
Spring Fever (스프링 피버) é aquele tipo de K-Drama que chega sem alarde e, quando você percebe, já está completamente envolvida. A história nos transporta para o interior da Coreia do Sul, em uma pequena cidade litorânea onde a força bruta encontra a doçura. Prepare-se para rir muito com um protagonista que parece ter saído de um filme de ação, mas que tem o coração mais mole que marshmallow, temperado com aquele toque quase “sobrenatural” de quem resolve tudo na base da presença intimidadora e de um humor imprevisível.
Exibido pela tvN, a série estreou em 5 de janeiro e conta com 12 episódios. A obra é baseada na popular web novel homônima de Baek Min A. Ahn Bo Hyun e Lee Joo Bin assumem o protagonismo de uma comédia romântica com a maturidade (e o caos) da vida adulta, ao lado de um elenco de apoio que contribui bastante para o clima caótico e acolhedor da narrativa. O resultado é uma história leve, calorosa e extremamente divertida, perfeita para quem busca conforto sem abrir mão de boas risadas. Embarca comigo?
Ficha técnica de Spring Fever
Série: Spring Fever (스프링 피버)
Gênero: Comédia e Romance
Número de Episódios: 12
Estreia: 5 de janeiro de 2026
Direção: Park Won Gook
Roteiro: Baek Min A (web novel), Kim A Jung
Elenco principal: Ahn Bo Hyun (Sun Jae Gyu), Lee Joo Bin (Yoon Bom), Cha Seo Won ( Choi Yi Joon) e a lista completa
Após passar por um desgaste emocional em Seul, Yoon Bom (Lee Joo Bin) decide recomeçar como professora de intercâmbio na pacata cidade litorânea de Sinsu (gravada na belíssima Pohang). Fechada, distante e claramente marcada pelo passado, ela não espera criar laços — até conhecer Seon Jae Gyu (Ahn Bo Hyun), tio de um de seus alunos. Dono de uma força quase inacreditável e com jeito de “gangster”, ele tem uma presença intimidadora à primeira vista. No entanto, por trás dos músculos e do sotaque carregado, existe um homem de uma honestidade desconcertante e uma devoção absoluta.
Quando Jae Gyu se apaixona por Yoon Bom, ele passa a expressar seus sentimentos com uma franqueza tão inesperada quanto encantadora.
Ahn Bo Hyun rouba a cena (e o coração)
Grande parte do sucesso de Spring Fever passa diretamente por Ahn Bo Hyun. Se alguém tinha alguma dúvida sobre sua versatilidade como ator, a série vem para acabar com qualquer resquício. Ele entrega uma atuação física impressionante, mas é nos detalhes — o brilho no olhar ao chamar Yoon Bom de “beauty” no “primeiro” encontro ou o jeito desajeitado de lidar com sentimentos — que ele conquista o público.
A presença intimidadora de Jae Gyu é usada para as situações mais banais: basta ele entrar em uma clínica veterinária para deixar todos os cachorrinhos em silêncio absoluto, ou levantar a sobrancelha para questionar por que uma professora deveria servir café se ele mesmo poderia fazer isso. Esse contraste entre sua aparência intimidadora e seu comportamento doce rende algumas das melhores cenas do K-Drama, além de criar uma dinâmica deliciosa com Yoon Bom.
Jae Gyu é carismático, direto, imprevisível e genuinamente engraçado. Cada gesto, olhar e pausa cômica parecem calculados com precisão, mostrando o domínio do ator sobre o timing da comédia. É quase impossível não sorrir com suas atitudes cavalheirescas, sua sinceridade quase infantil e sua forma muito própria de amar. Ele é o dono do show, um protagonista que eleva o tom da série e transforma cada episódio em uma experiência agradável.
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Um dos momentos mais icônicos é no episódio 8, quando ele salva Yoon Bom de um acidente durante um ciclone e, pela primeira vez, começa a chorar de alívio. Como ele nunca chorou antes, ele simplesmente não sabe como parar, criando uma cena que é simultaneamente emotiva e divertida. Quem viu, sabe o que ela fez para parar. xD
Romance com comédia e cura emocional
Apesar do rótulo de comédia romântica, Spring Fever também caminha pelo território do healing drama. A relação entre os protagonistas se constrói aos poucos, em pequenos gestos, diálogos cotidianos e situações absurdamente engraçadas. Não há pressa — e isso funciona a favor da história.
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Momentos como os encontros frustrados (aquele do sinal verde no episódio 3 foi muito engraçado), as confusões causadas por mal-entendidos e as cenas simbólicas que indicam a abertura emocional de Yoon Bom ajudam a reforçar a evolução natural do casal. O romance amadurece junto com ela, sem depender de grandes declarações, mas da compreensão mútua e da cura que cada um precisava para se libertar do passado que os prendia.
