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[Review] To My Beloved Thief: uma médica, um príncipe e uma lenda

Review do K-Drama To My Beloved Thief: personagens Nam Ji Hyun (Hong Eun Jo) e Moon Sang Min (Lee Yeol) olhando um para o outro com afeto

Se você é fã de um sageuk (drama histórico) com uma protagonista ousada, um príncipe investigador (e charmoso) e uma dinâmica de almas trocadas que adiciona certo frescor a uma fórmula já conhecida dos fãs de K-Dramas, To My Beloved Thief (은애하는 도적님아) é um nome para incluir no seu radar. Ambientado na era Joseon, o rom-com nos apresenta uma personagem que desafia as normas sociais de dia como médica e de noite como uma ladra justiceira, criando um universo onde o dever e o desejo colidem de forma divertida e cheia de reviravoltas mágicas.

Exibida pela emissora KBS2, a série coreana estreou em 3 de janeiro de 2026, com 16 episódios dirigidos por Ham Young Geol e roteiro de Lee Sun. No elenco principal estão Nam Ji Hyun e Moon Sang Min, que assumem o desafio duplo de interpretar seus personagens — e, eventualmente, um ao outro. Embarca comigo?

Ficha técnica de To My Beloved Thief

Série: To My Beloved Thief (은애하는 도적님아)

Gênero: Histórico, Romance e Comédia

Número de Episódios: 16

Estreia: 3 de janeiro de 2026

Direção: Ham Young Geol

Roteiro: Lee Sun

Elenco principal: Moon Sang Min (Lee Yeol), Nam Ji Hyun (Hong Eun Jo), Hong Min Gi (Im Jae Yi), Han So Eun (Shin Hae Rim) e a lista completa


Hong Eun Jo (Nam Ji Hyun) é uma jovem de origem humilde, filha de um nobre com uma mulher da classe mais baixa, que sobrevive como médica no Hyeminseo. No entanto, quando o sol se põe, ela assume a identidade de Gil Dong, uma ladra audaciosa e habilidosa que rouba de oficiais corruptos para ajudar quem mais precisa. Quando seus feitos começam a chamar a atenção, transformando o nome de Gil Dong em uma lenda viva, seu caminho cruza com o do Príncipe Lee Yeol (Moon Sang Min), o meio-irmão mais novo do rei.

Yeol é o típico príncipe charmoso, mas com um diferencial: ele adora bancar o detetive, investigando crimes e perseguindo malfeitores sob o pretexto de ser apenas um hobby. O que ele não esperava era se ver cativado pela figura de Gil Dong, sem saber que por trás da máscara está a médica que mexeu com seu coração.

Uma ladra à la Robin Hood em plena Joseon

Os primeiros episódios entregam o pacote clássico das comédias românticas históricas: quedas estratégicas nos braços de interesses amorosos, beijo surpresa e encontros cheios de mal-entendidos. Ainda que algumas sequências pareçam um pouco longas ou familiares demais, há carisma suficiente para manter o interesse.

A química entre Nam Ji Hyun e Moon Sang Min cresce rapidamente. Yeol é direto em seus sentimentos — chegando a propor casamento sem se importar com a diferença de status — enquanto Eun Jo resiste, dividida entre seguir o coração e cumprir o dever familiar.

Nam Ji Hyun como Hong Eun Jo e Gil Dong

Hong Eun Jo representa o coração moral de To My Beloved Thief. Durante o dia, ela cuida de quem precisa como médica do vilarejo. À noite, assume a identidade do lendário ladrão Gil Dong — com “o” no final, já que todos acreditam que uma mulher jamais poderia assumir tal identidade. 

Filha de um nobre com uma mulher de baixa posição social, ela ocupa um lugar ambíguo dentro da própria família: não é reconhecida plenamente como nobre, mas carrega o peso de sustentar a casa após a queda do pai em uma intriga política no palácio. Quando descobre que foi prometida como concubina a um patriarca idoso em estado quase vegetativo, Eun Jo vê seu já limitado poder de escolha diminuir ainda mais. Ainda assim, escolhe silenciar a própria dor para proteger o pai, em uma demonstração dolorosa de devoção.

