
Bem-vindos ao nosso próximo destino! Imagine sentir o ar fresco de Kamakura no Japão, caminhar por cidades históricas da Itália ou admirar a aurora boreal no Canadá, onde nem tudo o que é dito precisa — ou deve — ser traduzido literalmente. Com um itinerário visual e emocional, o K-Drama Can This Love Be Translated? (이 사랑 통역 되나요?) nos convida a embarcar em uma experiência que cruza culturas, palavras e sentimentos.
É um convite para observar como barreiras linguísticas e emocionais se constroem e como, às vezes, elas só caem quando alguém decide ouvir o que está escondido nas entrelinhas. Prepare seu passaporte, porque este roteiro de viagem está repleto de paisagens de tirar o fôlego, atuações magnéticas e uma trilha sonora que vai ficar no repeat da sua playlist durante todo o trajeto. Embarca comigo?
Bilhete de Embarque para Can This Love Be Translated?
| Destino: Can This Love Be Translated? (이 사랑 통역 되나요?) Plataforma: Netflix Data de Partida: 16 de Janeiro de 2026 Número de Paradas: 12 episódios Condutores: Direção de Yoo Young Eun | Roteiro das irmãs Hong (Hotel Del Luna) Classe: Comédia romântica com forte inclinação psicológica Passageiros: Kim Sun Ho (Joo Ho Jin), Go Youn Jung (Cha Mu Hee), Sota Fukushi (Hiro Kurosawa), Lee E Dam (Shin Ji Sun), Choi Woo Sung (Kim Yong U) e a lista completa |
O que esperar da viagem
Antes do embarque oficial, o percurso já sinaliza que o caminho não será uma linha reta. O primeiro desvio de rota vem com um “encontro de destino” entre Joo Ho Jin (Kim Seon Ho) e Cha Mu Hee (Go Youn Jung). Ele é um intérprete multilíngue extremamente competente, fluente em coreano, japonês, inglês e italiano. Sua regra de ouro é transmitir cada palavra de forma neutra e profissional. Ela é uma atriz que vive entre a imagem pública impecável e uma personalidade caótica, confusa e emocionalmente instável fora dos holofotes.
Quando Ho Jin passa a trabalhar como intérprete de Mu Hee, cada entrevista se transforma em um campo minado linguístico: traduzir literalmente pode destruir reputações, suavizar palavras pode distorcer verdades. Nesse espaço delicado, nasce uma intimidade que não deveria existir, mas insiste em crescer.
Check-in para o destino Can This Love Be Translated?

Em um mundo cada vez mais conectado, Can This Love Be Translated? parte de uma pergunta simples, mas a resposta pode ser mais complexa do que imaginamos. Será que os sentimentos podem ser traduzidos? Ambientado entre diferentes países, idiomas e culturas, o K-Drama usa o trabalho de um intérprete como metáfora para relações onde o maior desafio não é falar, mas ser entendido. Enquanto cruza fronteiras geográficas e emocionais, a série reflete sobre como cada pessoa carrega sua própria linguagem interior.
Diferente de muitos rom-coms, a história é conduzida como se fosse um passageiro a bordo de um trem, que desliza pelos trilhos sem pressa de chegar ao destino final. O ritmo é contemplativo, deixando espaço para apreciar o trajeto e observar a paisagem pela janela.
Paradas pelo caminho: paisagens de tirar o fôlego
Um dos grandes encantos do K-Drama está nas locações internacionais, que não existem apenas para “embelezar” a narrativa. Japão, Canadá, Itália e Coreia do Sul são integrados de forma orgânica ao enredo, refletindo o estado emocional dos personagens.
No Japão, a história ganha um tom melancólico e intimista que combina com o início da conexão entre Ho Jin e Mu Hee. O Canadá amplia o sentimento de isolamento e contemplação ao explorar paisagens abertas que reforçam a distância emocional entre eles. Já a Itália, com suas ruínas históricas, praças e construções antigas, funciona como metáfora perfeita: bela, histórica, mas cheia de camadas e rachaduras.
A cinematografia é, sem exageros, digna de um documentário de luxo. A produção nos leva das ruelas de Kamakura, no Japão, às ruínas imponentes das Termas de Caracalla e à mágica vila de Civita di Bagnoregio, na Itália. Cada locação parece um personagem vivo. A cena em que os protagonistas observam a aurora boreal no Lake Louise, no Canadá, é um dos momentos mais poéticos visualmente que já vi em séries coreanas. É impossível não sentir vontade de viajar.
Entre palavras e emoções: o desafio da comunicação
Além do turismo de tela, o que mais me encantou em Can This Love Be Translated? foi a integração dos idiomas. Ouvir Kim Seon Ho transitar entre o coreano, japonês, italiano e inglês com fluência próxima do natural é um atrativo à parte (e sim, quando ele diz “let’s hang out until there”, a vontade é responder “yes” imediatamente!). Isso mostra o quanto ele se dedicou antes do início das gravações e como os atores não só podem, mas devem, levar pronúncia e entonação mais a sério — como parte inseparável do papel que aceitaram interpretar.
Uma das cenas de Ho Jin que mais me impressionou pela fluidez linguística foi a do restaurante de ramen no Japão, onde a troca rápida entre idiomas se tornou quase uma coreografia. Além disso, a presença do ator japonês Sota Fukushi como Hiro Kurosawa traz algo que eu gosto de ver em séries coreanas: o intercâmbio cultural entre dois países que admiro culturalmente. Outro exemplo recente é What Comes After Love.
