
Depois de passar por tantos lugares no Espírito Santo — das praias às montanhas capixabas — estamos chegando ao final do nosso roteiro de viagem. Como eu contei no primeiro post, escolhi o destino depois de visitar Vitória e Vila Velha pelo olhar de muitos viajantes que já tinham ido para lá. Também descobri a bucólica cidade de Domingos Martins, que ainda preserva a cultura europeia no seu dia a dia, e o seu principal cartão-postal: a Pedra Azul.
É sobre essas duas descobertas que eu vou falar hoje. Então, se você está gostando de conhecer o ES, embarca comigo no último post dessa viagem? A van já está esperando. Última chamada! Pé na estrada…
Domingos Martins: um pedacinho da Alemanha nas montanhas capixabas

Se você chegou até aqui comigo, significa que já desbravamos os principais pontos turísticos de Vitória e Vila Velha. Subimos o Convento da Penha, contornamos o Morro do Moreno, aproveitamos o sol (e a água de coco) das praias de Vila Velha e degustamos chocolates na fábrica da Garoto. Depois atravessamos a Terceira Ponte para visitar o Projeto Tamar de Vitória, dar uma volta na orla da capital capixaba, espiar a Ilha do Frade e Ilha do Boi e curtir a noite no badalado Triângulo das Bermudas.
Após conhecer o litoral, fizemos um tour por cinco cidades nas montanhas capixabas, não é? E para fechar o nosso roteiro de viagem com chave de ouro, deixei o melhor para o final. Hoje nós chegamos na pequena cidade de Domingos Martins, onde fica o Parque Estadual da Pedra Azul e também um dos principais motivos da minha ida para o ES.
Por que visitar?







Quando planejamos uma viagem para a região serrana, Gramado certamente é um dos primeiros destinos que vem à mente. A cidade no interior do Rio Grande do Sul tem um charme único e aquele clima de montanha cativante, além de diversas atrações turísticas, principalmente em época de Natal. As influências europeias estão por toda parte, mas elas também podem ser vistas em outras regiões do Brasil como em Pomerode (Santa Catarina) e em Domingos Martins (Espírito Santo).
O caminho até o pedacinho da Alemanha na serra capixaba é relativamente curto, o que transforma a viagem em um convite irresistível para quem está em Vitória ou arredores. São apenas 52 quilômetros de estrada pela BR-262, pouco mais de 1 hora de carro para trocar o clima de praia pelas montanhas.




Domingos Martins tem forte influência alemã graças aos primeiros imigrantes que se estabeleceram na região por volta de 1847. Mais tarde, foi a vez dos italianos. Seu nome foi concebido em 1921 em homenagem ao líder da Revolução Pernambucana, o capixaba Domingos José Martins.


Cercada pela Mata Atlântica e por sua flora ainda preservada, Domingos Martins também é conhecida como a “Cidade do Verde”. Com pouco mais de 30 mil habitantes, ela ainda guarda a tradição de seus antepassados na arquitetura das casas, em placas e nos nomes das ruas, no artesanato local, na gastronomia, na música e na dança.
O que conhecer?
O ar bucólico e intimista transforma Domingos Martins em um destino perfeito para os mais românticos, mas também é um recanto de encher os olhos de quem busca adrenalina e um pouco de aventura.






Assim como outras regiões serranas, o ponto alto do turismo na cidade é quando as temperaturas caem e o frio toma conta, deixando aquele clima misterioso da neblina que encobre as montanhas ao redor. Além disso, o centro de Domingos Martins fica especialmente charmoso em época de Natal. Várias casas ao redor embalam no clima natalino e caprichem nos enfeites. Eu até encontrei a cada do Papai Noel!
Centro de Domingos Martins







Em meios aos casarios de arquitetura típica europeia e plaquinhas em português e alemão espalhadas por todos os lados (nos nomes das ruas e em casas), a Praça Arthur Gerhardt é um dos pontos centrais de Domingos Martins. A área é cercada por montanhas que se escondem atrás das casas ao redor da charmosa pracinha.



No Natal, enfeites natalinos se espalham por árvores, canteiros e postes, criando um clima de aconchego. É difícil resistir à vontade de parar o tempo todo para tirar fotos de cada detalhe.