É nesse contexto que Gil Dong se torna não apenas um disfarce, mas um ato de resistência — roubando de oficiais corruptos para alimentar o povo e deixando, com certo humor, bilhetes detalhando exatamente o que foi levado. Dinheiro? Bens materiais? Nem um, nem outro. Apenas comida, o suficiente para cumprir seu propósito, sem provocar escassez.

O contraste entre Eun Jo e Gil Dong não é sobre personalidades opostas, mas sobre intensidades diferentes da mesma essência. Como médica, ela é observadora, serena e empática, impondo autoridade pela competência. Como ladra, essa mesma compaixão se transforma em ação rápida e estratégica. A performance de Nam Ji Hyun é construída nos detalhes: mudança de postura, firmeza no olhar, respiração mais controlada. As duas identidades coexistem porque partem do mesmo centro moral.

Em uma sociedade que restringe as escolhas femininas, Eun Jo encontra brechas para agir. Ela equilibra tradição e rebeldia, sacrifício e autonomia. É essa dualidade que torna sua jornada envolvente.

Moon Sang Min como Lee Yeol

Vivendo nas sombras para evitar disputas pelo trono, Lee Yeol carrega um charme contido que foge do arquétipo tradicional do príncipe arrogante e ambicioso. Ele prefere circular fora dos muros do palácio. Sua curiosidade pelas pessoas e pelos sistemas que regem o reino diz mais sobre ele do que qualquer título.

A lenda de Gil Dong o intriga profundamente. Enquanto o povo cria versões romantizadas da figura mascarada e a guarda real constrói a narrativa de uma ameaça, Yeol é um dos poucos que percebe o padrão: seletivo, estratégico e, acima de tudo, justo. Ao conceder uma primeira trégua a Gil Dong, mesmo sem saber que se trata de Eun Jo, ele demonstra algo raro: discernimento. Ele entende que a ordem nem sempre coincide com justiça.

Yeol também carrega conflitos silenciosos. A relação com a mãe e o respeito quase reverente pelo meio-irmão revelam um homem que aprendeu cedo a esconder sua inteligência para sobreviver na corte. Ele evita se envolver em disputas políticas abertas, sem perceber que essa neutralidade o coloca em risco indireto. Seu lado romântico, porém, surge de forma surpreendentemente direta.

Quando se apaixona por Eun Jo, Yeol não hesita. Ele não se importa com a diferença de status, nem com os rumores. Sua declaração e proposta de casamento chegam com uma franqueza quase imprudente. Moon Sang Min constrói esse príncipe movido por convicção, não por poder. O resultado é um personagem que cresce com a narrativa e conquista o espectador no processo.

O encontro entre a médica, o príncipe e uma lenda (de Gil Dong) dá início a uma relação marcada por tensão, admiração mútua e destinos entrelaçados por um vínculo que eles nem imaginavam.

A dinâmica da troca de corpos

Review do K-Drama To My Beloved Thief: personagens Nam Ji Hyun (Hong Eun Jo) e Moon Sang Min (Lee Yeol) em uma das cenas com os corpos trocados

Quando um par de braceletes mágicos provoca a inesperada troca de almas entre Hong Eun Jo e Lee Yeol, To My Beloved Thief poderia facilmente cair apenas na comédia — e, sim, rende cenas divertidíssimas. Mas o K-Drama vai além. A troca de corpos deixa de ser só um artifício fantasioso e se torna o eixo emocional da narrativa, aprofundando o romance e ampliando a crítica social já presente na história.

Forçados a viver literalmente na pele um do outro, Eun Jo e Yeol passam a compreender as pressões, medos e responsabilidades que cada um carrega. Ela descobre que a vida dentro do palácio não é apenas luxo e privilégios, mas também vigilância constante, jogos políticos e solidão. Ele, por sua vez, sente na prática o peso das injustiças que atingem o povo por trás dos muros da nobreza. A troca aproxima o casal não apenas romanticamente, mas ideologicamente.

