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[Review] Love Me: um K-Drama maduro sobre solidão, culpa e recomeços

Review do K-Drama Love Me: Seo Hyun Jin (Seo Jun Kyung) com os olhos fechados e sorrindo em um cenário de cores quentes e com ar de aconchego

Mergulhar em um novo K-Drama é sempre uma aposta, mas quando o nome de Seo Hyun Jin aparece no pôster, o convite costuma vir acompanhado de profundidade emocional e atuações memoráveis. Love Me (러브 미) não é apenas mais um romance de catálogo: é uma série coreana sensível sobre as rachaduras que tentamos esconder atrás do sucesso profissional, da independência e da aparência de uma vida “bem resolvida”.

Com 12 episódios exibidos em blocos duplos às sextas-feiras, a produção da JTBC é a adaptação coreana da série sueca homônima criada por Josephine Bornebusch. Em um ritmo contemplativo e uma abordagem emocionalmente densa, Love Me fala diretamente sobre solidão — aquela que existe mesmo quando tudo parece estar no lugar. É um K-Drama sobre se perder, se fechar e, aos poucos, se permitir ser encontrado. Embarca comigo?

Ficha técnica de Love Me

Série: Love Me (러브 미)

Gênero: Romance, Drama e Melodrama

Número de Episódios: 12

Estreia: 19 de dezembro de 2025

Direção: Jo Young Min (You and Everything Else, The Interest of Love, Do You Like Brahms?)

Roteiro: Park Eun Young (The Trunk), Park Hee Kwon

Elenco principal: Seo Hyun Jin (Seo Jun Kyung), Chang Ryul (Ju Do Hyun), Yoo Jae Myung (Seo Jin Ho), Yoon Se Ah (Jin Ja Young), Lee Si Woo (Seo Jun Seo), Dahyun (Ji Hye On) e a lista completa


Seo Jun Kyung (Seo Hyun Jin) é uma ginecologista obstetra respeitada e bem-sucedida. À primeira vista, sua vida parece estável e admirável, mas por trás dessa imagem existe uma mulher profundamente solitária, marcada por um trauma do passado que a afastou da própria família. Jun Kyung aprendeu a sobreviver sozinha e normalizou a solidão como um estilo de vida. Para ela, o amor é algo dispensável, até que seu vizinho, o compositor Ju Do Hyun (Chang Ryul), desafia essa lógica e atravessa suas barreiras. Ele é o único capaz de enxergar o sentimento de vazio que ela tenta esconder do mundo.

Um retrato delicado da solidão

Com uma narrativa sensível e madura, Love Me mergulha nos altos e baixos da vida adulta, explorando a busca por amor, felicidade e pertencimento em meio à culpa, ao luto e às relações familiares fragilizadas pelo tempo e pelo silêncio. Caminhando na linha tênue entre a autossuficiência e uma solidão profunda, o K-Drama se sustenta nos laços que se rompem e na coragem necessária para reconstruí-los, um passo de cada vez, mesmo quando tudo parece incerto.

É uma obra sobre crescimento pessoal: sobre reaprender a sentir, a se permitir ser vulnerável e a reconhecer que o afeto pode surgir nos encontros mais improváveis, justamente quando a vida parece estagnada e sem saída.

Os laços soltos da família Seo

A história ganha vida a partir da dinâmica da família Seo: o pai Jin Ho (Yoo Jae Myung) e os dois filhos, Jun Kyung (Seo Hyun Jin) e Jun Seo (Lee Si Woo). Cada um carrega suas próprias culpas, perdas e desejos reprimidos, lidando com o passado de formas muito diferentes — e, muitas vezes, solitárias.

O K-Drama não se limita à perspectiva de Jun Kyung, nem tenta romantizar as dores que atravessam essa família. Love Me mostra como esses sentimentos se acumulam silenciosamente ao longo dos anos, criando rachaduras invisíveis nas relações mais próximas. A narrativa adota um ritmo slow burn que valoriza silêncios, olhares e conversas difíceis, enquanto a paleta de cores, inicialmente densa e escura, evolui conforme os personagens começam a encontrar novos sentidos para seguir em frente.

