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[Review] Cashero questiona: quanto custa ser um super-herói?

Review do K-Drama Cashero: Kang Sang-Ung (Lee Junho) com dinheiro nas mãos desaparecendo

Você já sentiu seu dinheiro desaparecer como se fosse mágica? Para Kang Sang-Ung, o protagonista de Cashero (캐셔로), isso não é apenas uma metáfora de fim de mês, mas a fonte de seu superpoder. Imagine um universo onde a força física é proporcional ao saldo na conta, mas cada soco desferido esvazia o seu bolso. Entre vilões caricatos e a luta real para pagar os boletos, o K-Drama da Netflix mistura a estética das HQs com o peso da vida adulta.

Baseada no webtoon homônimo de Lee Hoon e No Hye-ok (team befar) — publicado originalmente entre 2015 e 2016 — a trama conta com 8 episódios e a direção de Lee Chang-Min para dar vida a um grupo de heróis nada convencionais. Juntos, eles precisam equilibrar a salvação do mundo com a sobrevivência financeira, algumas calorias a mais e doses recorrentes de álcool. Embarca comigo?

Ficha técnica de Cashero

Série: Cashero (캐셔로)

Gênero: Ação, Comédia, Drama e Fantasia

Número de Episódios: 8

Estreia: 26 de dezembro de 2025

Direção: Lee Chang-Min

Roteiro: team befar (webcomic), Lee Je-In, Jeon Chan-Ho

Elenco principal: Lee Junho (Kang Sang-Ung), Kim Hye-Jun (Kim Min-Suk), Lee Chae-Min (Jo Nathan) e a lista completa


Kang Sang-Ung (Lee Junho) é um funcionário público aparentemente comum, que sonha em juntar dinheiro para comprar sua própria casa e viver uma vida simples ao lado da namorada Kim Min-Suk (Kim Hye-Jun). Ela é extremamente pragmática e focada em números. A dinâmica do casal foge do romantismo idealizado: Sang-Ung cede, Min-Suk lidera. Os planos iam bem até que ele herda de seu pai uma força sobre-humana que só funciona enquanto Sang-Ung tem dinheiro em mãos. No momento em que usa o poder, as notas desaparecem. 

O grupo se expande com Byeon Ho-In (Kim Byung-Chul), um advogado capaz de atravessar paredes graças ao álcool, e Bang Eun-Mi (Kim Hyang-Gi), cuja telecinese é movida por calorias (especificamente pães e doces). Juntos, eles enfrentam uma associação criminosa que caça pessoas com habilidades especiais.

Um herói comum com um poder nada comum

Superpoderes, heróis relutantes, vilões excêntricos e uma regra curiosa: em Cashero, “dinheiro é poder” (literalmente). O K-Drama da Netflix aposta em uma premissa criativa ao imaginar um mundo onde habilidades sobrenaturais dependem de recursos financeiros, calorias ou até álcool. 

A ideia rende situações engraçadas e angustiantes, especialmente quando cada nota que desaparece representa economias, sonhos e até heranças familiares. A dinâmica entre Sang-Ung e Min-Suk pode parecer fria à primeira vista, mas a relação se mostra mais sólida e realista do que muitas histórias tradicionais do gênero. 

O foco não é no romance, mas no contraste entre um namorado que só se deixa levar e uma namorada que planeja cada passo minuciosamente. Isso fica ainda mais claro na forma como ela vê os poderes dele. Apesar de achar ineficiente e questionar o tempo todo o porquê de Sang-Ung usar o seu próprio dinheiro pelo bem dos outros, Min-Suk acaba se tornando sua maior estrategista.

No decorrer dos oito episódios, a narrativa mistura ação com humor e insere comentários sociais para equilibrar entretenimento leve com reflexões sobre poder, sacrifício e o valor das escolhas em um mundo movido pelo dinheiro. 

