ter todas as respostas. Embarca comigo?

“Oh Perfect!”: o grito da liberdade em notas de rock

A title track “Oh Perfect! (아 마음대로 다 된다!)” soa como um manifesto juvenil que rejeita os padrões impostos pela sociedade. A música abre com riffs de guitarra ágeis e fluidos que ditam o ritmo frenético da música e transmitem uma sensação constante de movimento — quase como se estivesse correndo junto com o próprio título do EP. 

A faixa embala em um rock vibrante, que aplica uma instrumentação cheia de camadas para criar uma sonoridade densa, mas extremamente convidativa. Não é difícil imaginar essa música ganhando ainda mais força ao vivo, especialmente com as performances intensas da banda.

A letra questiona expectativas externas e reforça a ideia de viver de acordo com a própria vontade. O pré-refrão resume bem essa tensão: “Why can’t I do what I want? / Can’t I live what I want? / Can’t I live what I want? — até finalizar com a afirmação otimista de que qualquer coisa é possível

O refrão funciona como uma resposta direta ao manifesto: uma promessa de que, apesar das incertezas, nós podemos ter a liberdade de viver de uma forma mais autêntica e fora dos padrões. “Go get it now and just forget it now / Clear it all away (Ah, anything is possible!)”.

O MV complementa essa narrativa de libertação ao mostrar os membros quebrando ciclos de vigilância e repetição. É o tipo de música que “te empurra para frente”, ideal para aqueles dias em que precisamos de um empurrão extra de confiança. Não à toa, foi a escolha unânime entre os membros da Dragon Pony para ser a title desta nova era.

B-sides: pequenas histórias dentro da mesma trilha 

A abertura de RUN RUN RUN com “Palm Lines (손금)” estabelece um clima nostálgico e melancólico, que me lembrou muito da trilha sonora de J-Dramas clássicos como Taiyou no Uta. É uma música contida que cresce gradualmente, comparando a passagem do tempo às linhas das nossas mãos. 

Depois dela, vem a faixa-título, seguida por “Zombie”, que rapidamente se tornou uma das favoritas do álbum. É o rock clássico, com uma batida viciante, fervorosa e direta. Seu tom combina com aquele momento do dia, em que o cansaço se transforma em energia para seguir em frente, ou da noite, como uma forma de relaxar após a exaustão de passar horas trabalhando ou estudando. Os membros prometem uma experiência divertida para quem tiver a oportunidade de ouvi-los ao vivo.

A jornada de RUN RUN RUN continua com “Rehearsal (리허설)”. A b-side soa como um aquecimento antes das luzes se acenderem, simbolizando a luta diária de quem se esforça sem ver mudanças imediatas, mas decide encarar o palco mesmo assim. 

O álbum encerra com a delicada “Hidden (숨긴 마음)”, onde a banda experimenta novos instrumentos. Um destaque especial vai para Kwon Sehyuk, que incorporou o som do violoncelo à produção, trazendo uma camada mágica e uma melodia que parece sussurrada ao ouvido, transformando a faixa em um lullaby.

Em RUN RUN RUN, Dragon Pony consegue refinar sua própria identidade musical. Mais do que um conjunto de músicas, o álbum assume a forma de um retrato sincero de uma geração que ainda está descobrindo qual caminho seguir — mas que, mesmo assim, continua correndo. É honesto, cheio de personalidade e reflete a fase atual da banda, bem como sua visão sobre crescer em meio a dúvidas e expectativas.


BandaDragon Pony (An Taegyu, Ko Ganghun, Kwon Sehyuk e Pyun Sunghyun)
ÁlbumRUN RUN RUN
Title track“Oh Perfect!”
Destaque“Zombie”
Lançamento10 de março de 2026
LabelAntenna

Depois de ouvir o álbum do Dragon Pony, me conta: qual faixa você colocaria no repeat? 🎧 

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