
Rurouni Kenshin, Sailor Moon, Cardcaptor Sakura e Saint Seiya são alguns dos animes que mais marcaram a minha infância. Entre eles, a jornada do andarilho que deixa para trás seu passado como o temível Hitokiri Battosai e encontra seus dias de paz no dojo da Kaoru é o meu preferido. Quando eu soube do remake de Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan, fiquei curiosa para saber como conduziriam a história com os recursos de animação atuais.
Com a promessa de seguir um caminho ainda mais fiel ao mangá, a nova versão chegou na temporada de julho do ano passado. Para não ter que esperar toda semana por um novo episódio, eu me segurei até agora.
Com o anime completo, enfim, pude maratonar como eu queria. Hoje venho aqui compartilhar o que achei da nova versão de Rurouni Kenshin. Vem comigo?
Ficha técnica de Rurouni Kenshin
Gênero: Histórico, Ação
Estúdio: LIDENFILMS
Número de Episódios: 24
Estreia: 7 de julho de 2023
Rurouni Kenshin mergulha na história do Japão durante os primeiros anos da Era Meiji em um período marcado por guerras. Himura Kenshin é um espadachim lendário que fica conhecido como Hitokiri Battosai após lutar ao lado dos imperialistas durante a revolução. Quando as batalhas chegam ao fim, o samurai decide viajar pelo Japão como andarilho e com o voto de não usar mais a espada para matar.
Após dez anos em busca de redenção, Kenshin chega ao dojo Kamiya, em Tokyo, onde conhece Kamiya Kaoru e encontra a paz de espírito que tanto ansiava. Porém, seus inimigos do passado não estão dispostos a deixá-lo viver de forma pacífica.
Review de Rurouni Kenshin [Remake de 2023]

Baseado no mangá de Nobuhiro Watsuki, Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan 「るろうに剣心 -明治剣客浪漫譚-」 virou anime em 1996, com 95 episódios, além de OVAs e uma série de filmes com atores reais. Após 28 anos desde o lançamento, Rurouni Kenshin ganhou um remake mais fiel ao mangá e com o visual atualizado. A transmissão foi ao ar entre 7 de julho e 15 de dezembro de 2023, com animação do estúdio LIDENFILMS (Kimi wa Houkago Insomnia e Goblin Slayer).
Até hoje, Rurouni Kenshin é uma das minhas obras preferidas dentro da imensa lista de animes que vi desde que entrei nesse universo da cultura oriental. Sempre gostei de aprender mais sobre a história do Japão. E a Kaoru é uma das protagonistas que mais admiro. Então, ter a chance de ver Kenshin, Kaoru, Yahiko, Sanosuke e companhia novamente, com um visual mais atual me deixou muito feliz.
Recentemente, eu acompanhei toda a saga de Fruits Basket, outro anime clássico que passou por um remake mais fiel ao mangá. Quem leu o review, sabe que eu vi as duas versões simultaneamente para avaliar melhor as mudanças.
Ainda não consegui fazer o mesmo com Rurouni Kenshin. Por isso, vou pontuar similaridades e diferenças com base no que me lembro. Vi e revi o anime de 1996 algumas vezes, o que pode ajudar. Mais à frente, depois que as próximas temporadas forem finalizadas (supondo que teremos novas adaptações para as sagas de Kyoto, já confirmada para 2024, e Jinchuu), quero voltar aqui com um review completo do original e do remake.
Arco de Tokyo: apresentações à parte

Rurouni Kenshin pode ser dividido em três arcos principais. Tokyo, Kyoto e Jinchuu. O arco de Tokyo acompanha a chegada do andarilho na cidade onde ele se estabelece após passar dez anos vagando pelo Japão. É também nesta saga que conhecemos outros personagens importantes, como Kaoru, Yahiko, Sano, Megumi e os rivais que aparecem para confrontar o samurai e perturbar a paz.
Um dos mais marcantes, o arco de Kyoto mostra a luta entre Kenshin e Makoto Shishio, além do reencontro com seu antigo mestre. O arco de Jinchuu encaminha a história para a reta final, apresentando o passado do espadachim e o desejo de vingança de Enishi. Por enquanto, o remake adaptou apenas o primeiro. E é sobre ele que vou falar.