Um dos pontos altos aqui é a atuação de Moon Sang Min. Ele transmite a essência de Eun Jo com ajustes sutis: ombros menos rígidos, olhar mais atento, uma leve mudança no ritmo da caminhada. Não há exagero nem caricatura, mas um trabalho corporal cuidadoso que convence. O mesmo vale para Nam Ji Hyun, que incorpora a firmeza e o senso de responsabilidade do príncipe com alterações discretas na postura e na expressão. 

Percepção nos detalhes

Outro recurso interessante da direção é a alternância visual em algumas cenas: mesmo com as almas trocadas, a narrativa intercala imagens dos “corpos originais” para destacar expressões e emoções. Esse detalhe ajuda o espectador a não se perder e reforça a conexão emocional entre os personagens.

Entre clichês, viradas emocionais e a quebra de expectativas

To My Beloved Thief não esconde que segue a fórmula clássica das comédias românticas históricas. Temos quedas “acidentais”, declarações impulsivas e até a mudança de tom típica em produções do gênero quando o K-Drama está prestes a alcançar seu destino final.

O que começa como uma história leve sobre uma ladra justiceira e um príncipe curioso evolui para uma trama política de alto risco. A perda de um personagem importante abala profundamente Eun Jo e cria um distanciamento doloroso entre ela e Yeol. A revelação de que a “loucura” do rei está ligada ao uso de incensos alucinógenos amplia a conspiração e dá à narrativa uma camada mais densa, que vai além do romance. Aliás, vale dizer que no quesito amor, a série quebra expectativas ao focar apenas no casal principal — sem relacionamentos secundários, talvez apenas um triângulo, ou quadrado, amoroso.

Dae Chu: o coadjuvante que rouba a cena

Em meio a intrigas e tensões, um nome se destaca: Dae Chu, interpretado por Lee Seung Woo. Conforme ganha mais tempo de tela — especialmente a partir do episódio 10 — ele se torna, facilmente, um dos personagens mais carismáticos da história. Seu timing cômico é afiado, mas é seu poder como observador que faz ele brilhar. Dae Chu percebe seu entorno sem precisar de muitas pistas.

No episódio 13, a cena de luta coreografada e protagonizada por ele é uma das minhas preferidas. A sequência equilibra tensão e estilo, consolidando o personagem como mais do que um alívio cômico: ele é leal, habilidoso e atento a tudo o que acontece ao seu redor. 

Quando amar significa dividir o peso da coroa

Review do K-Drama To My Beloved Thief: personagens Nam Ji Hyun (Hong Eun Jo) e Moon Sang Min (Lee Yeol) olhando um para o outro enquanto se protegem da chuva

To My Beloved Thief pode começar apoiado em fórmulas conhecidas de K-Dramas históricos, mas encontra sua identidade na construção emocional dos personagens, na parceria ideológica entre os protagonistas e na decisão de permitir que sua heroína seja, de fato, a dona do próprio destino. 

Vale a pena assistir To My Beloved Thief?

Se você gosta de K-Dramas históricos com romance, troca de corpos, crítica social e uma protagonista feminina forte, To My Beloved Thief entrega exatamente isso: carisma, atuações que se sobressaem nos detalhes e uma produção visual de apelo, como as cenas na chuva e as apresentações de personagens em estilo de pintura clássica.

A série cresce ao longo dos episódios. Começa leve, quase despretensiosa, e ganha densidade política e emocional na segunda metade. Para quem aprecia comédias românticas com uma heroína/ladra que desafia as regras do seu tempo e uma história de amor construída na parceria, vale a visita a essa Joseon de máscaras, segredos e almas entrelaçadas.

Me conta nos comentários: você também ficou com o coração quentinho (ou levemente dividido) com esse epílogo no final? ˆ-ˆv

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