Em 2019, nesta mesma época, eu estava acordada de madrugada para acompanhar a estreia do Blackpink no Coachella. Há um ano, lá estava eu novamente para o segundo round — dessa vez com Rosé, Lisa, Jisoo e Jennie como headliners. Desde a estreia de Girl’s Generation, SHINee e outros grupos da 2º geração do K-Pop, momentos como esses pareciam tão distantes. Quase inalcançáveis. Demorou, mas, gradualmente, estou vendo meus grupos coreanos preferidos ganharem os palcos do mundo.
Neste fim de semana, 19, 20 e 21 de abril (e no anterior, 12, 13 e 14), não apenas um, mas três nomes brilharam na noite californiana. ATEEZ foi o primeiro a subir no palco Sahara na sexta-feira e mostrar por que é um dos boy groups mais marcantes do momento. No sábado, foi a estreia das meninas do LE SSERAFIM no mesmo palco. Para fechar, a banda The Rose se apresentou no Outdoor Theater no domingo, no finalzinho do dia.
Neste post, vou compartilhar um pouco sobre cada show e deixar uma playlist com todas as músicas do trio no Coachella. Vem comigo?
ATEEZ domina o palco do Coachella com performance de tirar o fôlego
Vídeo do canal Maxxter115 no YouTube
Quando penso em performance no K-Pop, três grupos sempre vêm à mente de forma imediata, sem nem dar tempo de piscar os olhos ou hesitar. Um deles é o ATEEZ (에이티즈). Entre as atrações asiáticas no palco do Coachella, o grupo estava no topo da minha lista para acompanhar depois de perder o show de estreia dos meninos aqui no Brasil no ano passado. E perdi também o primeiro fim de semana deles para os estudos. Cheguei no final de “Arriba”. *-*
Ainda bem que o festival sempre traz as apresentações em dobro. Durante a semana, pude me preparar para não perder a chance de ver Hongjoong, Jongho, Mingi, San, Seonghwa, Wooyoung, Yeosang e Yunho. ATEEZ subiu no palco Sahara nos dias 13 e 19 de abril, abrindo o segundo show com “We are back Coachella”. *ai, meu coração*
O pouco que vi da primeira noite já deixou a impressão que eu esperava (exceto pelo trabalho do cinegrafista, perdendo o foco durante o show). E a segunda noite veio, não apenas para confirmar, mas para exceder minhas expectativas. Não é por acaso que o ATEEZ é um dos boy groups mais performáticos do momento. Na Coreia do Sul, nos Estados Unidos ou pelo mundo afora, eles dominam qualquer palco e sabem como deixar sua marca.
Com frases como “we are on fire” e “there is no tomorrow, there is only tonight” e a promessa de mais shows nos EUA, ATEEZ dominou o palco do Coachella — um dos maiores festivais de música do mundo. E mostrou uma performance explosiva, marcante, divertida e cheia de momentos icônicos.
Destaques
Se a primeira impressão é a que fica, a abertura com “Say My Name” faz bonito para deixar sua marca. Depois vem “Hala Hala”, seguida por “Guerilla” e poderosos gritos de “break the wall”, que ressoaram por todo o festival. Quem estava lá, disse que dava para ouvir até mesmo de outros palcos do Coachella.
Depois de todo o impacto, os meninos convidam o público a cantar e dançar “Crazy Form” com uma coreografia divertida, acompanhada por caras e bocas dos membros — que parecem estar tendo a noite de suas vidas. O sorriso do Wooyoung é contagiante.
“Rocky” é a próxima e, na sequência, vem “The Real”, que se destaca no repertório do grupo pela intensidade de San. não estou falando do blazer aberto, que pode ter desviado os olhares de alguns, mas dos movimentos intensos da dança.
Por falar em performance, “Arriba” não fica para trás ao reunir os membros em um cenário estilo bar de faroeste. Mantendo o mesmo mood para “Django”, agora é Mingi que ganha o centro dos holofotes, dando tudo de si e mais um pouco.
