
ゴブリンか? Em um mundo onde aventureiros buscam fama, glória e dragões para subir de rank e deixar seu nome na história, existe um homem que olha para o canto mais escuro do mapa e diz: ゴブリンを退治だ. É assim que começa Goblin Slayer 「ゴブリンスレイヤー」, um anime que, com sua brutalidade desconcertante nos conduz por uma jornada inesperada — não para salvar o mundo, mas para aniquilar todos os goblins da face da Terra.
A adaptação da light novel de Kagyuu Kumo (história) e Kannatsuki Noboru (arte) ganhou duas temporadas e um filme. A primeira, com 12 episódios, foi ao ar em 2018. Goblin Slayer rapidamente conquistou seu espaço pela abordagem sombria e visceral dentro do gênero fantasia. Dois anos depois, veio o longa. Ambos com o estúdio White Fox (Akame ga Kill!).
Em 2023, a sequência trouxe mais 12 episódios, produzidos pelo LIDENFILMS (Kimi wa Houkago Insomnia, Kami wa Game ni Ueteiru, Bye Bye Earth, Lost Song, Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan, Mahoutsukai no Yakusoku). Vem comigo?
Ficha técnica de Goblin Slayer
Anime: Goblin Slayer
Gênero: Ação, Aventura e Fantasia
Número de Episódios: 12 (1ª temporada) + Filme + 12 (2ª temporada)
Estreia: 7 de outubro de 2018 + 1 de fevereiro de 2020 + 6 de outubro de 2023
Estúdio: White Fox (1ª temporada e filme) e LIDENFILMS (2ª temporada)
Adaptação: light novel de Kagyuu Kumo (história) e Kannatsuki Noboru (arte)
Em sua primeira missão como aventureira iniciante, uma jovem Sacerdotisa e seu grupo caem em uma emboscada dos goblins. Frequentemente desprezadas e vistas como personagens fracos em jogos de RPG, essas criaturas são apresentadas sob uma nova e perturbadora perspectiva. Aqui, eles assolam vilarejos de forma cruel e sequestram mulheres para fins hediondos. No ápice do desespero, ela vê sua vida ser salva pelo Goblin Slayer: um guerreiro silencioso e metódico, que transformou sua vida em uma missão de eliminar goblins, usando desde táticas engenhosas até pura força bruta.
Review de Goblin Slayer
Não se engane pela premissa simples. A primeira temporada de Goblin Slayer chegou com tudo (e mais um pouco) em 2018 para causar. E sim, há uma escolha deliberada em chocar, já que a violência explícita e a crueldade servem para mostrar o horror real e cotidiano de um mal ignorado por todos.
魔物が世界を滅ぼす前に、ゴブリンが村を滅ぼす。 世界が危機に瀕しているからといって、ゴブリンを生かしておく理由にはなりません。」
“Before the demons destroy the world, the goblins will destroy the villages. The world being in danger isn’t an excuse to let the goblins live.” 2018, Goblin Slayer-さん
Nesse contexto, os goblins não são mascotes, nem alívio cômico e muito menos romantizados como no K-Drama Goblin. São monstros cruéis que atacam vilas sem qualquer motivo aparente e se divertem às custas do sofrimento dos humanos. Para salvar o mundo, existem os heróis (aqui o papel fica com um trio de heroínas). Quem pode parar os goblins então? É justamente esse tipo de perigo que o protagonista decide enfrentar.
Goblin Slayer-さん
Conhecido apenas como Goblin Slayer, o personagem desperta um fascínio intrigante. Ele quase não fala. Quando fala, seu tom é direto. O que você mais vai ouvir durante todo o anime é “そうか” ou algo como “ああ”. Se faltam palavras, também somos privados da chance de vê-lo como ele é — sem a armadura que cobre todo o seu corpo e o rosto.
>>> Alerta de spoiler!
