
Desde o dia 5 de abril de 2025, quando a turnê dominATE passou pelo Brasil, a saudade se transformou em um sentimento permanente por aqui. E nesta quarta-feira, 18 de junho, ela bateu ainda mais forte com a chegada de Hollow — o 3º miniálbum japonês do Stray Kids (스트레이 키즈).
O grupo apresenta cinco faixas inéditas que aprofundam sua sonoridade melódica e emocional. A titletrack “Hollow”, que dá nome ao EP, ganhou um MV no dia 11 de junho e rapidamente dominou os charts do Japão e do mundo, além de estrear no topo do YouTube em vários países, incluindo o Brasil. Quanto orgulho, né?
Enquanto o domínio de Bang Chan, Changbin, Felix, Han, Hyunjin, I.N, Lee Know e Seungmin continua, vamos para a análise do álbum. Vem comigo?
Minhas impressões do álbum Hollow




Hollow marca o retorno do Stray Kids ao mercado japonês após três anos desde o 2º EP CIRCUS (22 de junho de 2022) e cinco anos desde o 1º EP ALL IN (27 de outubro de 2020). Entre um e outro álbum, os meninos lançaram singles como “Social Path”, que segue nas minhas playlists como um dos favoritos — mais ainda depois de ouvir ao vivo e com o Felix cantando na minha frente, bem pertinho. ❤
Já o último comeback coreano veio com o lançamento da mixtape dominATE. Inclusive, os duetos entraram no setlist do show durante a passagem da turnê no Brasil.
Composto por cinco faixas, Hollow é um álbum que aposta mais na emoção contida do que na energia caótica que caracteriza muitos dos hits do Stray Kids. A sonoridade atende o J-pop clássico, com arranjos mais melódicos, participação em peso do 3RACHA (쓰리라차) e letras que exploram temas como solidão, superação e melancolia.
Com uma duração que gira em torno de três minutos, incluindo (com mérito) uma b-side que ultrapassa os quatro minutos, o álbum oferece algo que outros lançamentos recentes deixam passar: tempo para apreciar cada música.
“Parade” é a faixa mais explosiva do álbum e merece um lugar de destaque na playlist, assim como “Fate (宿命)”, que fecha a tracklist com uma das letras mais marcantes. “Never Alone” e “just a little” também se revelam como surpresas agradáveis para expandir o domínio do SKZ por territórios mais melódicos.
Hollow
A titletrack “Hollow” é um desabafo e um mergulho sensível em sentimentos como o vazio, a solidão, a busca por conexão e um lugar de pertencimento — inspirados em experiências do próprio Bang Chan. O nome combina o significado da palavra “hollow” em inglês (emptiness/vazio) e em coreano (lonely/sozinho). E a letra reflete exatamente isso: a sensação de estar sempre cercado por pessoas, mas nunca se sentir realmente preenchido.
“Hollow” foi revelada pela primeira vez durante o tour dominATE em Shizuoka, nos dias 10, 11, 17 e 18 de maio. Com a combinação de sintetizadores, guitarra elétrica, um piano melancólico e um filtro emocional, a faixa abraça uma estética introspectiva que pode parecer mais discreta para os padrões do Stray Kids, mas que entrega muito em sua profundidade.
Se antes as letras eram sobre encontrar seu caminho no mundo, agora elas refletem um vazio que nem mesmo o sucesso consegue preencher:
“I embrace everything and run, but why do I feel hollow? / Loneliness haunts me no matter where I am, I'm alone / Is it because the more alone I am, the more I need love? / Even if I force myself to satisfy, I'm so”
Seu refrão é cíclico e contém versos contidos, mas emocionalmente carregados. A estrutura da música é equilibrada, alternando entre vocais suaves e raps que, dessa vez, optam por um tom mais reflexivo do que agressivo.
O MV reforça a temática do vazio com cristais inalcançáveis, peças perdidas, os membros isolados em ambientes desconectados e os cabos, que parecem representar uma tentativa de escapar do peso da própria existência. Esse simbolismo é como um espelho para suas dores internas — aquelas que se escondem por trás da imagem brilhante que se espera de um artista. Mas até mesmo as estrelas podem se perder…e se sentir vazias.
Parade
Com batida marcante e um refrão que gruda instantaneamente, “Parade” é a faixa mais forte do álbum — a que mais se aproxima da sonoridade característica do SKZ: “Rum, pum, pum, pum, we ride / Hit the drum, drums / Make it hot, make it hot, make it pop, pop”. A letra funciona quase como um grito de resistência, e é fácil entender por que a faixa foi escolhida como tema do filme de terror Body Search: The Last Night, que estreia no Japão em setembro.
A sonoridade impactante, aliada ao uso dramático da percussão, constrói uma tensão que conversa bem com a proposta do longa. Mais do que isso, “Parade” reforça a versatilidade do grupo: mesmo dentro de um álbum introspectivo e mais melódico, eles sabem acender o palco com intensidade quando necessário.
Never Alone
“Never Alone” é como um abraço para os dias difíceis. A faixa mistura uma vibe de anime com uma letra de superação — daqueles temas que tocam fundo quem já passou por momentos de solidão e dúvida: “Let’s go, it’s time for us, journey to begin, to the end of the light / We can go anywhere / If we dance to the sound of the waves / Never alone, never alone, I know”.
A produção mantém uma leveza instrumental e uma melodia envolvente. Essa música tem cara de encerramento de um arco emocional. Poderia facilmente ser o ending de um anime sobre amizade e crescimento pessoal.
just a little
“just a little” é a faixa mais longa do álbum, e também a mais delicada. Conduzida por piano e instrumentação leve, é uma balada que não economiza nos sentimentos. A letra é especialmente tocante e, pessoalmente, foi a que mais me emocionou: “Just be by my side for a little longer / Just be with me for one more day / That’s fine, I’ll come again tomorrow / This is my last request, don’t go”.
Lembrei do show do Stray Kids no Brasil e da saudade que ficou. E essa música pareceu reabrir memórias de uma noite inesquecível guardadas com muito carinho. É impossível não se deixar levar. Por que as lágrimas não param de cair? Efeito “Cover Me”? *-*
Fate (宿命)
“Fate (宿命)” fecha o álbum com maestria. Com uma introdução instrumental lindíssima e uma construção melódica digna de trilha sonora de anime, a música explora temas como destino e escolhas inevitáveis.
Se “just a little” me deixou emotiva, a letra dessa b-side entrou no coração como favorita: “A fateful encounter is a promise I made to that sky / My feelings grow so strong that no one can stop them, yeah / In a life that passes like an illusion / I met you and you became everything to me, yeah”. O refrão reflete o sentimento que ficou depois do nosso primeiro encontro no Brasil, especialmente a última frase.
Como uma metáfora poderosa para a luta invisível que tantos enfrentam, inclusive nós, Hollow nos lembra que não é preciso estar no palco para sentir o peso do mundo nos ombros. Que mesmo quando sorrimos por fora, podemos estar desmoronando por dentro. O álbum é um abraço silencioso para todos que já se sentiram quebrados, perdidos, ou vazios — uma forma de dizer: “você não está sozinho”. Stray Kids não apenas expõe as rachaduras, mas também ilumina a coragem de quem continua seguindo, mesmo em pedaços. E é justamente por isso que ele toca tão fundo: porque no reflexo da dor deles, encontramos também a nossa.
Já ouviu toda a tracklist? Ouça o álbum Hollow completo no Spotify e compartilhe suas faixas favoritas. 🎧