Mesmo que os holofotes sejam de Ahn Bo Hyun, Lee Joo Bin brilha com uma atuação contida, mostrando o crescimento de uma mulher que aprende a baixar a guarda. Muito da sua evolução se deve à influência da personalidade direta de Jae Gyu. Uma mudança que flui naturalmente e no tempo certo.
A dinâmica do casal é um destaque à parte: enquanto ele é expansivo e protetor, ela é racional, mas acaba se rendendo ao charme “direto ao ponto” dele. Conforme as interações entre os dois se aprofundam e se tornam mais frequentes, as cenas ficam cada vez mais fofas.
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A cena do episódio 7 é uma das melhores. Após diversas tentativas frustradas para marcar o primeiro encontro — o nascer do sol interrompido, o café da manhã em um restaurante “escondido” e um passeio pelo parque de diversões — Jae Gyu transforma um parquinho escolar em um “parque de diversões particular” para Bom. O casal usa a imaginação para simular o balanço em um barco viking ou o movimento das xícaras que giram. Fofinho demais!
Atmosfera, ritmo e sensação de conforto
A ambientação na cidade de Sinsu — filmada em locações costeiras de Pohang que evocam tranquilidade — contribui diretamente para o clima de aconchego da série. A fotografia suave, o ritmo slice of life e a trilha sonora constroem a sensação de estar assistindo a algo familiar e acolhedor. Cada episódio deixa a impressão de uma pausa do mundo real: leve, sincera e confortável, como se o K-Drama soubesse exatamente quando desacelerar e quando apenas observar seus personagens.
A atmosfera primaveril permite que as cenas respirem, dando espaço para que os personagens e suas emoções se acomodem sem pressa. A OST acompanha esse tom com delicadeza: “A Season That Was You” (Jae Yeon) se destaca pela melancolia suave, enquanto “Running Flower”, cantada por Kangnam (강남), traz contraste e energia positiva, reforçando a sensação de renovação que conecta a narrativa.
O charme das histórias que aquecem

Spring Fever se junta facilmente àquele grupo de K-Dramas ambientados em pequenas cidades que apostam mais na atmosfera do que em conflitos exagerados. Quem gostou de Hometown Cha-Cha-Cha, Summer Strike ou Welcome to Samdal-ri vai reconhecer o apelo: histórias que desaceleram, personagens que se curam aos poucos e um cotidiano simples, mas especial exatamente pela simplicidade.
Mesmo quando foge da calmaria, a série sabe usar o humor a seu favor. Um dos momentos mais inesperados — e divertido — é Yoon Bom dançando “I Am The Best” (2NE1), em uma cena que é pura energia caótica. É o tipo de escolha que diz muito sobre o tom do K-Drama: leve, espontâneo e sem medo de parecer bobo quando isso serve à história.
Nem tudo, porém, funciona com a mesma harmonia. O arco de Choi Se-Jin (Lee Jae-In) e Sun Han-Gyul (Jo Joon-Young), é o ponto fraco da narrativa. A forma como Se-Jin trata Han-Gyul, com agressividade constante, ultrapassa o limite do desconforto e pouco acrescenta à história principal. São personagens que poderiam ter sido melhor trabalhados, suavizados ou deixados de fora do roteiro.
Vale a pena se deixar encantar?
Definitivamente. Spring Fever é um rom-com charmoso, engraçado e reconfortante, que brilha especialmente por seu protagonista inesquecível e pela química natural do casal principal. É facilmente uma daquelas séries coreanas que a gente termina com um sorriso no rosto e vontade imediata de recomendar.
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O episódio 9 entrega um dos diálogos mais divertidos: após o primeiro encontro como um “casal oficial”, Yoon Bom e Jae Gyu ficam indecisos sobre encerrar a noite ou não, até ele simplesmente dizer: “If you can’t decide, I will” — e ligar para o sobrinho apenas para avisar que não vai voltar para casa. Simples, direto e tão ele. xD
O episódio final é um presente: Yoon Bom e Jae Gyu recriam, em fotos, os encontros caóticos que antecederam o romance. Um ano depois, ela retorna às pressas a Sinsu, até encontrá-lo na praia, de terno, onde tudo começou em segredo. A falsa surpresa — a icônica manga tatuada — abre caminho para o verdadeiro momento: Jae Gyu se ajoelha na areia com um anel e faz o pedido de casamento. É simples, romântico e, mais uma vez, absolutamente fiel ao espírito da série.
Spring Fever é uma comédia romântica sobre cura, recomeços e, acima de tudo, sobre como a sinceridade pode desarmar até o coração mais gelado. Ahn Bo Hyun carrega o humor e a energia da história com naturalidade, enquanto Lee Joo Bin traz equilíbrio, maturidade e delicadeza à dinâmica. Juntos, eles transformam uma história simples em algo especial. Se você procura um rom-com leve, com clima de cidade pequena, personagens carismáticos e muitas risadas pelo caminho, vale incluir na sua lista.
Compartilhe com aquela amiga dorameira que ama um bom comfort K-Drama e depois volte para me contar se você também terminou a série com o coração quentinho. ˆ-ˆv