Ele não tira a armadura por nada no mundo, nem mesmo para ir na festa de casamento da irmã da Elfa. Consegue imaginar? xD Há apenas dois momentos em que o Goblin Slayer mostra que realmente há um humano por trás de todo aquele equipamento. Um deles é durante a magia da ressurreição após a quest em Water Town. O outro é uma divertida cena no fim da 1ª temporada, depois da batalha contra a horda de goblins que ameaça sua cidade. A pedido da Sacerdotisa, ele tira o capacete e atrai os olhares curiosos de todos. 🙂
Goblin Slayer é um homem moldado por um trauma do passado. Sobreviveu a uma tragédia e passou a viver por uma única missão: exterminar goblins. Sua obsessão beira a insanidade. Ao mesmo tempo em que é compreensível, afasta o protagonista do mundo ao seu redor. Ele não sorri, não faz piadas, nem tem grandes ambições.
Apesar de se manter emocionalmente distante, o Goblin Slayer vai, pouco a pouco, criando laços com seu grupo. De forma sutil, o anime revela rachaduras nessa armadura. Nas interações com a Sacerdotisa, que representa um olhar puro no meio desse mundo cruel. Na convivência com sua amiga de infância ou com os outros membros da guilda que o fazem se abrir aos poucos. Gradualmente, vemos que há um ser humano ali, tentando emergir.
Aceitação, estratégia e imersão
Quando uma horda de goblins ataca a fazenda onde ele mora, Goblin Slayer, que sempre foi um lobo solitário, engole o orgulho e pede ajuda a outros aventureiros da guilda. Ninguém precisa dizer nada. Eles entendem a importância de enfrentar um mal que costumava ser ignorado. Tem um personagem que lembra o Cú Chulainn de Fate/Stay Night. xD
Ali, Goblin Slayer é finalmente aceito. Não como um personagem estranho e obcecado por goblins, mas como um herói. Um que faz o trabalho sujo que ninguém quer fazer.
O grande mérito de Goblin Slayer está em sua proposta ousada e bem executada. Desde o início, o anime deixa claro que não se trata de uma fantasia leve. O primeiro episódio é brutal e chocante, servindo como um divisor de águas entre os que continuam e os que desistem. Isso reforça o tom sombrio do mundo e a gravidade da ameaça que os goblins representam.
A cada episódio, vemos o protagonista aplicar desde truques simples a estratégias elaboradas, como o uso de veneno, explosões, armadilhas ou combate tático. Isso torna as batalhas tão empolgantes quanto criativas, além de bem coreografadas. Em alguns momentos, a sensação é de estar em um RPG vendo o anime — até mesmo a câmera balançava com o movimento dos goblin riders. Isso que é imersão!
A trilha sonora contribui imensamente para elevar a tensão, especialmente na quest em Water Town. Todas as músicas são marcantes e combinam de forma quase imersiva com todo o clima que cerca o universo de Goblin Slayer. A opening “Rightfully” (Mili) é uma das minhas preferidas.
A primeira temporada termina com uma boa dose de ação, estratégia e um gosto de “quero mais”. A frase “His battle continues today, somewhere out there” deixa claro que a missão ainda está longe do fim.
🎬 Entre temporadas do anime, do clima e das mudanças

“Goblin Slayer will return…” E ele realmente retorna em “Goblin Slayer: Goblin’s Crown”, um filme que chega como um interlúdio entre a primeira e a segunda temporada. A história leva o grupo — Goblin Slayer-さん, a Sacerdotisa, uma Elfa, um Anão (shaman) e um Sacerdote Lagarto — para uma região remota coberta pela neve. O novo ambiente é um respiro visual em relação aos tradicionais calabouços e florestas, expandindo o universo de Goblin Slayer.
E não é apenas o clima que muda. O tom da narrativa também. A frieza do cenário é um reflexo do que acontece internamente com o Goblin Slayer. Ele está mais reflexivo, mais disposto a ouvir e mais atento ao que acontece ao seu redor (mesmo sem goblins envolvidos).
A pedido da Sword Maiden, eles precisam resgatar uma jovem nobre que desapareceu em uma missão para caçar goblins. Os 25 minutos iniciais são inteiramente dedicados a um recap da primeira temporada. Um dos momentos mais marcantes é o confronto na montanha, que termina com uma grande avalanche.