Kaoru e Kenshin
Ao chegar em Tokyo no ano de 1878 da Era Meiji, Himura Kenshin começa, enfim, a viver seus primeiros dias de paz interior ao lado de Kaoru. Com a promessa de não matar mais, ele carrega uma Sakabatou (espada de lâmina invertida) que é tirada da bainha apenas para proteger as pessoas ao seu redor e manter a prosperidade dos tempos atuais.
Apesar do clima pacífico (ao menos internamente), o samurai é frequentemente confrontado, primeiro pelo impostor que assume o nome de Hitokiri Battosai e aterroriza a cidade e, depois, por antigos rivais e lutadores interessados em medir força com Kenshin.
Kamiya Kaoru é a proprietária de um dojo e instrutora da arte da espada através do estilo Kamiya Kasshin (a espada a favor da vida). Por causa do Battosai impostor, seu dojo passa por apuros, afastando todos os alunos. Com a ajuda de Kenshin, ela recupera sua reputação.
Sem questionar o passado do samurai e como forma de agradecimento, ela abre as portas do dojo para ele e o convida a ficar, deixando para trás a vida de andarilho. Aos poucos, a confiança entre os dois cresce, enquanto o lado gentil de Kenshin começa a despertar o amor de Kaoru.
Yahiko, Sano, Megumi
Após o encontro entre os protagonistas, os membros do grupo Kenshin começam a aparecer. Primeiro, Myōjin Yahiko, órfão de uma família de samurais, é forçado a roubar para saldar dívidas a uma gangue até conseguir sua liberdade com a ajuda do samurai. Ao encontrar abrigo no dojo, ele se torna o primeiro aluno da Kaoru após o incidente com o Battosai impostor.
Depois vem Sagara Sanosuke, ex-membro do Sekihoutai e que agora busca um oponente no mesmo nível e conhece Kenshin ao ser contratado como lutar mercenário para derrubá-lo. Para completar o grupo, Takani Megumi é uma médica forçada a produzir ópio até ser resgatada por Kenshin, Sano e Yahiko.
Entre os inúmeros rivais que aparecem, há dois que se destacam e voltam no próximo arco: Shinomori Aoshi, líder do Oniwabanshu, e Hajime Saitou, um dos capitães do Shinsengumi. Todas essas novas pessoas definem um novo curso para a sua vida.
Animação, voice actors, humor e trilha




Em resumo, a animação com os recursos atuais à disposição dos estúdios, a escolha dos voice actors para cada personagem e o tom do humor são os principais elementos a distanciar o anime de 1996 do remake de 2023. Sem esquecer da trilha sonora, incluindo não apenas openings e endings, mas também as músicas de fundo para acompanhar as cenas. Vamos à análise de cada aspecto, sem críticas, apenas a opinião de quem gosta da obra (迚も好きです <3) e acompanhou tanto a versão original quanto o remake.
Animação
Quando me preparo para ver um remake, minha expectativa inclui três pontos principais: ter a chance de rever uma obra do coração (como é o caso de Rurouni Kenshin), ver uma adaptação mais fiel ao mangá (se o original deixou elementos de fora) e acompanhar o upgrade visual da animação (com a tecnologia e o conhecimento atuais).
Visualmente falando, eu esperava um remake próximo do que foi feito com Fruits Basket. Foi o que eu recebi? Não, mas a animação melhorou alguns aspectos como a troca da inversão de cores na reação da Kaoru durante a luta com Gohei por uma paleta mais sombria e condizente com a cena.
O brilho nos olhos também parece mais realista, transmitindo melhor os sentimentos. Porém, é o único elemento que passa alguma emoção. Em algumas cenas, como a despedida no final do último episódio, a carga dramática simplesmente não estava lá.



今まで いろいろ と ありがとうございます, そして さようなら.
É uma das cenas mais clássicas e memoráveis do arco de Tokyo — os vagalumes, a tensão da separação, o abraço com lágrimas e as costas do Kenshin enquanto se distancia da Kaoru. Se não viu a versão original, recomendo.
Fora isso, a animação do remake é básica demais a ponto de cortar algumas mudanças de ângulo do ponto de vista dos personagens, que traziam mais dinâmica para a tela. Isso inclui cenas de luta, como Kenshin vs Saito. Eu esperava A LUTA. Parece que o confronto perdeu força quando era para ser um dos mais emocionantes do arco de Tokyo.
Por ser a readaptação de um clássico, a animação deveria ir além e superar a versão de 96, não acha? Sinto que faltou uma identidade e mais personalidade para transformar o remake em um anime tão memorável quanto o que vimos nos anos 90.
