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IVE expande conceito de self-love com REVIVE+ e solos ecléticos

Review do álbum REVIVE+ do IVE: cena do MV da title track BLACKHOLE com as seis integrantes no topo da Lotte World Tower, em Seul

[Atualizado em 24 de fevereiro] Desde o debut, IVE (아이브) se ancorou em uma identidade inabalável de self-love. Com o lançamento de REVIVE+, nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, Gaeul, Leeseo, Liz, Rei, Wonyoung e Yujin parecem prontas para ampliar o universo que criaram em 2021. O segundo full album chega três anos após o icônico I’ve IVE, que apresentou uma das melhores músicas da discografia do grupo até agora (“I AM”), para marcar uma virada simbólica.

Se antes o discurso era centrado no “eu” e na autoconfiança individual, agora elas ampliam a narrativa para um “nós” mais vibrante — unindo o amadurecimento da fase adulta às experiências acumuladas ao longo do caminho. Com 12 faixas, incluindo seis solos, REVIVE+ convida o público a explorar diferentes estilos: do dance, DnB e hip-hop dos anos 2000 a referências ao western swing. Embarca comigo?

Double title tracks: a expansão do universo de IVE

A escolha de uma duplas de title tracks para REVIVE+ revela as duas faces dessa nova era que o grupo quer apresentar. Juntas, elas cumprem papéis complementares. 

O magnetismo de “BLACKHOLE”

“BLACKHOLE” é a assinatura clássica do IVE, mas com uma carga mais dramática e cinematográfica. A faixa demora alguns segundos para realmente “puxar” o ouvinte — como um buraco negro que exerce atração gradual — mas quando atinge o ápice, especialmente no último refrão, se impõe com força. O trabalho de synths é um dos grandes trunfos, sustentando a intensidade do pop eletrônico mesmo nos momentos menos grandiosos. 

Visualmente, o grupo também eleva o padrão. O MV impressiona pela escala e pelos cenários grandiosos, incluindo locações como a Lotte World Tower, reforçando a sensação de altura e poder que a faixa transmite.

Talvez falte um gancho melódico mais evidente isoladamente, mas como experiência completa — som, conceito visual e a performance no vídeo — é memorável. É uma música intensa, performática e que cresce a cada audição, especialmente pelo clímax vocal.

A agressividade de “BANG BANG”

“BANG BANG”, lançada como pré-release em 9 de fevereiro, traz uma energia completamente oposta. Com um fundo que remete ao Western swing (pense em duelos de faroeste modernos), a música não faz rodeios: é explosiva, agressiva e direta. Com o tempo, pode se tornar até bem divertida no meio da playlist.

A letra, que conta com a participação de Wonyoung, aborda os rumores constantes na vida de um idol com um desdém elegante, quase provocação, no tom da música. O refrão repetitivo é um chiclete quase instantâneo e é tão insistente que gruda na mente mesmo contra a vontade.

B-sides: versatilidade no ponto certo

Enquanto as titles se complementam como lados opostos de uma mesma face, as b-sides embarcam em diferentes gêneros dentro do universo criado pelo álbum. Entre elas, duas se sobressaem. “Hush (숨바꼭질)” desponta como um dos grandes destaques de REVIVE+. Há algo magnético na construção da faixa: elegante, envolvente e com aquele tipo de refrão que cresce a cada replay

Ao lado dela, minha recomendação também vai para “HOT COFFEE”, uma faixa upbeat e cheia de vibe que é impossível ouvir sem querer marcar o ritmo com os pés. Seu tom alto astral combina com playlists mais descontraídas.

O disco ainda se permite brincar com a nostalgia e a estética mais lúdica. “Stuck In Your Head (악성코드)” tem uma estrutura que lembra rimas infantis, sendo propositalmente fofa e travessa. “Fireworks” é o momento de “respiro feliz” do álbum. É o tipo de música que eleva o espírito e pede por um vídeo caseiro com as meninas se divertindo, sem preocupações. Enquanto “BANG BANG” e “BLACKHOLE” refletem força, as b-sides mostram alcance.

Solos: o momento de cada uma

Um dos maiores trunfos de REVIVE+ é a inclusão das faixas solo, apresentadas inicialmente na turnê IVE The 2nd World Tour <Show What I Am>. Essa é uma tendência cada vez mais comum entre os lançamentos de K-Pop de girl groups e boy groups e, de certa forma, acabam funcionando como uma extensão natural para destacar as habilidades individuais sem perder o foco no coletivo. E isso tem tudo a ver com o novo conceito que o álbum quer passar.

Gaeul rouba a cena com “Odd”, que ostenta um instrumental mágico e etéreo, provavelmente o solo artisticamente mais marcante do conjunto. “8” da Wonyoung destila atitude e deve crescer ainda mais ao vivo em cima do palco. Leeseo exala personalidade em “Super Icy”, enquanto Yujin parece se inclinar para uma vibração mais ocidental com “Force”. Rei mergulha em uma melodia de ritmo acelerado em “In Your Heart”. Liz aposta em uma faixa mais genérica com “Unreal”, mas traz uma apelo que combina com esse tipo de som. 

REVIVE+ é um álbum que expande o universo do grupo sem perder de vista a identidade sonora que colocou o IVE no topo. Com referências a Kill Bill no conceito visual, as meninas demonstram maturidade, ampliam sua mensagem de autoconfiança para algo mais coletivo e investem pesado em performance. Há riscos, há experimentação — e há acertos que brilham ainda mais por isso.  Se o objetivo era mostrar que elas”renasceram” para uma nova fase mais coletiva e artística, a missão foi cumprida com maestria.


GrupoIVE (Gaeul, Leeseo, Liz, Rei, Wonyoung e Yujin)
ÁlbumREVIVE+
Title track“BLACKHOLE”
Destaques“Hush (숨바꼭질)” e “HOT COFFEE”
Lançamento23 de fevereiro de 2026
LabelStarship Entertainment

Qual das faixas mais marcou o comeback do IVE na sua playlist? Me conta aqui nos comentários se você é do time “BLACKHOLE” ou “BANG BANG”! 🎧 

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