Ao focar em uma única missão, quem ganha mais tempo de tela é o desenvolvimento dos personagens. Goblin Slayer passa por uma das mudanças mais visíveis, enquanto demonstra mais confiança em seus companheiros e um lado mais humano. A dinâmica da party também melhora, mostrando um time que aprendeu a trabalhar junto desde a última temporada.
Com quase 1h30 de duração, o filme questiona seu dogma de “só goblins” ao confrontá-lo com a busca de vingança da nobre que ele foi resgatar. Mais do que mais uma caça, “Goblin’s Crown” não trata apenas de vencer goblins, mas sobre vencer a si mesmo. O final do filme é menos brutal e mais simbólico.
Quem é o homem por trás da armadura
Demorou, mas chegou! Lançada em 2023, a tão esperada continuação de Goblin Slayer segue o fluxo das mudanças. Se a primeira temporada ficou marcada por sua violência crua, atmosfera brutal e uma ambientação quase opressiva, a sequência opta por um caminho mais calmo e contemplativo. E parece determinada a provar que Goblin Slayer pode ser mais do que apenas ゴブリンを退治だ. Mas será que conseguiu mostrar o homem por trás da armadura?
Para isso, o anime pisa no freio em termos de ação, mas acelera no desenvolvimento de personagens. Se a primeira temporada era sobre eliminar goblins, esta é sobre a tentativa de aprender a viver com pessoas.
Um novo tom, um novo foco
A mudança é perceptível logo nos primeiros episódios. A brutalidade que chocou no início do anime praticamente desaparece. Em seu lugar, temos episódios com um ritmo mais suave, momentos de “slice of life” entre missões e arcos mais focados em desenvolvimento de personagens – ou, pelo menos, uma tentativa disso.
Essa mudança pode agradar quem busca mais profundidade emocional ou momentos leves com os personagens, como o casamento na vila dos elfos (que cenário lindo, aliás <3) ou os treinos com novos aventureiros. No entanto, para quem queria mais da tensão visceral e da ambientação sombria que tornou Goblin Slayer um sucesso em 2018, a sensação pode ser de frustração.
Há um leve desenvolvimento para o Goblin Slayer-さん. Ele sorri — em uma das cenas mais memoráveis da temporada, até a voz muda do convencional tom seco para uma entonação cheia de vida. Ele demonstra mais empatia e começa a entender que o mundo é maior que sua vingança pessoal. Mas tudo é muito sutil. Os outros personagens também evoluem, mas de forma limitada.
Sua relação com a Sacerdotisa cresce. Ela, que antes seguia seus passos, sobe de rank e agora caminha ao seu lado. O grupo também mostra mais entrosamento, mas isso não é suficiente para criar uma conexão emocional mais profunda.
>>> Alerta de spoiler!
O surgimento de personagens novos, como o “misterioso” Cavaleiro Diamante no episódio final, só adiciona mais perguntas a uma temporada que já não responde quase nada. Precisava daquela cena da forma como ela foi feita? Além de explicações, faltou tempo para dar tempo de criar alguma conexão…
Ainda é Goblin Slayer, mas com menos “slayer”
Apesar do nome, os momentos de combate na segunda temporada são breves ou pouco inspirados. Muitos confrontos com goblins são resolvidos com cortes rápidos ou soluções previsíveis. A ausência de tensão, uma ameaça real e até mesmo de um objetivo maior reduzem o impacto que os episódios poderiam ter alcançado.
O que era para ser um avanço narrativo parece mais um conjunto de missões aleatórias, quase como side quests. No entanto, há melhorias na animação com a troca entre estúdios — de White Fox para LIDENFILMS — com a redução de CGI, dando mais fluidez aos movimentos. Os personagens têm mais brilho nos olhos, embora o visual pareça mais cartunesco.