💡 >> Nota da Redação <<

No primeiro episódio, há uma analogia desnecessária feita pelas colegas de Jun Kyung ao compararem a solteirice ao veganismo (“it’s bland but it’s healthy”). Uma visão limitada e rasa, já que tanto o amor quanto a culinária vegana só parecem “sem graça” para quem não se dispõe a conhecer sua profundidade. Um deslize pontual do roteiro… 미안해 😑

Personagens marcados pela culpa

Jin Ho é um professor e marido dedicado que se aposenta mais cedo para cuidar da esposa até seus últimos dias. Quando o momento da despedida chega, ele passa a acreditar que não tem mais o direito de ser feliz ou reconstruir a própria vida. 

Jun Kyung, por sua vez, é uma profissional bem-sucedida e independente por fora, mas emocionalmente fragmentada por dentro. Atormentada pela culpa de um acidente que mudou para sempre a dinâmica familiar, ela transforma a solidão em escudo e se mantém distante de todos. 

Já Jun Seo é o filho mais novo, cresce apoiado no pai e na irmã, sem grandes ambições ou clareza sobre o próprio futuro. Sua jornada é marcada pela descoberta da frustração, da decepção e da necessidade de amadurecer emocionalmente — algo que ele evita até ser inevitável.

Conexão: o caminho para a cura

Conforme os episódios avançam, Love Me se aprofunda nos conflitos familiares e nas feridas abertas que nunca cicatrizaram por completo. Revelações dolorosas vêm à tona, especialmente quando pai e filhos finalmente encaram seus sentimentos durante a visita ao túmulo da mãe. É nesse momento que segredos guardados por anos começam a ser verbalizados, permitindo que cada um passe a se enxergar como indivíduo e não apenas como parte de um trauma compartilhado.

De forma melancólica, honesta e extremamente humana, o K-Drama deixa claro que o caminho até a cura está longe de ser linear. Há recaídas, decisões difíceis e atitudes egoístas que nascem da maldade, mas do instinto de sobrevivência. Alguns episódios são particularmente pesados, colocando o trio diante de situações que testam seus limites emocionais e revelam o quanto viver também exige coragem.

Cada um no seu ritmo: emoções que evoluem lentamente

Desde os primeiros episódios, Love Me deixa claro que não será um romance convencional. A paleta de cores mais escura, os diálogos densos e a trilha sonora melancólica reforçam a atmosfera de introspecção que guia toda a narrativa. Assim como a solidão que permeia os personagens, as camadas emocionais levam tempo para se abrirem por completo. É um processo gradual, que exige paciência mas que se mostra profundamente recompensador para quem aceita acompanhar esse ritmo mais contido.

Cada romance não surge como solução mágica para o sofrimento, mas como uma extensão natural de personagens que começam, aos poucos, a se reconectar consigo mesmos. Amar, aqui, não é o ponto de partida — é consequência.

Jun Kyung e Do Hyun: afeto sem urgência

Nada acontece de forma imediata, e isso é intencional. O relacionamento entre Jun Kyung e seu vizinho, Ju Do Hyun (Chang Ryul), cresce de maneira orgânica, respeitosa e silenciosa, acompanhando o tom contemplativo da série. Do Hyun não aparece como alguém que tenta “salvá-la” ou consertar suas feridas, mas como uma presença gentil, paciente e curiosa — alguém que oferece leveza sem invadir, e que sabe esperar.

Até mesmo o primeiro contato entre os dois foge do padrão tradicional das séries coreanas românticas. Há humor, estranhamento e uma quebra bem-vinda da densidade emocional. Quando Do Hyun finalmente se apresenta, sua proposta resume bem a essência da relação: “Não vou ser seu vizinho por muito tempo. Vou me mudar logo e não vamos mais nos encontrar por acaso. Que tal a gente se encontrar de propósito para uma mudança de ar?” 

Essa frase simples carrega algo essencial: a escolha consciente. Em uma vida marcada por fugas emocionais, Jun Kyung começa a considerar, pela primeira vez, a possibilidade de permanecer.

Jin Ho e Ja Young: amor depois do luto

O romance entre Jin Ho (Yoo Jae Myung) e Jin Ja Young (Yoon Se Ah) é tratado com uma delicadeza rara. Arrisco a dizer que, entre os três, é o meu casal favorito. Diferente dos conflitos amorosos mais impulsivos dos filhos, a história dos dois fala sobre culpa tardia, medo de seguir em frente e a sensação de que a felicidade pode ser um desrespeito à memória de quem partiu.