⚠️ >> Alerta de spoiler!
Já Mu Hee representa o oposto: alguém que depende do intérprete não só por necessidade, mas por conveniência. Ela é uma atriz e sabia que ia gravar um programa com um ator japonês, custava aprender ao menos o básico ao invés de se apoiar 100% em um intérprete? Hiro chega ao último episódio praticamente fluente em coreano, enquanto Mu Hee mal sai do “ありがとう”, o que me incomodou um pouco, mas entendo que foi uma decisão do roteiro.
Cada um tem sua própria linguagem
Can This Love Be Translated? não retrata apenas barreiras linguísticas, mas também emocionais. Muitas vezes, os personagens não sabem como lidar com o que sentem. Ho Jin vive preso à ética profissional e a um amor que perdeu o timing, enquanto Mu Hee testa seus limites o tempo todo, provoca e confunde.
Mais do que os outros personagens do elenco, ela é quem tem uma linguagem mais própria, um idioma à parte difícil de ser decifrado apenas com palavras. Essa dinâmica torna o romance instável, às vezes até angustiante. Não é um amor confortável. É um relacionamento que exige maturidade de quem acompanha do outro lado da tela, especialmente porque o foco está muito mais na jornada emocional da protagonista do que em momentos românticos tradicionais.
Desvios nos trilhos: os conflitos que desafiam o percurso
Kim Seo Ho entrega uma atuação contida e extremamente eficaz, daquelas que revelam mais em olhares, pausas e pequenos gestos do que em falas diretas. Ho Jin é pragmático, gentil e observador, mas também visivelmente exausto emocionalmente. Conforme a viagem avança, fica claro que ele carrega não apenas os idiomas que traduz, mas também o peso emocional de estar sempre mediando conflitos que não são seus.
É nesse cenário que Do Ra Mi surge como um desvio inesperado nos trilhos. Quando ela aparece, a dinâmica muda de ritmo. Go Youn Jung transita entre Mu Hee e Do Ra Mi com precisão impressionante, e, para mim, essas cenas são o ponto mais alto da série. É ali que a química entre os leads finalmente ganha calor, leveza e um brilho quase lúdico, como se o trem atravessasse, ainda que brevemente, um trecho mais ensolarado do percurso.
Can This Love Be Translated? é o primeiro K-Drama que vejo com Go Youn Jung. Ainda não sei como foram seus papéis em Sweet Home, Alchemist of Souls ou Resident Playbook (Light Shop foi apenas uma participação, então nem conto), mas aqui ela interpreta múltiplas camadas da mesma personagem. Na prática, são três versões de si mesma: Mu Hee atriz, Mu Hee em sua vida privada e Do Ra Mi, uma persona que vai muito além do papel que lhe trouxe fama. O contraste entre elas deixa claro como o trauma molda não apenas o comportamento, mas a linguagem, a postura e até a forma de amar.
Cha Mu Hee, no entanto, é uma protagonista difícil de acompanhar. Suas inseguranças, enraizadas na infância, se manifestam de forma frequentemente tóxica, sobretudo na relação com Ho Jin. O medo constante da rejeição gera uma dinâmica de aproximações e afastamentos que pode ser emocionalmente desgastante — tanto para o personagem quanto para quem assiste. Apesar de ser uma das séries coreanas mais aguardadas desde o anúncio em 2025, a personalidade da Mu Hee foi um dos principais obstáculos para que eu conseguisse maratonar o K-Drama, mesmo com todos os episódios disponíveis de uma só vez.
Check-out: vale a pena embarcar?

Can This Love Be Translated? pode proporcionar uma experiência agradável para quem aprecia viagens longas, de ritmo constante e emocionalmente densas. Não espere uma comédia romântica tradicional, com triângulos amorosos óbvios. Aqui, o foco está na saúde mental, no medo de ser amado e na coragem de encontrar alguém disposto a traduzir não o que você diz, mas o que você sente.
Como toda boa viagem, a série deixa saudade. Seja pelos cenários que se passam pelas janelas dos vagões ou pela trilha sonora, especialmente “Love Language” de Kim Min Seok, que embala o trajeto. Antes de chegar ao destino final, o roteiro deixa uma lembrança: assim como na ópera La Traviata, citada na trama, o amor exige exige entrega, risco e disposição para ser compreendido.
Se você gosta de histórias que avançam devagar, exploram emoções em camadas e transformam viagens em metáforas emocionais, Can This Love Be Translated? oferece um itinerário que pode valer o embarque. Ao fim da jornada, a resposta para a pergunta que a iniciou pode não ser definitiva, mas sinaliza para uma possível direção. Talvez os sentimentos podem ser traduzidos, não através de dicionários — e sim através da paciência, da presença e da disposição de escutar mesmo quando as palavras falham. Ainda que o romance não convença por completo, ou que o roteiro não inspire tanto em alguns trechos, as paradas ao longo do caminho fazem com que o percurso, no fim das contas, ainda valha a passagem.
E você, já carimbou seu passaporte para esse K-Drama ou ainda está na sua lista de espera? Antes de dar o play na Netflix, me conta qual desses destinos já despertou aquela vontade de viajar: as ruelas da Itália, as paisagens do Canadá ou o charme cultural do Japão? ˆ-ˆv