A direção também deixa a desejar em cenas que tinham potencial para emocionar ou impressionar. O uso do milagre de purificação da Sacerdotisa é um exemplo que passa quase despercebido por falta de um peso maior para toda a sequência. Em compensação, a trilha sonora continua impecável. A abertura “Entertainment” (Mili) capta bem o espírito sombrio do anime. O encerramento “Kasumi no Mukō e (霞の向こうへ)” (Nakashima Yuki) também não fica para trás em causar uma boa impressão.
Goblin Slayer II tenta expandir seu mundo, trazer novos elementos e aprofundar personagens. Mas no processo, acaba perdendo parte da essência que a fez se destacar. Falta um objetivo claro, urgência, tensão — e talvez falte até mesmo um pouco de brutalidade, que apesar de controversa, era parte fundamental da proposta da obra.
Impressões finais de Goblin Slayer

Enquanto a primeira temporada foca no Goblin Slayer fazendo o que ele faz de melhor (ゴブリンを退治だ), a segunda expande a história, além de também trazer um desenvolvimento maior para os personagens. O Goblin Slayer-さん começa a ter um olhar mais atento sobre as coisas ao seu redor e até enfrenta novos inimigos fora do escopo goblins. A Sacerdotisa passa por um upgrade de rank e se torna proativa para ajudar a party.
A primeira temporada é mais emocionante, mais tensa e, de certa forma, curiosa. Afinal, o Goblin Slayer-さん é um personagem comum, sem super poderes e sem o status de herói. Gostaria que ele fosse um pouquinho mais badass para acabar com a festa dos goblins. Estratégia, ele já domina com maestria, só faltou força ou, quem sabe, evoluir e ganhar novas habilidades como Solo Leveling ou qualquer jogo de RPG.
A segunda temporada serviu para abrir diversas linhas na história, mas sem finalizá-las. Senti que tudo aconteceu muito rápido e que as lutas foram um pouco abruptas, sem trilha sonora marcante, cenas de impacto e tensão emocional — diferente da primeira temporada e do filme. A Sword Maiden também parece diferente, muito mais insegura e fragilizada. Será impressão?
>>> Alerta de spoiler!
Enquanto a temporada anterior encaminha bem seu final, encaixando o filme como uma sequência natural, a continuação encerra sem parecer que terminou. E ainda inclui algumas coisas sem contexto, como o tal Cavaleiro Diamante que parece ser o rei. Também poderia mostrar como os caminhos do Goblin Slayer-さん e da heroína se cruzam. Em todas as cenas que ela aparece, fico com a sensação de que mudei para outro anime. E a pergunta que não quer calar: cadê a 3ª temporada? Precisamos? Sim!
Enquanto o ciclo se repete, nada muda
Goblin Slayer passou muito tempo na minha lista de animes para assistir. Quando vi a Sacerdotisa, lembrei da Rosette de Chrono Crusade 「クロノクルセイド」. Uma história não tem nada a ver com a outra — inclusive foi uma das obras que mais me fez chorar. Não posso nem lembrar. O lado bom da demora é que tive a oportunidade de ver as duas temporadas e o filme em sequência, sem aquela espera semanal ou de anos.
Em termos de enredo, a primeira temporada foi sensacional — apesar das cenas pesadas e um tanto perturbadoras. Teve muito mais tensão, ameaças, além de lutas dramáticas e intensas. Os goblins eram mais cruéis e havia um objetivo a ser cumprido. Na segunda temporada, apesar do desenvolvimento dos personagens, tudo parece aleatório em um ciclo sem fim entre achar goblins, acabar com eles e ir pra casa.
Como o próprio Goblin Slayer-さん diz: “nothing changed”. Porque no fim das contas, sempre haverá goblins por aí. E enquanto eles existirem, Goblin Slayer estará lá. Só esperamos que, na próxima temporada (se houver 🤞🏻), ele encontre um propósito maior (e mais goblins) e nós tenhamos todo o impacto que o universo de GS merece.
Reparou no olhinho vermelho do Goblin Slayer-さん? Isso me fez lembrar do Jinwoo em Solo Leveling quando entra no modo ‘ready to fight for real’.