K-Drama · Review

Tour pelos K-Dramas: seleção de setembro (+estreias)

Atenção passageiros! Em instantes, vamos começar mais um embarque do tour pelos K-Dramas. Apesar das turbulências pelo trajeto, a seleção de conexões é extensa, incluindo algumas das estreias de setembro. Já tenha em mãos um documento de identificação e seu cartão de embarque. A bordo do voo KD2409, preparamos uma programação especial com quatro séries coreanas finalizadas e duas estreantes.

Entre as novidades e os K-Dramas que chegaram ao último episódio neste mês, o roteiro alcançou sua capacidade máxima. Por isso, dessa vez não teremos conexão em obras mais antigas, mas não faltam recomendações para você. Embarca comigo? 

Romance in the House

Romance in the House (가족X멜로) explora as complexidades das relações familiares, com um foco especial nas dificuldades e nos pequenos momentos de superação que ocorrem no contexto de uma família comum. A história adota uma abordagem realista ao mostrar como os membros — o pai Byeon Moo Jin (Ji Jin Hee), a mãe Geum Ae Yeon (Kim Ji Soo) e os filhos Byeon Mi Rae (Son Na Eun) e Byeon Hyeon Jae (Yoon San Ha) — tentam lidar com seus erros e acertos, enquanto tentam se reconectar.

O K-Drama traz uma narrativa que é fácil de se identificar, apesar de manter alguns clichês como a figura dos vizinhos excessivamente caricatos e fofoqueiros. Eles me lembraram bastante o pessoal do Geumga Plaza em Vincenzo e um pouco dos moradores de Hometown Cha-Cha-Cha. Se você viu e gostou, ponto extra para incluir Romance in the House na sua lista.

O coração dessa série coreana está nos relacionamentos familiares, principalmente entre mãe e filha — com a filha adotando o papel de superprotetora e chefe da família. Em paralelo, temos Moo Jin tentando se reaproximar, Hyeon Jae tentando mostrar seu valor como filho mais novo e Nam Tae Pyeong (Minho) tentando se reconciliar com Nam Chi Yeol (Jung Woong In).

No meio de tudo isso, Romance in the House também aborda os desafios que os pais enfrentam ao tentar equilibrar seus próprios conflitos pessoais com as responsabilidades familiares. Isso se aplica especialmente a Moo Jin, que busca reparar os danos de suas escolhas passadas.

A história de redenção e reconciliação entre pais e filhos é um dos temas centrais, abordando, inclusive, questões mais complexas como negligência emocional e o peso das expectativas. Apesar de não ser uma super recomendação, Romance in the House oferece uma boa experiência para passar o tempo e refletir sobre questões familiares.

Perfect Family

Baseado no webcomic “Wanbyeokhan Gajok”, Perfect Family (완벽한 가족) começa com uma premissa intrigante, que promete uma trama cheia de mistério e suspense. No entanto, à medida que a série avança, o roteiro perde consistência, deixando diversas pontas soltas e entregando um final pouco convincente.

Um dos maiores problemas do K-Drama está no desenvolvimento dos personagens, principalmente a protagonista Sun-Hui, que é retratada de forma fraca e passiva. Além da falta de atitude, ela passa a maior parte do tempo chorando e tomando decisões questionáveis. É difícil se conectar com ela. Esse comportamento, em vez de gerar empatia, frustra. Até me lembrou um pouco a personagem Jung Jae-I de Hierarchy, um dos destaques de junho.

A motivação por trás das ações dos “vilões”, centrada em dinheiro, é simplista e um pouco superficial pela maneira como é retratada. O diálogo entre Ji Hyun Woo (Lee Si Woo) e Lee Soo Yeon (Choi Ye Bin) no episódio final é um exemplo claro de cenas desnecessárias que não contribuem para o enredo. Park Kyeong Ho (Kim Young Dae) e Lee Sung Woo (Kim Myung Soo) saem de cena cedo demais, enquanto Choi Sang Ho (Park Sang Hoon) entrega uma das presenças mais marcantes apesar do pouco tempo de tela.

Apesar de algumas tentativas de criar tensão e mistério, Perfect Family falha em entregar um final satisfatório. O desfecho, que deveria ser impactante, acaba sendo morno, sem o peso emocional esperado. O que começou com a curiosidade, terminou com o sentimento de frustração, já que eu esperava uma história mais coesa e personagens bem desenvolvidos.

Cinderella at 2 AM

Apesar de ter sido lançado em 24 de agosto pela Coupang Play e Channel A, Cinderella at 2 AM (새벽 2시의 신데렐라) entrou no tour de setembro para chegar com a programação completa. Afinal, é um rom-com de apenas 10 episódios. 

Baseado no web novel Saebyeok Doo Shiui Cinderella, o K-Drama segue Ha Yun Seo (Shin Hyun Bin), uma mulher pragmática e independente, que descobre que seu namorado mais jovem, Seo Ju Won (Moon Sang Min), é herdeiro de uma família chaebol. Confrontada pela mãe dele, Yun Seo aceita terminar o relacionamento, mas Ju Won faz de tudo para reconquistá-la.

O enredo de Cinderella at 2 AM não apresenta grandes surpresas: é um conto de fadas moderno inspirado na clássica história da Cinderela. No entanto, a história tropeça nas expressões exageradas de Yun Seo (na tentativa de esconder seus sentimentos) e na repetição de seu dilema com Ju Won. 