“They say time flies when you are having fun…” Realmente, o tempo passou voando durante o show do ATEEZ. Sem perceber, o setlist chega à penúltima música. “Bouncy” se sobressai em vários sentidos: a coreografia ao vivo está em outro nível, assim como a voz do Hongjoong e o rap de Seonghwa. “Wonderland” encerra a participação do ATEEZ no Coachella, mas não antes de Jongho nos impressionar com o alcance da sua voz, chegando a notas mais altas sem perder o tom e ainda provando seu potencial ao vivo.
Felizmente, o cinegrafista da segunda noite parece ter feito um trabalho melhor, sem takes muito próximos ou sem foco nas partes mais importantes das coreografias. 휴!
LE SSERAFIM cativa público do Coachella e levanta dúvidas ao cantar
Vídeo do canal Lady Mia no YouTube
LE SSERAFIM (르세라핌) também marcou presença dupla no palco do Coachella nas noites de sábado, nos dias 14 e 20 de abril. Assim como o ATEEZ, as meninas se apresentaram no palco Sahara pela primeira vez. E eu consegui acompanhar as duas apresentações ao vivo. Ambas passaram tão rápido. Parece que quando pisquei, acabou.
O setlist foi o mesmo para as duas noites, mas a vibe mudou. Já no primeiro show, Chaewon, Eunchae, Sakura, Kazuha e Yunjin mostraram carisma, confiança e muita presença de palco. O que estragou foi o cinegrafista (mais uma vez). Além do foco da câmera, faltou potência na voz das meninas para conciliar a apresentação ao vivo com as intensas coreografias. Chaewon e Sakura se saíram um pouco melhor neste quesito.
Para o segundo show, parece que o cinegrafista encontrou o caminho de volta e acertou melhor o foco. A voz das meninas também melhorou um pouco, apesar de sumir em alguns momentos. Elas fizeram mais pausas estratégicas. Enquanto as outras seguiam com a coreografia, quem estava cantando, evitava movimentos mais intensos. Isso pode ter ajudado a dar um controle vocal maior.
A estreia do LE SSERAFIM no Coachella dividiu opiniões, entre os que gostaram e os que questionaram as habilidades vocais das meninas. Falhas técnicas à parte, as duas performances foram divertidas, cheias de energia e conseguiram cativar o público. Dava para ouvir a multidão cantando junto (me incluindo no pacote). Eu curti os dois shows (mais o primeiro, embora o segundo tenha sido tecnicamente melhor), mas esperava outro setlist.
Destaques
Com o mesmo setlist, Chaewon, Eunchae, Sakura, Kazuha e Yunjin sobem no palco ao som de “Good Bones” ao fundo, caminhando de um lado ao outro até todas se reunirem no centro. Elas começam o show cantando e dançando um dos maiores hits do grupo: “Antifragile”. A música tem acompanhamento de uma banda ao vivo, trazendo um arranjo mais rock e com mais impacto ainda do que sua versão original.
Em seguida, outro hit “Fearless”. Os icônicos movimentos no chão, bem no início da música, foram cortados para quem acompanhou o show no primeiro fim de semana pelo canal oficial do festival no YouTube. O cinegrafista do Coachella parecia perdido e sem saber onde focar, deixando passar muita coisa, primeiro com o ATEEZ e depois com o LE SSERAFIM. Felizmente, melhoraram no segundo show, com direito até a take aéreo das meninas deitadas.
Antes da primeira interação com o público — comandada com maestria pela Yunjin, que parece estar em casa no festival — o grupo apresenta “The Great Mermaid”. Depois daquela pausa clássica, elas voltam com o single inédito “1-800 Hot & Fun”, todo em inglês. Para “Unforgiven”, Nile Rodgers (apenas na primeira noite) é convocado a levar a collab do álbum para o palco como convidado especial.
Mantendo o hype nas alturas, a viral “Eve, Psyche & the Bluebeard’s wife” levanta o astral do público com o toque rock da banda e já embala para “Perfect Night” e “Smart”. É hora de mais uma pausa antes de entrar na reta final. O repertório encerra a estreia do LE SSERAFIM ao som de “Easy” e “Fire in the Belly”, incluindo troca de passos entre as meninas e os dançarinos no palco.
