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[Review] Mahou Tsukai no Yome: fascinante, imersivo e contemplativo

Review do anime Mahou Tsukai no Yome (The Ancient Magus’ Bride): personagens Hatori Chise e Elias Ainsworth

Em um mundo místico onde fadas podem ser tão belas quanto perigosas, dragões ancestrais e magos caminham entre humanos, Mahou Tsukai no Yome (The Ancient Magus’ Bride) nos convida a atravessar o véu entre o real e o sobrenatural. A história mergulha na jornada de Hatori Chise, uma garota marcada por abandono e perdas profundas, que encontra na magia — e em um enigmático feiticeiro — uma chance de pertencer a algum lugar. 

A adaptação do aclamado mangá de Yamazaki Kore estreou em 2017 com 24 episódios produzidos pelo Wit Studio, conquistando fãs pela atmosfera única e pelo cuidado visual. Após um hiato de cinco anos, a série retornou em 2023 sob a responsabilidade do Studio Kafka, dividindo a segunda temporada em duas partes que exploram o arco do Colégio de Magia — uma fase que expande o universo da obra e introduz novos conflitos. 

Mahou Tsukai no Yome é uma fantasia urbana contemplativa que não tem pressa. Em vez de apostar apenas em feitiços e criaturas mágicas, a obra prefere envolver o espectador em uma atmosfera densa e emocional, abordando temas como trauma, identidade, vínculos e o delicado processo de aprender a viver — e a se valorizar. Ao longo das duas temporadas, o anime mantém o foco no desenvolvimento emocional de seus personagens enquanto expande seu universo mágico. Embarca comigo?

Ficha técnica: Mahou Tsukai no Yome

Anime: Mahou Tsukai no Yome 「魔法使いの嫁」

Gênero: Drama, Fantasia e Romance

Número de Episódios: 48

  • 1ª Temporada
    • 24 | 8 de outubro de 2017
  • 2ª Temporada
    • 12 | 6 de abril de 2023
    • 12 | 5 de outubro de 2023
  • Mahoutsukai no Yome: Hoshi Matsu Hito (The Ancient Magus’ Bride: Those Awaiting a Star) | OVA com 3 episódios especiais
  • Mahoutsukai no Yome: Gakuin-hen (The Ancient Magus’ Bride: School Arc PV)

Estúdio: Wit Studio (Owari no Seraph, Koi wa Ameagari no You ni, Fate/Grand Order, Bubble, Prism Rondo) + Studio Kafka

Adaptação: mangá de Yamazaki Kore


Abandonada ainda criança e ridicularizada por ser uma Sleigh Beggy — uma humana rara capaz de gerar e atrair imensa energia mágica, mas com um corpo incapaz de suportar esse poder — Hatori Chise acaba sendo vendida em um leilão sombrio. É ali que surge Elias Ainsworth, um mago de aparência inumana e origem envolta em mistério, que decide comprá-la e levá-la para a Inglaterra.

Ao se tornar sua aprendiz — e também sua futura noiva — Chise passa a viver cercada por fadas, dragões e criaturas ancestrais, mergulhando em um universo onde magia e mitologia caminham lado a lado com o mundo humano. Enquanto aprende a desenvolver seus poderes, ela também precisa enfrentar algo muito mais difícil: compreender seu próprio valor e lidar com as maldições físicas e emocionais que carrega.

Na segunda temporada, o universo de The Ancient Magus’ Bride se expande com a introdução do Colégio de Magia, uma instituição que reúne feiticeiros de diferentes origens. Entre novos aliados, segredos e ameaças ocultas, Chise vê seus laços — especialmente com Elias — serem colocados à prova, dando início a uma fase marcada por amadurecimento, conflitos internos e escolhas difíceis.

Mitologia e fantasia urbana em Mahou Tsukai no Yome

À primeira vista, a premissa pode parecer controversa: uma garota comprada por um mago que anuncia que ela será sua noiva. Mas Mahou Tsukai no Yome rapidamente deixa claro que a história vai muito além dessa dinâmica inicial. O que começa como uma relação de mestre e aprendiz evolui para algo mais complexo, emocionalmente ambíguo — e, em alguns momentos, desconfortável.