Com o passar dos episódios, isso fica cansativo e afasta os holofotes da história da Cinderela. Quem brilha mesmo é o casal secundário, Seo Si Won (Yoon Park) e Lee Mi Jin (Sojin). Suas interações fofas e cheias de química roubam a cena. O relacionamento dos dois se desenvolve de forma orgânica e cativante, oferecendo uma dinâmica que muitas vezes supera a do casal principal. Nem o Sang Min consegue salvar. A trilha sonora é outro ponto positivo, com “Boyfriend” de Yeonjun (TXT) e “Shining You” de Sam Kim dando o tom perfeito aos momentos mais românticos. 

Ainda que previsível, a série pode ser uma boa opção para quem busca algo leve e sem complicações. No papel do príncipe encantado, Moon Sang Min traz um charme natural ao interpretar Ju Won. Fiquei com vontade de ver outras séries coreanas com ele e acompanhar seus projetos futuros.

No Gain No Love

No Gain No Love (손해 보기 싫어서) também é uma das estreias de agosto que comecei a acompanhar. Por ter apenas 12 episódios, resolvi encaixar na programação deste tour para trazer um review completo. Entre 26 de agosto e 1º de outubro, o K-Drama da tvN apresentou a história de um casamento falso que começou como um plano por mais benefícios de carreira. 

Para ter a chance de implementar um projeto dentro da empresa em que trabalha, Son Hae Young (Shin Min A) precisa se casar. Afinal, ser solteira é um critério de eliminação. Quem aceita seu pedido inusitado é Kim Ji Wook (Kim Young Dae), um homem generoso e extremamente doativo que trabalha em uma loja de conveniência.

Com um tom leve e cenas divertidas, No Gain No Love é uma ótima companhia para relaxar após um longo dia. A interação entre os personagens proporciona boas risadas, especialmente nas cenas em que Ji Wook tenta lidar com as peculiaridades de Hae Young. O cameo de Byeon Woo Seok no episódio 4 e a exibição de Lovely Runner na TV no episódio 8 foram toques divertidos e nostálgicos.

Kim Young Dae no papel do altruísta Ji Wook traz uma sensação de acolhimento com seu jeito bondoso, enquanto a dinâmica da família formada por Son Hae Young, Nam Ja Yeon (Han Ji Hyun) e Cha Hee Sung (Joo Min Kyung) aquece o coração. No entanto, a personalidade de imposição da Hae Young e a forma como ela trata o Ji Wook na maior parte dos episódios deixam um gostinho amargo. 

Além disso, a adição de mais uma reviravolta na reta final não acrescenta nada. Para quê? A série perde um pouco a força ao tentar resolver conflitos de forma abrupta. Agora estou curiosa para ver o spin-off Spice Up Our Love.


Estreias de Setembro

The Judge From Hell

Para as estreias de setembro, minha seleção inicial contava com quatro séries coreanas. Porém, todo o meu tempo livre está indo para um projeto com deadline apertado e muitas coisas para implementar. O número caiu pela metade. Entre as escolhidas, The Judge From Hell (지옥에서 온 판사) estreou na SBS no dia 21 e terá 14 episódios. 

O nome do K-Drama já diz para que veio com Park Shin Hye no papel de Kang Bit Na, uma juíza enviada diretamente do inferno para punir criminosos sem arrependimentos ou qualquer sinal de remorso. No tribunal, ela absolve, mas a verdadeira punição vem depois. Apesar de querer punir quem comete crimes, o detetive Han Da On (Kim Jae Young) não concorda com os métodos dela. Ele acredita que cabe à lei decidir o rumo das coisas.

Comecei a acompanhar após ver o nome da Park Shin Hye no elenco. Além disso, Kim Jae Young foi o único ponto positivo para mim na série Love in Contract. Torci tanto por ele! The Judge From Hell ainda está no início, mas parece que será divertido de acompanhar.

Dear Hyeri

Outra escolhida para a compacta lista de estreias é Dear Hyeri (나의 해리에게) do canal ENA com a Genie TV. O primeiro de seus 12 episódios foi ao ar no dia 23 de setembro. Mais uma vez, foi uma atriz do elenco que me fez incluir o K-Drama na seleção. Tenho gostado de todas as séries coreanas com a Shin Hae Sun — especialmente Welcome to Samdal-ri, um dos destaques do tour de janeiro.

Em Dear Hyeri, Shin Hae Sun assume dois personagens. A partir das 4:00 da manhã, ela é Joo Eun Ho e trabalha em uma emissora de TV, enquanto busca reconhecimento da empresa e do público. Depois das 4:00 da tarde, ela se transforma na Joo Hye Ri, outra personalidade que faz parte dela (inconscientemente). Seu outro eu trabalha em um estacionamento e, embora tímida, é confiante e tem um jeito positivo de ver e lidar com as coisas ao seu redor.

Assim como Welcome to Samdal-ri, Dear Hyeri vem como uma proposta de cura e conforto. Mesmo com poucos episódios, a série já vem deixando sua marca, em especial pela atuação de Hae Sun em dois papéis tão distintos e bem representados. 

* * *

Em instantes, vamos pousar. Mesmo incluindo apenas conexões recentes, o roteiro de viagem se esticou, não é mesmo? Ainda é cedo para falar sobre as novidades que estrearam neste mês, mas entre as que chegaram ao fim, No Gain No Love é a maior recomendação. Apesar de seus pontos negativos, o K-Drama foi uma boa companhia para relaxar e deixar as preocupações de lado. 

Quer dicas para continuar no clima da viagem? Pois a seleção me fez lembrar de Tale of the Nine Tailed com os inesquecíveis irmãos Lee Yeon e Lee Rang.

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