
Após mais de três anos de um silêncio quase ensurdecedor como grupo — quebrado apenas por solos estrondosos, turnê mundial recente (sem passagem pelo Brasil) e a apresentação de “Jump (뛰어)” como pré-release na DEADLINE World Tour em 2025 — BLACKPINK (블랙핑크) finalmente entregou DEADLINE. O terceiro mini-álbum de Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé chega nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, em um cenário onde o K-pop já não é o mesmo de 2022 — ano que marcou o último comeback das meninas com BORN PINK.
A expectativa, naturalmente, era de um um novo capítulo à altura do peso global que a marca BLACKPINK carrega. Enquanto novos nomes como aespa (에스파) e NMIXX (엔믹스) redefiniram o experimentalismo, o grupo parece ter encontrado mais conforto em suas identidades individuais do que na unidade que as consagrou.
Com cinco faixas e pouco mais de 14 minutos de duração, DEADLINE aposta em uma sonoridade anthemic, moldada para palcos gigantes e festivais a céu aberto. O convite é claro: hinos de união, energia explosiva e refrões pensados para serem gritados por multidões. No entanto, o que deveria ser um retorno triunfante soa, em muitos momentos, como uma curadoria que ficou na prateleira por tempo demais, resultando em um projeto que oscila entre a grandiosidade da produção e um vazio emocional. Embarca comigo?
“GO”: a ambição de um novo hino global
A title track “GO” é o cartão de visitas desse novo álbum. Com créditos de composição que incluem Rosé ao lado de Chris Martin (Coldplay e do hitmaker Cirkut, além da participação de todas as integrantes na letra, a faixa carrega um simbolismo importante: é a primeira vez que as quatro assinam juntas a escrita de um single.
A produção é robusta, com synths pulsantes e um refrão conduzido por chant (“Blackpink’ll make ya… GO”), claramente pensado na experiência de estádio. Sabe aquele momento de expectativa pouco antes do grupo subir no palco, quando todos começam a chamar por ele? A música parece ter sido feita para ele. E cumpre o propósito de uma performance ao vivo, mas deixa um gosto agridoce quando o play toca apenas nos fones.
O problema de “GO” — e de sua antecessora “JUMP” — é a dependência excessiva de instrumentais pesados, o que acaba ofuscando a potência vocal. Parece que as vozes foram usadas como texturas rítmicas. Essa combinação torna a experiência sonicamente cheia, mas artisticamente rasa. Apenas em um ou outro momento conseguimos perceber a presença delas com força, como no tom adocicado de Lisa no primeiro verso, nos raps de Jennie e Lisa no segundo verso e na bridge melancólica de Rosé.
O MV, com estética futurista e elementos visuais grandiosos, amplia essa sensação de excesso. Em meio a tantos efeitos e takes individuais, a presença coletiva — em coreografias ou cenas em grupo — aparece em segundo plano, em contraste com a mensagem de unidade que a música quer transmitir.
B-sides: entre o potencial e a desconexão
“Jump (뛰어)”, lançada previamente em julho do ano passado, continua sendo a faixa mais memorável de DEADLINE (ainda que não seja a minha favorita) pela mistura musical inesperada. Com pegada hardstyle e EDM acelerada, ela abraça tendências mais techno e aponta para uma atualização do som que a YG popularizou na década passada. É também a única na tracklist com um ou outro trecho em coreano, em um álbum dominado por letras em inglês.
Enquanto DEADLINE tenta buscar uma identidade para elevar o potencial do BLACKPINK, acaba expondo as costuras da produção. “Me and My”, com forte influência de hip-hop retrô e metais refinados, soa quase como uma música solo da Lisa. A voz dela se sobressai aqui em relação às outras. É uma faixa divertida, mas que pouco adiciona à discografia das meninas.
Em uma linha sonora similar a “GO”, “Champion” carrega uma mensagem inspiradora e conta com a participação de EJAE, que ganhou reconhecimento mundial com “Golden” da trilha sonora de K-Pop Demon Hunters.
A grande surpresa do álbum DEADLINE é “Fxxxboy”. Mais contida, a b-side finalmente nos permite ouvir as vozes de Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé: os vocais delicados de Jisoo, os raps equilibrados de Jennie e Lisa no segundo verso e a entrega melancólica de Rosé brilham.
A melodia acústica é envolvente (lembra a vibe de “STAY”, que mesmo sendo de 2016 ainda é uma das que mais toca na minha playlist), digna de um MTV Unplugged. E há uma vulnerabilidade que contrasta com a grandiosidade das demais músicas.
Musicalmente, o álbum é cheio. Emocionalmente, porém, nem sempre conecta. É como se a energia estivesse direcionada ao impacto externo, mas não necessariamente à construção de intimidade com o ouvinte.
Um retorno que aponta para qual direção?
DEADLINE marca o primeiro comeback do BLACKPINK como grupo após um dos hiatos mais longos de sua carreira. Há uma clara intenção de consolidar Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé como uma potência global de arena — seja pela predominância do inglês, pela estrutura de hinos ou pela estética grandiosa.
Não é um álbum vazio em termos de produção, longe disso. É atual, ligado a tendências e estrategicamente bem posicionado. Mas, para quem acompanhou a trajetória das meninas desde o início, talvez falte aquela centelha emocional que fez do grupo um fenômeno incontestável — mesmo com uma discografia relativamente enxuta. Talvez DEADLINE funcione melhor ao vivo, onde sua energia expansiva encontre o público certo para completá-la.
Em uma fase em que cada integrante vem demonstrando força criativa e identidade própria em seus lançamentos individuais, o reencontro do quarteto ainda parece buscar um equilíbrio entre estratégia global e conexão emocional.
Entre batidas intensas e sintetizadores grandiosos, fica a pergunta que ecoa depois da última faixa: qual será o próximo passo do BLACKPINK?
| Grupo | BLACKPINK (Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé) |
| Álbum | DEADLINE |
| Title track | “GO” |
| Destaque | “Fxxxboy” |
| Lançamento | 27 de fevereiro de 2026 |
| Label | YG Entertainment |
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