Ja Young não entra na vida de Jin Ho para forçar, pressionar ou exigir. Ela entende o peso que ele carrega e o acompanha no seu ritmo, mostrando que o amor maduro também pode ser silencioso, cuidadoso e paciente. A relação dos dois reforça uma das mensagens centrais de Love Me: recomeçar não significa esquecer, mas aprender a conviver com a ausência sem se punir por continuar vivendo.

Jun Seo e Hye On: entre amadurecer e deixar ir

O arco romântico de Jun Seo (Lee Si Woo) reflete o momento mais instável da juventude: o conflito entre apego, insegurança e amadurecimento. Sua relação com Hye On (Dahyun do TWICE) traz à tona a dor da traição de uma namorada que ele idolatrava, o medo de ficar para trás e a dificuldade de entender o que se quer para o próprio futuro.

Ao longo da série, Jun Seo precisa confrontar não apenas o fim de um relacionamento, mas também sua própria dependência emocional e falta de direção. A amizade de infância que vira romance não é idealizada. Seu personagem é frustrante, confuso e real. É através desse processo que Jun Seo começa a se enxergar fora da sombra do pai e da irmã, dando os primeiros passos rumo à própria independência.

Quando o peso começa a ceder

Apesar da sequência de episódios emocionalmente densos, Love Me encontra espaço para equilibrar esse peso com pequenos gestos de afeto e situações inusitadas. O padre Moon Chang Sik (Lee Si Hun) é um bom exemplo disso. Com um humor inesperado, ele se torna o confidente da família Seo, recebendo desde confissões carregadas de culpa até dilemas afetivos mais ingênuos. 

Quando Jun Seo se vê dividido entre investir em um novo amor ou preservar uma amizade de infância de duas décadas, o tom do K-Drama suaviza sem perder profundidade. As reuniões familiares com os “novos agregados” também ganham destaque nesses momentos mais leves. 

A narração sobre a passagem das estações reforça essa ideia de ciclo: cair, levantar, enfrentar o inesperado e tentar de novo. Esse movimento se reflete fora do núcleo principal. A história da atendente da loja de conveniência, que dividia com Jun Kyung a mesma solidão silenciosa, é um pequeno arco que marca por sua simplicidade. 

Entre a solidão e o afeto, o lento aprendizado de amar

Review do K-Drama Love Me: pôster com Seo Hyun Jin (Seo Jun Kyung), Chang Ryul (Ju Do Hyun), Yoo Jae Myung (Seo Jin Ho), Yoon Se Ah (Jin Ja Young), Lee Si Woo (Seo Jun Seo) e Dahyun (Ji Hye On)

Love Me pode começar em um ritmo lento e, por vezes, irregular, mas encontra força naquilo que se recusa a apressar. Ao longo dos episódios, o K-Drama se revela uma história profundamente pessoal e emocionalmente honesta sobre solidão, cura e a possibilidade, ainda que tímida, de conexão. É uma jornada que pede paciência, mas recompensa quem aceita caminhar no tempo dos personagens.

A trilha sonora melancólica e contemplativa acompanha a transformação da família com sensibilidade. No final, a mudança da paleta — dos tons escuros para cores mais claras — reflete o percurso interno da protagonista. A mulher que antes caminhava de cabeça baixa, isolada pelo som dos fones de ouvido, agora observa o mundo ao seu redor e sorri ao notar os primeiros flocos de neve caírem. Um detalhe simples, mas cheio de significado.

Vale a pena entrar nesse ritmo?

Não é um K-Drama para todos. Love Me é para quem aprecia histórias mais realistas e maduras, que falam de culpa, luto e das rachaduras que carregamos em silêncio. Confesso que, no início, o ritmo me pareceu arrastado e a conexão não foi imediata. Mas, com o passar dos episódios, a série se tornou uma das melhores companhias das minhas sextas-feiras. Quando a mensagem se revela, o ritmo finalmente faz sentido.

Com atuações sólidas — especialmente de Seo Hyun Jin e Yoo Jae Myung — e um roteiro que respeita o tempo emocional de seus personagens, a série conquista pela honestidade emocional e sensibilidade. É um slow burn que escolhe a cura antes do romance — e isso dialoga perfeitamente com o pedido implícito do título: Love Me.

Agora me conta nos comentários: qual K-Drama da Seo Hyun Jin é o seu favorito? ˆ-ˆv

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