Além do famoso letreiro #amor<3es — parada obrigatória para registrar a sua passagem por Domingos Martins — você também encontra a Igreja Luterana. Tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual, é a primeira igreja evangélica do Brasil construída com uma torre. Na época, apenas igrejas católicas tinham torres.
Na frente dela, está cravado o marco da colonização alemã. Criado em 1954, o monumento representa a chegada dos imigrantes europeus a Domingos Martins e traz a seguinte inscrição: “Ao colono imigrante, que aqui veio ajudar a construir uma grande Pátria, a gratidão da terra capixaba”.
Rua do Lazer e Casa de Cultura





Depois de dar uma volta pela praça, caminhe até a Rua João Batista Wernersbach, mais conhecida como Rua do Lazer. É uma rua fechada, exclusiva para pedestres e cheia de bares, restaurantes e opções de compras. No Natal, parece um lugar mágico com todos os enfeites natalinos, luzes e pinturas tradicionais alemãs feitas pelos artesãos locais.




Ao chegar no final dela, você pode voltar pela rua da Casa de Cultura, onde fica o Museu Histórico de Domingos Martins. Se quiser conhecer mais sobre a história dos imigrantes, vale fazer uma visita. A Casa de Cultura foi inaugurada em 1853 e também tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual. No acervo do museu, você encontra livros, fotos, documentos, móveis e diversos objetos antigos relacionados à colonização alemã e italiana.



Em um tour como o que eu fiz — bate-volta de Vitória até Domingos Martins — esta é a programação depois de passar pelo Parque Estadual da Pedra Azul. É um passeio relativamente rápido. Por pouco, não pude conhecer o museu, já que chegamos quando a Casa de Cultura estava prestes a fechar. Porém, perto dali, passei em uma lojinha de artesanatos bem tradicional, onde trouxe o meu souvenir de Domingos Martins.
Se for de carro, pode fazer o seu próprio roteiro, com parada no pórtico na entrada da cidade e estender até a Cascata do Galo, a Estação Germânia e a Reserva Kautsky — uma área preservada de Mata Atlântica diversas espécies de plantas, orquídeas e bromélias.
Pedra Azul: o cartão-postal que emoldura a região serrana do Espírito Santo

Um dos maiores atrativos naturais do Espírito Santo fica na região serrana, no Distrito de Aracê, em Domingos Martins. Mesmo sendo parte da cidade martinense, é preciso colocar o pé na estrada mais uma vez para chegar até o Parque Estadual da Pedra Azul. É uma viagem curta, cerca de 50 quilômetros que levam menos de 1 hora de carro.
Por isso, se você optar pelo mesmo tour que eu fiz com uma agência de turismo, a visita à Pedra Azul vem logo depois de uma parada para almoço em Venda Nova do Imigrante. E, por último, uma volta pelo bucólico centrinho de Domingos Martins, antes do retorno para Vitória.
Parque Estadual da Pedra Azul




Como eu contei no post anterior, o Parque Estadual da Pedra Azul foi criado em 1991 com o intuito de preservar a formação de granito e gnaisse dentro de uma extensa área de Mata Atlântica preservada. E desde então se tornou patrimônio natural da serra capixaba.
Seu nome, Pedra Azul, vem do efeito da incidência do sol, que deixa a pedra — a 1.822 metros de altitude — com tons azulados ou até rosados, durante o pôr do sol. Isso me lembra o Matterhorn, em Zermatt na Suíça, que fica com a pontinha vermelha pelo mesmo motivo, mas no nascer do sol. Considerada uma região mais romântica, muitos casais procuram o lugar para lua de mel, enquanto os aventureiros de plantão são atraídos pelas trilhas que levam a piscinas naturais.

A caminho do parque, ainda na BR-262, já é possível avistar a pedra de longe. A entrada é levemente íngreme, passando por uma estradinha de terra batida. Já a paisagem em volta é de encher olhos com uma fauna e flora riquíssimas.
Espécies de orquídeas, ipês, bromélias, cedros e diversos outros tipos de plantas e vegetação rupestre escondem trilhas ecológicas, que passam por mirantes, cachoeiras e piscinas naturais em meio à Mata Atlântica. Sem contar a oportunidade de fazer uma imersão completa de contemplação da natureza. Também há diferentes tipos de animais como o tamanduá, macaco-prego, sagui-da-serra, sabiás, entre outras espécies — algumas ameaçadas de extinção.
Por trás da chuva e neblina…