Voice Actors (VA)
Enquanto a animação melhorou em alguns pontos e outros não, a escolha dos voice actors também pode desempenhar um papel crucial ao ditar o clima das cenas de seus personagens. Antes de falar das vozes, quero comentar sobre a narração que sempre surge para trazer informações sobre o momento histórico do Japão no anime ou um elemento à parte. O recurso funcionou muito bem para Kaguya-sama wa Kokurasetai, mas tenho a impressão que destoa da atmosfera de Rurouni Kenshin.
Gosto das vozes do Kenshin (Saitou Soma) e do Sano (Yashiro Taku). As trocas entre o modo gentil do Himura Kenshin e modo assassino do Hitokiri Battosai fluem de forma natural. O ‘おろ!’ poderia soar um pouco mais leve e divertido, dependendo da cena. E a voz do Sano é a minha preferida, combina bem com o personagem e seu jeito extrovertido, esquentadinho. xD
Porém, tenho algumas ressalvas quando ouço a Kaoru (Takahashi Rie) e o Yahiko (Koichi Makoto). Do meu ponto de vista, as vozes não combinam tanto com os personagens. Para mim, a voz da Kaoru precisava soar um pouco mais madura, embora ela tenha apenas 17 anos na obra, e levemente mais doce. Para o Yahiko, sinto o efeito contrário. O timbre soa grave demais para uma criança.
Humor
Uma das maiores diferenças entre as duas versões de Rurouni Kenshin: Meiji Kenkaku Romantan é o tom de humor. Enquanto a versão de 1996 explora o lado cômico com certa frequência, o remake adota uma postura mais séria. É o mesmo caminho da readaptação de Fruits Basket.
No caso de Furuba, eu gostei muito mais do anime atualizado. Deixar o humor de lado, contribui para aumentar a tensão em torno da maldição do zodíaco. Para Rurouni Kenshin, eu acho que o toque cômico poderia ter trazido um impacto um pouquinho maior.
A forma como a animação é conduzida acabou ficando básica demais, já que faltam elementos para construir a carga emocional e dramática que a versão original faz tão bem. Talvez, um pouquinho mais de comédia (menos do que em 96) seria a dosagem certa para equilibrar a experiência.
Trilha Sonora
A música tem um papel fundamental em animes, filmes e séries. Afinal, ela ajuda a setar o clima entre uma cena e outra, aumentando a tensão em uma luta, por exemplo, ou apelando para o nosso emocional nos momentos de romance, despedidas e reencontros. Para aberturas e encerramentos, ela pode se tornar memorável ou cair no esquecimento.
Ainda lembro de todas as openings e endings do Rurouni Kenshin de 1996 (até mesmo a letra de algumas). “Sobakasu”, “1/2”, “Kimi Ni Fureru Dake De”, “Tactics”, “Namida Wa Shitteiru”, “Heart of Sword – Yoake Mae”, “The Fourth Avenue Cafe”, “It’s Gonna Rain”, “1/3 no Junjou na Kanjou” e “Dame”. Uma melhor do que a outra. Inclusive estou com uma playlist nostálgica me acompanhando aqui enquanto escrevo.
Para mim, as openings e endings do remake de Rurouni Kenshin não combinam com o anime e são fortes candidatas a cair no esquecimento. Acabei de terminar a maratona e já não me lembro direito delas. Além disso, senti falta de músicas de fundo mais marcantes como as inesquecíveis “Starless” ou “Departure”. Não são ruins, mas não marcam, sabe?
Um dos raros momentos em que o anime de 2023 me impactou musicalmente foi na cena de uma conversa entre o Kenshin e a médica estrangeira no episódio 21. Aliás, a inclusão da história que resgata memórias de viagem do samurai em seus tempos como andarilho foi um ponto bem positivo na readaptação.
Rurouni Kenshin 1996 vs 2023
![Imagem comparativa da cena de luta entre Kenshin e Aoshi no remake de Rurouni Kenshin e no clássico de 1996 [Crédito: Reedit]](https://hastalatour.com/wp-content/uploads/2024/01/21_anime-rurouni-kenshin-reproducao.jpg?w=768)
Com algumas mudanças aqui, outras ali, o remake de Rurouni Kenshin é mais próximo do mangá do que seu antecessor (que toma uma certa liberdade criativa para apresentar a história no anime). A conexão entre a obra original e a nova versão inclui o design dos personagens, diálogos e algumas cenas.
