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MISAMO encerra trilogia com PLAY: elegância, confetes e jazz

Review do álbum PLAY da subunit japonesa do TWICE (MISAMO): Momo, Mina e Sana dançam com roupas coloridas e confetes no MV de "Confetti"

MISAMO (미사모) conseguiu construir uma identidade visual e sonora muito forte em pouco tempo. A chegada de PLAY nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, parece ser o “grand finale” luxuoso dessa primeira era para a subunit japonesa do TWICE (트와이스).

Desde o debut com Masterpiece, Mina (미나), Sana (사나) e Momo (모모) estabeleceram um padrão de luxo e sofisticação que poucas subunits de K-Pop ousam tocar. Com o lançamento do primeiro álbum japonês, elas não apenas fecham uma trilogia iniciada em 2023, mas transformam o J-Pop em um palco de teatro decorado por uma elegância vintage, que já virou assinatura do trio.

A coletânea de 12 faixas é um convite imersivo ao “teatro da vida”. Se em Haute Couture o foco era a moda, agora o trio abraça a dramaturgia. É um disco com influências claras de jazz, big band e melodias que parecem ter saído de um cabaré moderno, onde cada nota soa como um figurino de alta costura para abraçar a maturidade vocal das integrantes. Embarca comigo?

“Confetti”: o jazz como protagonista no palco de PLAY

Lançada como pré-release em 16 de janeiro, a title track “Confetti” abre o primeiro ato da trilogia com uma explosão de energia positiva. Com arranjos de jazz e uma base de big band para sustentar a ideia de que “a vida é uma peça improvisada sem roteiro”, a música conversa diretamente com o imaginário teatral que guia o álbum. 

Não é a faixa mais forte do repertório, mas ganha pontos pelo potencial performático, especialmente no palco: a coreografia eleva o status da experiência, transformando “Confetti” em um musical estilo Broadway. “Even if you’re going in circles / Don’t worry, say it to yourself / ‘I’m so proud of ya’”. A letra celebra a resiliência acompanhada por um groove contagiante.

Entre os solos de Momo, Sana e Mina

Os solos ajudam a reforçar a individualidade, alternando os holofotes com o trio. “Kitty” , de Momo, é divertida, dinâmica e feita sob medida para uma performance magnética no palco. Apesar de não ser muito o mesmo estilo, sai na frente da antecessora “Money In My Pocket”.

“Ma Cherry”, de Sana, chama atenção pelos sintetizadores oitentistas, mas perde força por sua duração excessivamente curta. Com apenas 1:48, a faixa deixa um gosto de “quero mais” que beira a frustração. Infelizmente, uma tendência que segue crescendo entre os últimos lançamentos e que tira um pouco do brilho da composição.

“Turning Tables”, da Mina, é o solo mais bem resolvido: elegante, envolvente e sustentado por um instrumental refinado que cresce até o último refrão. O uso do saxofone (não tenho certeza) cria uma atmosfera noir que se encaixa perfeitamente no timbre elegante dela.

Jazz, mistério e dramaticidade nas b-sides

Se você busca a “joia da coroa” deste álbum, ela atende pelo nome de “Deep Eden”. Com uma aura sombria, um instrumental orquestral e um senso quase cinematográfica, a faixa cria a sensação de que algo misterioso está se desenrolando fora de cena. É, sem dúvida, a música que mais se beneficia do conceito teatral de PLAY. É dramática, intensa e, ironicamente, curta demais para o impacto que entrega. Mesmo assim, é facilmente uma das melhores músicas do MISAMO até aqui.

Outra b-side que também merece recomendação é “Hmm”. A música chama atenção logo no primeiro play. O que começa como um pop polido embala em uma virada inesperada para o jazz no final que deixa a experiência sonora mais suave e sofisticada. 

Para completar

“Not a Goodbye” carrega aquele clima feel good, fácil de imaginar como ending de anime ou companhia para um passeio de carro no fim do dia. Músicas já conhecidas pelo público japonês durante o tour HAUTE COUTURE, como “Red Diamond” e “Catch My Eye”, finalmente encontram seu lugar oficial no álbum. Ambas mantêm a dramaticidade e o flerte com o jazz, embora a primeira sofra com a duração enxuta. Se fosse um pouco maior do que 2:17, poderia facilmente entrar na seleta lista de favoritas.

Lançada como parte da OST do filme japonês Blank Canvas: My So-Called Artist’s Journey (2025), “Message” fecha a seleção com um toque mais sentimental após uma trilha marcada por estética e performance. As title tracks anteriores, “Do Not Touch” e “Identity”, completam a coletânea do primeiro álbum japonês do MISAMO.

PLAY é um encerramento digno, consistente e elegante para a trilogia do MISAMO, além de bem alinhado à proposta artística do trio. O disco entrega tudo o que se espera: visuais impecáveis e uma sonoridade rica em referências clássicas. Embora algumas faixas sofram com durações excessivamente curtas, o comeback reforça o potencial da subunit dentro do J-Pop como uma peça a ser vista da primeira fila. 


SubunitMISAMO com Mina (미나), Sana (사나) e Momo (모모)
ÁlbumPLAY
Title track“Confetti”
Destaques“Deep Eden” (favorita) e “Hmm”
Lançamento4 de fevereiro de 2026
LabelJYP Entertainment

Gostou do review? Me conta nos comentários qual foi a sua faixa favorita de PLAY e se você também acha que “Deep Eden” merecia um clipe cinematográfico! -ˆ-ˆ-v

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