Pelas fotos, você já deve ter percebido, né? O clima não estava a meu favor. Dia chuvoso, daquela chuva fina que molha e não vai embora tão cedo. Em dias assim, as regiões serranas tendem a ficar cobertas por neblina. Foi esse o cenário que eu encontrei durante toda a viagem até as montanhas capixabas e em Domingos Martins não foi diferente.
Sabe quando você quer muito uma coisa? A Pedra Azul foi um dos principais motivos da minha ida até o Espírito Santo. Além disso, eu tinha pouco tempo no estado (férias curtas) e dependia de uma agência de turismo para me levar para a serra. Inclusive, reservei o passeio antes de desembarcar em terras capixabas. Ou seja, eu não teria outra chance de ver a Pedra Azul.
Quando chegamos na entrada do parque, na Cafeteria Portal Pedra Azul, a guia avisou que o nosso tempo não seria tão grande, já que o roteiro incluía uma parada final no centro de Domingos Martins. Eu tirei algumas fotos da Pedra Azul parcialmente encoberta pela neblina e corri para procurar um souvenir. Lembrancinhas da viagem são essenciais, né?




Encontrei uma Pedra Azul em miniatura feita por crianças carentes. Isso quem me contou foi um dos donos da loja, super simpático e atencioso. Eu já não tinha conseguido ver a Pedra Azul em sua plenitude e, se não fosse por ele, eu teria voltado sem souvenir também. Cometi o erro mais amador possível para um viajante: não levei dinheiro, apenas cartão. No final, deu certo e consegui me virar. A partir desse momento, parece que o universo começou a conspirar a meu favor. E eu acho que, de alguma forma, o meu desejo chegou até a Pedra Azul.
Saí da lojinha para aproveitar os últimos minutos antes de ir embora e lá estava ela, toda imponente, sem neblina e cheia de esplendor. Você não imagina como eu me senti na hora. A primeira reação foi pegar o celular para registrar a foto mais aguardada da viagem e, depois, contemplar aquele visual tão vivo na minha mente pelas lentes de outros fotógrafos. E, agora, pelos meus olhos, ao vivo e a cores. Foi rápido, mas foi o suficiente para tirar algumas fotos e curtir o visual. Será que tem alguma magia naquele lugar?
Trilhas até mirantes e piscinas naturais
Se dependesse de mim, eu teria passado muito mais tempo no Parque Estadual da Pedra Azul para aproveitar aquela natureza sem igual. Como você já deve imaginar, não consegui conhecer tudo, muito menos encostar na Pedra Azul. Com a agência de turismo, além de ser uma passagem rápida, a única parada é nessa cafeteria, sem se aproximar tanto do local onde fica a pedra.
Se você tiver mais tempo ou um roteiro próprio, pode percorrer as trilhas ecológicas que levam até mirantes, cachoeiras e piscinas naturais. O acesso ao parque é gratuito, mas os passeios devem ser agendados. Dessa forma, o local consegue manter a sua área de preservação bem cuidada e sempre pronta a receber novos visitantes. Há duas trilhas:
- Fácil: com 1,5 quilômetros de extensão entre ida e volta (cerca de 1 hora), ela leva até a base da Pedra Azul e passa por alguns mirantes;
- Intermediária: com aproximadamente 3 quilômetros (mais ou menos 3 horas para ir e voltar) — incluindo um trecho de escalada de 97 metros — fica na junção entre a Pedra Azul e a Pedra das Flores e leva até as famosas piscinas naturais.
De acordo com os moradores da região, a melhor época para visitar a Pedra Azul e fazer qualquer uma das trilhas (ou até mesmo as duas) é durante o inverno. Eu pretendo voltar, porque o lugar é incrível e eu fiquei com gostinho de quero ver mais. Aliás, esse é o tipo de viagem que eu mais gosto, de contemplação da natureza. Quem me acompanhou no Instagram deve ter percebido que minhas fotos sempre traziam paisagens. São paisagens que me marcaram de alguma forma ou são parte da história do lugar que estou visitando.
Enfim, dois anos depois da minha viagem, chegamos ao final do roteiro que eu queria compartilhar com você. Se gostou, aproveite para conhecer também a serra catarinense.