Superpoderes com regras (e consequências)

Além de Sang-Ung, Cashero apresenta outros personagens com habilidades ativadas por condições pouco convencionais: Byeon Ho-In consegue atravessar qualquer barreira depois de algumas doses de álcool e Bang Eun-Mi usa a telecinese para movimentar qualquer coisa desde que suas calorias estejam em níveis altos. Juntos, o trio enfrenta uma organização criminosa que caça pessoas com poderes, enquanto tentam manter suas vidas comuns intactas.

A proposta é interessante, mas o roteiro nem sempre aprofunda suas próprias ideias. Há conceitos promissores que ficam no raso, como a origem dos vilões, a rivalidade entre Jo Anna (Kang Han-Na) e Jo Nathan (Lee Chae-Min) ou a lógica por trás dos poderes adquiridos de forma “ilegítima”, que aparentemente não carregam consequências como a de seus portadores originais — o que seria bem injusto dentro do próprio universo da série, não é?

A força de Lee Junho vai além do dinheiro

O grande trunfo de Cashero é, sem dúvida, a presença de Lee Junho. Após vê-lo pessoalmente no fan meeting Midnight Sun aqui no Brasil, minhas expectativas para seus novos projetos estavam altas, e ele não decepciona. 

Sua evolução fica visível nos papéis das últimas séries coreanas: do CEO carismático de King the Land a uma jornada de amadurecimento com Tae-Poong em Typhoon Family até chegar em um homem comum, confuso e angustiado ao ver as economias da mãe sumirem, como em um passe de mágica, para salvar um ônibus. 

Lee Junho entrega um protagonista carismático e surpreendentemente diferente de seus papéis recentes. Aqui, ele é inseguro, perdido, engraçado em seus monólogos internos e muito humano. Essa construção funciona especialmente bem nos primeiros episódios, que equilibram humor e melancolia, como nas cenas em que o dinheiro literalmente escorre de seus bolsos enquanto ele tenta fazer a coisa certa.

Aposta em tom “popcorn flick” para entreter

A direção acerta em alguns enquadramentos pontuais: como a perseguição nas escadas com a Lee Hwa-Jin (Cho Bo-Ah), cenas contemplativas e momentos de pausa que trazem calor emocional à narrativa. No entanto, o roteiro flerta com o surrealismo de forma questionável às vezes, oscilando entre o cartunesco, o dramático e a falta de senso, o que quebra a imersão em alguns momentos e dilui a força da história.

A série funciona bem como um “popcorn flick” — aquele conteúdo leve, rápido e fácil de assistir, para maratonar sem compromisso. É mais para entreter do que para provocar. Cashero se apoia em uma estrutura simples, conflitos previsíveis, humor pontual e uma premissa curiosa o suficiente para manter o interesse. O K-Drama compensa a falta de profundidade com carisma, bom ritmo e uma ideia central criativa. 

Saldo final: vale a pena assistir Cashero?

Cashero entrega exatamente o que propõe e o que se espera de uma produção desse gênero. A premissa do “dinheiro é poder” é criativa, a rivalidade entre Sang-Ung e Jo Nathan convence (por motivos além do roteiro xD) e mantém a curiosidade, mesmo quando a história se torna previsível ou até um pouco infantil — e não explore todo o potencial do universo que constrói.

A série também deixa claro que, embora dinheiro seja poder, a verdadeira força vem dos sentimentos, da vontade de proteger os outros e das conexões. Não é um K-Drama memorável, mas é uma experiência divertida — especialmente para quem gosta de histórias de super-heróis com um toque coreano e personagens imperfeitos tentando fazer o melhor que podem (mesmo sem ter um tostão no bolso).

Cashero é uma metáfora divertida sobre como “dinheiro é poder”, mas reforça que, no fim das contas, a verdadeira força vem do coração e do apoio (no amor, em equipe, de quem está ao seu redor). É uma experiência divertida, mas previsível. Se você busca algo descompromissado para relaxar, vale o play — especialmente pelo Junho (mais uma vez).

O K-Drama brinca com a ideia de que todo poder tem um custo. Meu superpoder definitivamente não funcionaria sem café. E o seu? ☕

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