Banda The Rose transforma o palco do Coachella em sua casa
Vídeo do canal zeldagger no YouTube
Vídeo do canal zeldagger no YouTube
Quando vi o nome The Rose (더 로즈)) no line-up do Coachella 2024, marquei as datas 15 e 21 de dezembro no meu calendário e comecei a contar os dias ansiosamente. Depois de perder a chance de ver Dojoon, Hajoon, Jaehyung e Woosung no Lollapalooza — o mesmo que recebeu o TXT (투모로우바이투게더) no ano passado — não dava para deixar passar novamente, não é? E, dessa vez, deu tudo certo!
Após acompanhar as duas apresentações da banda no festival, sinto que passou tão rápido. Preciso de mais asap! The Rose, definitivamente, me conquistou com o lançamento do álbum Dual em setembro de 2023 e, com o Coachella, ganhou mais estrelinhas. Quando os quatro subiram no palco Outdoor Theater, pareciam estar em casa e se saíram muito bem no papel de anfitriões em sua estreia no festival.
No primeiro domingo de show, o mesmo velho problema da câmera com seus takes duvidosos não deu trégua para quem acompanhou a banda de casa. Pelo menos no segundo fim de semana, a qualidade da filmagem melhorou. Deu para ver mais os meninos e menos alguns detalhes paralelos que acabaram ganhando mais destaque do que deveriam.
Desde a escolha do repertório musical até a postura no palco e as interações com o público (com um aspecto mais natural do que muitas que vemos por aí, embora eu saiba que tudo é ensaiado), The Rose deixou sua marca, além da porta aberta para novas possibilidades. Espero vê-los em mais festivais e, quem sabe, aqui pelo Brasil. Tenho certeza de que o fandom também aumentou depois da passagem do quarteto pelo Coachella.
Destaques
The Rose é K-Rock, não K-Pop. Diferente de uma introdução de impacto e com danças intensas como a performance do ATEEZ, a banda abre o setlist de um jeito descontraído e quase intimista, na companhia do sol prestes a se pôr em terras californianas. Esse clima deixa o público à vontade logo no início do show com a música “Eclipse”.
Dojoon e Woosung arrebatam mais alguns corações quando começaram a cantar “Shift”, incluindo alguns trechos diretamente direcionados para quem está lá — com “I think *pausa* I love you” e “I love you Coachella”. 귀여워 ❤
Mais uma música do álbum Dual toma conta do palco, enquanto mantém a animação do público nas alturas. É a vez de “Lifeline”, acompanhada em seguida por “Red”, como um convite para todos entrarem na ‘casa’ do The Rose sem cerimônia. Dá para ouvir um coro de vozes cantando com Dojoon e Woosung. As duas músicas são um aquecimento para a chegada de uma dos maiores hinos da banda: “Back to Me”.
Teve letra com o icônico refrão no telão atrás dos meninos. Teve gente animada cantando alto para acompanhar. Teve ‘a capella’ no finalzinho com o público nos dois dias de shows. Um momento lindo, provando que “Back to Me” é definitivamente um hino. Na primeira pausa, Woosung relembra o início da banda há sete anos, quando o público do show de estreia teve apenas 20 pessoas (mais da metade formada por amigos). E, hoje, um Coachella inteiro, além da transmissão online para o mundo.
Momento healing…
“We believe that music is healing” É com esse pensamento que o The Rose começa “Definition of ugly”. A banda é acompanhada por violinos e cellos, dedicando a música a todos que já se sentiram sozinhos neste mundo em algum momento. Depois vem a energizante “Alive” (com mais um coro do público), “Cure”, “Sour” e “Cosmo”. Os membros se soltam ainda mais no palco e expressam gratidão aos fãs.
Na segunda apresentação do The Rose, Dojoon aproveita o clima para agradecer pelo presente mágico de estar no Coachella no seu aniversário — comemorado no dia 20 de abril — e deixa uma promessa: “we will be whenever you want us to be”. E logo já embala na saideira do show com “Wonder”, com bandeiras e uma banda marcial.
Quando Dojoon, Hajoon, Jaehyung e Woosung descem do palco, o público chama de volta com um ‘happy birthday to you’ animado para o aniversariante. Entre sons calmos e mais enérgicos, um clima sincero e caloroso, além de momentos marcantes, The Rose no Coachella será, sem dúvidas, uma estreia inesquecível.
