K-Drama · Review

The Murky Stream: Ro Woon brilha como anti-herói em Joseon corrompida

K-Drama The Murky Stream com Ro Woon como Jang Siyul

Em meio à poeira e à lama, “The Murky Stream” (탁류) mergulha na face mais obscura da Dinastia Joseon, em uma época onde o dinheiro e a ganância sujam até o lendário Rio Gyeonggang. O K-Drama histórico da Disney+ captura a essência de uma era em decomposição moral, com uma força visual e emocional difícil de ignorar. 

É neste cenário sem lei e dominado pela corrupção que o ator Ro Woon protagoniza uma chocante transformação de imagem. Ele entrega uma performance crua e intensa como Jang Siyul, um poderoso anti-herói gangster forçado a lutar por justiça no porto de Mapo Ferry. 

Depois de acompanhar 9 episódios repletos de tensão, dilemas éticos e atuações memoráveis, eu vim aqui para compartilhar o que achei. Prepare-se para entrar em um submundo cheio de ação e reviravoltas. Embarca comigo?

Ficha técnica de The Murky Stream

Série: The Murky Stream (탁류)

Gênero: Histórico, Ação, Thriller e Drama

Número de Episódios: 9

Estreia: 26 de setembro de 2025

Direção: Choo Chang-Min

Roteiro: Chun Sung-Il

Elenco principal: Ro Woon (Jang Siyul), Park Seo-Ham (Jung Chun), Shin Ye-Eun (Choi Eun) e a lista completa


À primeira vista, Jang Siyul (Ro Woon) parece um homem comum que se mistura à multidão para sobreviver enquanto esconde seu passado, mas essa imagem é apenas a superfície de algo muito mais profundo. Jung Chun (Park Seo-Ham) é um oficial honesto que tenta purificar o governo, mas se vê tragado pela podridão que tenta combater. Choi Eun (Shin Ye-Eun) é uma comerciante íntegra que se recusa a participar dos esquemas corruptos, desafiando um sistema que não perdoa mulheres determinadas.

Ambientada às margens do rio Gyeonggang, centro de comércio e poder da era Joseon (1392-1910), a história se propõe a acompanhar esses três personagens, que têm seus destinos entrelaçados em uma terra sem lei, sufocante e cinzenta. O rio, antes límpido, tornou-se turvo, reflexo de um espelho da sociedade que ele sustenta. 

Review de The Murky Stream

Filmado quase inteiramente em locações externas (98%), The Murky Stream impressiona pelo realismo da ambientação. O mergulho realista em tempos sombrios transparece em cada detalhe — das roupas gastas à iluminação natural e aos tons de terra — criam uma imersão completa, quase incômoda, para retratar a dureza da vida na era Joseon do século XVI. É possível sentir o peso do tempo, a exaustão dos trabalhadores e a decadência do reino.

A trilha sonora discreta, pontuada por instrumentos tradicionais, reforça o clima melancólico e a sensação de que cada decisão tem um preço — e pode custar não apenas uma, mas muitas vidas. É um K-Drama que não se apressa, prefere nos conduzir devagar entre seus episódios para nos dar a chance de absorver as dores e silêncios de cada personagem.

O marco de Ro Woon: transformação física e emocional

A grande força motriz de The Murky Stream é a performance de Ro Woon como Jang Siyul. O ator abandona sua imagem de galã polido para encarnar um personagem rude, coberto pela sujeira do cais e assombrado por um passado trágico.

Sua transformação física é notável, mas o verdadeiro brilho reside na sua atuação madura. Ro Woon transmite a dor, a culpa e as emoções contidas (entre desespero, arrependimento e raiva) apenas com o olhar. É uma performance crua e intensa, que o estabelece definitivamente como um “action craftsman” (mestre de ação). A atuação de Ro Woon, que domina a tela, é de longe a melhor de sua carreira (embora eu goste muito do seu lado doce como o Haru de Extraordinary You).

Apesar do pouco tempo de tela, menos do que imaginava, Shin Ye-Eun se sai bem como a líder dos comerciantes de seu clã, enquanto Park Seo-Ham dá credibilidade ao idealismo impotente de seu personagem. Queria ter visto um pouco mais dela para ver as diferenças com a Seo Jong-Hee de A Hundred Memories. Entre os coadjuvantes, Park Ji-Hwan (Mu Deok) surpreende ao roubar várias cenas, como se ele fosse o maior protagonista da história.

Roteiro ambicioso, mas com o foco distorcido

Embora os primeiros episódios estabeleçam a história com maestria, a narrativa se perde nos atos centrais (episódios 4 a 7).  O roteiro perde fôlego no meio do caminho, desviando o foco dos protagonistas para subtramas menos impactantes. 

A premissa inicial estabelece três protagonistas com destinos cruzados no Rio Gyeonggang: Jang Siyul (o gangster em busca de vingança), Choi Eun (a mercadora de integridade inabalável) e Jung Chun (o oficial idealista). Eles deveriam representar diferentes morais de um sistema corrupto. Essa promessa não se concretiza plenamente. Siyul é quem tem um pouco mais de espaço, mas quase sem interação com os outros dois. 

O foco fica mais em torno de Mu Deok e dos conflitos entre bandidos, drenando o tempo que poderia ter sido usado para aprofundar a jornada e o dilema moral do trio. 

O K-Drama levanta questões profundas sobre poder, corrupção e os limites da consciência, mas falha em se aprofundar nessas “águas turvas”, deixando o potencial narrativo às margens do rio. Apesar das falhas de foco, a série é impecável em termos de produção:

  • Direção precisa, fotografia de tirar o fôlego e elenco comprometido; 
  • Cenas de ação bem coreografadas, especialmente o confronto entre Siyul e Deok-Gae no episódio 5, com ângulos dinâmicos e um estilo realista;
  • O elo de fraternidade desenvolvido entre Siyul e os gangsters do cais traz um alívio cômico necessário em meio à premissa trágica, violenta e sombria.
  • A mensagem sobre moralidade e sobrevivência em tempos de injustiça ressoa fortemente, mesmo quando o enredo se dispersa.

Impressões finais de The Murky Stream

Cena do K-Drama The Murky Stream com Park Seo-Ham (Jung Chun) e Shin Ye-Eun (Choi Eun)

Apesar das imperfeições narrativas, The Murky Stream é uma obra sólida e provocante, que entrega mais do que uma simples ambientação histórica. É uma reflexão sobre a corrupção, o poder e o limite da humanidade: temas universais tratados com sensibilidade e força visual.

O K-Drama impressiona pela atmosfera cinematográfica e, acima de tudo, pela transformação corajosa e convincente de Ro Woon. Eu até diria que a atuação dele já faz valer a maratona, principalmente se você tiver visto outros personagens como o Haru ou o Jang Shin-Yu de Destined With You — e, com seu alistamento, o próximo projeto pode demorar um pouco (a não ser que tenha algo pré-gravado). É imperdível para quem gosta de séries coreanas adaptadas durante a era Joseon com visuais realistas.

Se você prefere ainda mais intensidade, com romance no meio, Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo não pode ficar fora da sua lista. Mas prepare o lenço! *-*

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