
Em meio a uma névoa de segredos, planos guardados a sete chaves e identidades trocadas, Ms. Incognito (착한 여자 부세미) começa como um suspense de tirar o fôlego. A história mergulha em um jogo perigoso de poder, dinheiro, conflitos familiares e sobrevivência, onde nada é o que parece — e onde uma simples cicatriz pode colocar tudo a perder (literalmente).
O K-Drama do ENA traz o mesmo diretor de Kingdom e da segunda temporada de Love Alarm, além da participação da atriz Jeon Yeo-Bin. Com uma atmosfera tensa, fotografia refinada e algumas atuações envolventes, a série parecia pronta para se tornar o novo thriller de referência de 2025. Mas nem todo disfarce dura para sempre. Embarca comigo?
Ficha técnica de Ms. Incognito
Série: Ms. Incognito (착한 여자 부세미)
Gênero: Thriller, Crime e Romance
Número de Episódios: 12
Estreia: 29 de setembro de 2025
Direção: Park Yoo-Young (Kingdom, Love Alarm S2)
Roteiro: Hyun Gyu-Ri
Elenco principal: Jeon Yeo-Bin (Kim Young-Ran/Bu Se-Mi), Jin Young (Jeon Dong-Min), Seo Hyun-Woo (Lee Don), Jang Yoon-Ju (Ga Sun-Young), Joo Hyun-Young (Baek Hye-Ji) e a lista completa
Kim Young-Ran (Jeon Yeo-Bin) começa como guarda-costas de um poderoso magnata do conglomerado Gasung Group, mas sua vida muda completamente quando ela aceita um casamento por contrato com seu chefe terminalmente doente. O acordo promete resolver seus problemas financeiros, mas logo se transforma em uma fuga por sobrevivência. Sob a nova identidade de Bu Se-Mi, ela precisa se esconder por três meses em uma vila pacata, enquanto a família caça a herança do falecido empresário. Lá, ela assume o papel de professora de jardim de infância, tentando manter o disfarce diante de Jeon Dong-Min (Jin Young), um produtor de morangos e pai solteiro que desconfia da “perfeita” Bu Se-Mi.
Review de Ms. Incognito
Os primeiros episódios de Ms. Incognito entregam tudo o que um bom thriller promete: ritmo ágil, personagens complexos e uma protagonista em constante dilema moral. A combinação de um casamento arriscado (o desejo de vingança pela morte da filha de um lado e o desejo de se libertar de uma família abusiva do outro), uma herança cobiçada e uma vilã imprevisível constrói uma narrativa envolvente, com potencial de se tornar um dos melhores do gênero.
Quando todas as peças são colocadas no tabuleiro, começa a contagem regressiva de três meses — forçando a protagonista a sobreviver a qualquer custo para honrar um contrato que coloca toda a fortuna do Gasung Group em jogo.
A cinematografia — marcada por enquadramentos precisos, imagens nítidas e uma paleta fria — intensifica o clima de paranoia e isolamento. Enquanto as peças começam a se mover em seus espaços delimitados, a curiosidade para saber como será o checkmate aumenta.
Quando o disfarce começa a ruir
Apesar de toda a tensão no início, o K-Drama logo se rende a uma queda perceptível: que acentua quando Young-Ran chega ao pacato vilarejo de Muchang. A trama, antes densa e misteriosa, começa a se perder em reviravoltas previsíveis e coincidências convenientes demais para nos convencer do contrário. E, com elas, a identidade de Bu Se-Mi acaba sendo revelada mais cedo do que deveria, dissolvendo o suspense que sustentava o enredo. Depois do primeiro, seu disfarce sofre uma avalanche de descobertas quase que em sincronia.
Entre trocas de estratégias e de planos, os gêneros passam a se alternar — suspense, comédia e romance se revezam — fazendo o roteiro perder um pouco o foco. Isso afeta o comportamento dos personagens.
A protagonista, inicialmente forte e determinada, passa a reagir mais do que agir. E para aumentar sua desvantagem, Kim Young-Ran/Bu Se-Mi troca a razão pela emoção e deixa o impulso falar mais alto em algumas situações. Seu par Jeon Dong-Min tem carisma de sobra, mas carece de profundidade, desenvolvimento e motivação (sem falar em química). A vilã Ga Sun-Young, embora fascinante (e ao mesmo tempo, angustiante por estar sempre um passo à frente em suas crueldades), é retratada de forma caricatural, com poder e influência que desafiam qualquer lógica interna.
Aspectos técnicos e atuações
Ms. Incognito é a terceira série coreana que vejo com a atriz Jeon Yeo-Bin. A primeira foi A Time Called You, e a segunda, Vincenzo. Suas personagens costumam ser envolventes. Aqui, Jeon Yeo-Bin entrega uma performance sólida, especialmente nas cenas de ação e tensão, mas o roteiro não lhe dá o material necessário para evoluir sua personagem.
Apesar de ser seu par romântico, Jin Young não tem tanto espaço quanto ela. Ele até mostra um personagem fofinho, daqueles com quem você pode contar, mas sem profundidade ou até mesmo expansão do seu contexto como pai. Sua química com a protagonista é discreta, quase inexistente, e o romance parece fluir mais por obrigação do que por qualquer outro motivo.
Joo Hyun-Young é divertida no início com seus passos silenciosos de balé, sempre tentando ver e ouvir segredos da sua ‘친구’. A cena em que ela joga as chaves dos carros dentro de uma panela fervendo é uma das mais engraçadas e inesperadas. No decorrer dos episódios, suas ações se tornam um pouco invasivas e suas motivações não ficam tão claras. Seo Hyun-Woo é o advogado cheio de conexões e com patrocínio suficiente para mover suas peças no jogo. Sem muito mais a falar sobre ele.
Para completar o círculo das atuações principais, Jang Yoon-Ju mostra uma vilã com potencial de irritar até as pessoas mais calmas. A torcida por um checkmate em cima dela foi grande.
Impressões finais de Ms. Incognito
Ms. Incognito é um thriller que começa com força, mas perde fôlego rapidamente. Sua promessa de suspense psicológico e crítica social sobre desigualdade e identidade se dilui em um emaranhado de subtramas e conveniências narrativas. Apesar da revelação precoce do disfarce — quebrando um ritmo que deveria se estender por mais tempo para manter a tensão — vale assistir pelas atuações competentes e pelo visual cinematográfico.
A direção de fotografia capta a beleza natural da vila, em contraste com a tensão psicológica em torno da protagonista. Cada take de paisagens ao redor de Muchang desperta a vontade de viajar para conhecer. A trilha sonora reforça bem o clima de suspense, ainda que o roteiro não sustente o mesmo nível de intensidade.
Buried Hearts também é um K-Drama com conflitos familiares, briga por herança e busca por vingança, que começa forte e traz algumas questões existenciais. ˆ-ˆv