
Se o K-pop vive de contrastes e reinvenções, Fame não escapa dessa tradição. O novo single album do RIIZE (라이즈), que chega nesta segunda-feira, 24 de novembro, se afasta do frescor ensolarado de lançamentos anteriores, como “Impossible” ou até mesmo o debut com “Get a Guitar”, e mergulha em tons mais sóbrios. O som ainda é o mesmo emotional pop do último comeback com Odyssey, mas sob uma perspectiva mais introspectiva e sensorial.
Dessa vez, Anton, Eunseok, Shotaro, Sohee, Sungchan e Wonbin constroem camadas que se expandem aos poucos — em um crescimento lento e calculado. Quando ouvi as três faixas pela primeira vez, tive a sensação de atravessar um dia inteiro: da noite silenciosa ao amanhecer contido. Embarca comigo?
Fame
Dando nome ao álbum, “Fame” é a faixa principal e também a que marca essa transição da noite para o dia na minha percepção sensorial. Os meninos do RIIZE a descrevem como algo “diferente de tudo que já fizeram”. E, para quem acompanha o grupo desde a estreia, realmente é. Aqui, o emotional pop já característico da discografia ganha uma nova roupagem: um rage hip-hop impulsionado por guitarras texturizadas e batidas minimalistas que alternam entre momentos de energia e contenção.
Entre versos como “They don’t really love me”, “Will she love me? Even if I break down” e “Not just the outward appearance, but the real me”, a mensagem por trás da letra parece explorar a tensão entre imagem e identidade. A forma como o MV distorce a imagem dos membros em um efeito visual que simula o rastros de movimento (motion blur) reforça essa ideia.
No entanto, em outros trechos — como “Ain’t ‘bout the fame, nah” e “All I did it for / My love, not fame” — é como se o RIIZE dissesse que a fama é secundária e que o amor pelo palco é a motivação para seguir em frente. Talvez seja um pouco de cada.
Para mim, ao contrário da maioria das músicas do grupo, “Fame” é neutra. Espontaneamente, não deve rotacionar tanto por aqui, mas pode aparecer na minha playlist de warm-up antes de uma sessão de dança ou de uma corrida. Ela tem o tipo de mood que combina bem para aquecer. E, por falar nisso, o ponto alto é a coreografia. Embora a melodia não seja explosiva, os movimentos carregam intensidade.
“Something’s In The Water”
Lembra da analogia no início do review sobre atravessar o dia? “Something’s In The Water” abre o álbum com uma vibe low-key no embalo de um pop R&B, pronto para fazer companhia durante a noite. É relaxante e melancólica, pena que dura tão pouco: apenas 2:26.
“Sticky Line”
Já “Sticky Line”, a última faixa, é a mais upbeat das três, embora mantenha a estética contida do álbum. Se “Something’s In The Water” combina com o clima tranquilo do fim do dia, “Sticky Line” é como o nascer do sol: ritmada por um pop rock dance suave. É o tipo de música que carrega aquela energia boa para começar o dia. E, no meio delas, marcando a transição de uma para outra, está “Fame”.
Com este comeback, o RIIZE assume riscos, experimenta novos tons e entrega um trio de faixas guiadas por uma atmosfera low-key. Fame é mais dark e mais chill do que estamos acostumados. Pode não causar o mesmo impacto imediato de lançamentos anteriores, mas cumpre com suavidade o papel de revelar uma faceta diferente do grupo. O álbum é um convite a escutar sem pressa, até que cada detalhe se revele.
| Grupo | RIIZE (라이즈) |
| Álbum | Fame |
| Lançamento | 24 de novembro de 2025 |
| Titletrack | “Fame” |
| Label | SM Entertainment |
Já conferiu as três faixas? Ouça o álbum Fame completo no Spotify. 🎧