Ao comparar as duas animações, 1996 vs 2023, o visual passou por uma atualização (apesar de não encher os olhos como o novo Fruits Basket) e mudou o tom, mantendo as doses de comédia em níveis mínimos. Com o visual da época, a versão antiga é muito mais expressiva e dinâmica no que diz respeito a caras e bocas e troca de ângulos da câmera. Além disso, traz mais comédia para a mesa, apesar do uso frequente de cores mais sombrias entre uma cena e outra. No remake, muitos dos takes parecem fotos panorâmicas.
De modo geral, as lutas melhoraram no anime, com detalhes como o brilho na espada e o contraste mais nítido. Porém, confrontos importantes como Kenshin vs Saito não têm o mesmo impacto intenso e angustiante da primeira animação. Também fiquei com a sensação de que poderia ser mais extenso. É um dos encontros mais esperados, mas tudo acaba tão rápido. E os momentos mais dramáticos carecem de emoções, como na despedida de Kenshin ao partir para Kyoto com a intenção de parar Shishio. Enquanto o anime de 1996 me levou às lágrimas, o de 2023 me deixou assim: “É isso? Acabou?”
A trilha sonora também mudou completamente e, embora não seja uma seleção ruim, as músicas simplesmente não causam o mesmo impacto que as openings e endings do antecessor. Sem contar as trilhas de fundo, que deveriam criar um grau de intensidade na medida certa para cada cena. Passaram quase que imperceptíveis para mim.
Vida do Kenshin como andarilho

Um dos maiores upgrades do remake de Rurouni Kenshin vem com uma história extra, em dois episódios, que o samurai compartilha com Kaoru, Yahiko, Sano e Megumi sobre o tempo em que ainda era um andarilho viajando pelo Japão. A memória retrata seu encontro em Yokohama com uma médica estrangeira e seu confronto com um espadachim ocidental.
Além de deixar o anime mais leve, um dos episódios traz um detalhe que me marcou. Na época, em uma das cenas enquanto tomava uma xícara de chá, ele comenta que não conseguia sentir o gosto das folhas. E a médica diz que pode ser reflexo do seu cansaço mental. De volta ao presente, Kenshin também está tomando chá com Kaoru e companhia. Dessa vez, ele até elogia o sabor. Esse simples detalhe mostra que sua chegada no dojo trouxe paz de espírito, além de um lugar para descansar após tanto viajar.
“Não importa o ferimento ou doença, o descanso é necessário. É importante ficar em um lugar e cuidar do seu corpo e mente. Caso, daqui em diante, alguém pedir para você ficar, nesse dia, tente parar de vagar um pouco”.
Impressões finais do remake de Rurouni Kenshin

Eu cresci com Rurouni Kenshin. Por isso, ter a chance de rever personagens que eu ainda lembro com carinho e uma história que deixou sua marca na minha infância é compensador. Meu sentimento ao chegar no último episódio da adaptação do arco de Tokyo é de pura gratidão, com uma pitadinha de nostalgia por todos os aspectos que me fizeram amar o anime na época em que foi lançado pela primeira vez.
Quando a nostalgia existe, é difícil se distanciar da versão que consideramos original, não é? Com Fruits Basket talvez tenha sido mais fácil por eu ter acompanhado as duas adaptações simultaneamente, sem um vínculo. No caso de Rurouni Kenshin, temos uma história juntos. O anime de 1996 sempre será um clássico para mim. E não posso deixar de dizer que eu gostaria de ter visto na versão de 2023 a mesma qualidade de animação, dublagem e trilha sonora da readaptação de Furuba. Tudo ficou muito básico.
Apesar do sentimento de expectativa vs realidade, reconheço que cada versão do anime tem seus prós e contras. Cada uma faz algo melhor do que o outro, seja no visual, no apelo emocional, na fidelidade da história ou na escolha da trilha sonora.
Com todas as diferenças, para melhor ou para pior, eu vejo o remake de Rurouni Kenshin como um complemento do Rurouni Kenshin de 1996. Se você não viu o primeiro, recomendo colocar na sua lista. Se você já viu, não deixe de revisitá-lo quando tiver chance, pois é e sempre será um clássico. É o que quero fazer quando os outros arcos ganharem suas adaptações.
Já leu o mangá de Rurouni Kenshin? A obra entrou nas minhas indicações de clássicos que não podem faltar na sua estante. ˆ-ˆv