O crescimento de Chise é o eixo central do anime. No decorrer das duas temporadas, ela deixa de ser apenas uma garota resignada ao próprio sofrimento para se tornar uma maga que questiona, impõe limites e tenta romper o ciclo de autonegação.

O universo mágico encantador de Mahou Tsukai no Yome

O worldbuilding de Mahou Tsukai no Yome é um de seus maiores trunfos. Inspirado em mitologias celtas e britânicas, o anime apresenta fadas, dragões, espíritos e entidades antigas como parte orgânica do cotidiano que constrói. Aqui, magia não é um recurso estético: ela carrega peso, consequência e responsabilidade.

A primeira temporada encanta pelo senso de descoberta. Cada episódio revela uma nova camada desse universo mágico, sempre com atmosfera contemplativa e estética quase etérea. Já o arco do Colégio de Magia amplia significativamente o elenco e divide o foco narrativo, dando mais espaço a personagens como Philomela Sargant. 

Esse aprofundamento traz riqueza temática, mas também impacta o ritmo. Flashbacks extensos e histórias paralelas enriquecem a trama, porém tornam a narrativa ainda mais lenta.

O arco do Colégio da Magia e a mudança de ritmo

No início da segunda temporada, acompanhamos Chise lidando com as consequências físicas de decisões passadas. E aqui o anime reforça um ponto importante: a magia tem um custo real. Não se trata apenas de lançar feitiços impressionantes, mas de arcar com o desgaste físico e emocional que eles provocam — algo que dialoga diretamente com o padrão de autossacrifício da protagonista.

O cenário também muda drasticamente. A relação entre Chise e Elias deixa de ocupar o centro da narrativa, enquanto o Colégio de Magia assume protagonismo. A série passa a equilibrar um núcleo maior de personagens, entre eles a introspectiva Philomela Sargant, cuja história ganha um peso considerável.

Embora a construção de mundo continue fascinante, o ritmo sofre e se torna mais arrastado. Além disso, a transição entre as temporadas também pode ser desafiadora para quem retorna após anos — especialmente porque o anime parte do princípio de que o espectador se lembra dos detalhes técnicos sobre magia e das nuances do mundo apresentado anteriormente.

A ausência de um recap mais robusto dificulta a imersão inicial, e a mudança do tom bucólico da primeira fase para um drama escolar mais introspectivo pode não agradar a todos.

Veredito: uma fantasia imersiva que exige paciência

Review do anime Mahou Tsukai no Yome (The Ancient Magus’ Bride): personagens Hatori Chise e seus colegas no Colégio de Magia

Apesar de um ritmo mais arrastado em certos momentos — especialmente na segunda temporada — Mahou Tsukai no Yome entrega uma experiência emocionalmente rica. A primeira fase impressiona pela ambientação detalhada e pelo senso de descoberta, enquanto a continuação aposta mais no drama psicológico e nas relações interpessoais, ampliando o escopo da narrativa.

O anime é como um grimório antigo: exige tempo e atenção, mas recompensa quem aceita folhear suas páginas com calma. A adaptação brilha ao criar uma mitologia própria e ao tratar traumas com delicadeza. É introspectivo, melancólico e, por vezes, contemplativo até demais. No entanto, quando acerta, acerta com uma beleza silenciosa que permanece.

Se você aprecia histórias que priorizam atmosfera, desenvolvimento emocional e construção de mundo acima da ação constante, a jornada de Chise pode ser um convite irresistível — especialmente na primeira temporada, onde o encanto é mais forte. Apenas esteja disposto a caminhar no ritmo da obra, sem pressa.

Por que pode valer a pena dar uma chance?

  • Evolução da protagonista: ver a Chise deixar de ser alguém “sem vontade própria” para se tornar uma maga mais consciente de seu valor é inspirador.
  • Worldbuilding envolvente: a fusão entre mitologia celta e fantasia urbana cria um universo raro e memorável dentro do gênero.
  • Estética marcante: mesmo com a troca de estúdio, o design de criaturas (especialmente o Elias) continua icônico e facilmente reconhecível.

Ao final da segunda temporada, um grande “The End” surge na tela, mas acompanhado do anúncio de um novo capítulo intitulado The Fiendbane. Ainda sem data de estreia confirmada, a promessa indica que a jornada de Chise e Elias está longe de terminar.


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