Bônus: atrações japonesas no Coachella
YOASOBI
Vídeo do canal Wilson (Low-key otaku) no YouTube
Por curiosidade, acompanhei algumas atrações orientais à parte no Coachella 2024, começando com o duo japonês por trás de músicas como “Yuusha” e “Idol”. Os nomes podem até não soar familiares em um primeiro momento, mas quem acompanha animes reconhece assim que qualquer uma das duas começa a tocar.
“Yuusha” (勇者) é a abertura de Sousou no Frieren, um dos melhores animes de 2023. Já “Idol” (アイドル) é a opening de Oshi no Ko, que também deixou seu impacto entre as obras mais marcantes do ano passado, e teve sua primeira temporada finalizada em junho. Quem está por trás desses dois sucessos é o duo YOASOBI (夜遊 び), formado por Ayase, produtor e compositor do Vocaloid, e Ikuta Lilas, cantora e compositora.
YOASOBI fez sua estreia em 2019 pela Sony Music Entertainment Japan e já emplacou um hit logo no início de sua formação com “Yoru ni Kakeru”. Além de alcançar o topo da Billboard Japan HOT 100 e conquistar o 1º lugar no Spotify entre os artistas japoneses mais ouvidos, a música abriu o show nas duas noites de sexta-feira, 13 e 20 de abril, do Coachella, no palco Mojave.
O trio é o maior destaque da noite para mim, além de “Tabun” (たぶん), que contou com a companhia de um mar de luzes pelas mãos do público — iluminando o palco com as telas de seus smartphones. O show também foi marcado pela simpatia da Ikuta Lilas e pela energia explosiva do Ayase e da banda que acompanhou o YOASOBI no palco do Coachella.
Hatsune Miku
Vídeo do canal Wilson (Low-key otaku) no YouTube
Hmmm…! Eu estava um tanto curiosa para ver uma apresentação da Hatsune Miku (初音ミク). Apesar de conhecer o projeto Vocaloid (ボーカロイド) desde sua criação em 2007, comecei a prestar mais atenção quando a Megurine Luka (巡音ルカ) entrou para a família dois anos depois. Gostei tanto dela que fiz cosplay na época (inclusive costurei tudo do zero). E uma amiga me acompanhou em um evento como a Miku. Foi bem divertido!
Hatsune Miku fez sua estreia no Coachella logo depois da apresentação do YASOBI, aparecendo em três grandes telões e acompanhada por uma banda ao vivo, também no palco Mojave. Em algumas músicas, a idol trocou de roupa e até tocou um instrumento. O público mais próximo do palco parecia bem animado, gritando ‘I love you Miku’, pulando e balançando luzes coloridas de um lado para o outro. Teve até sinal de coração. E a banda também estava bem empolgada, com o tecladista cantando “Intergalactic Bound” no final.
Não sabia bem o que esperar, mas quando finalmente vi a Miku no palco pensei que a experiência seria um pouco diferente. Mais realista, talvez. Assisti um vídeo e outro na web e achei que a projeção holográfica parecia mais real, mais imersiva. Depois entendi que o setup para o festival utilizou a tela de LED ao invés da holografia. Por que será? Queria saber como foi a experiência de quem estava lá na Califórnia e viu de perto. É mais impactante?
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E assim, o Coachella 2024 chega ao fim, já deixando saudades com todas as memórias que fiz ao acompanhar ATEEZ, LE SSERAFIM, The Rose, YOASOBI e Hatsune Miku. Atarashii Gakko! e o dueto de Jackson Wang (GOT7) e BIBI com a inédita “Feeling Lucky” são outros destaques orientais que acabaram ficando de fora da minha programação. Reparou como teve mais K-Pop, K-Rock e J-Pop no festival? Desde que comecei a acompanhar o cenário musical do outro lado do mundo, esse era meu maior desejo. Feliz por, enfim, vê-lo se realizar. ˆ-ˆv
Perdeu o Coachella? Se quiser ouvir o que rolou de K-Pop e K-Rock, confira a playlist com o setlist de ATEEZ, LE SSERAFIM e The Rose.