No dia 31 de agosto de 2019, uma das turnês mais esperadas do ano desembarcou em Curitiba. Em comemoração aos 30 anos desde a primeira apresentação na TV, no programa Som Brasil, os irmãos Sandy e Junior se reuniram com mais de 23 mil fãs na capital paranaense. Em um fim de semana marcado pelas quatro estações, com direito a sol e muita chuva, calor e frio, a turnê “Nossa História” relembrou os maiores sucessos dos 17 anos de carreira musical da dupla em pouco mais de 2 horas de show na Pedreira Paulo Leminski.
Um pouco da Nossa História…

“Lembra de quando tudo começou?” A Nossa História começou quando nós três ainda éramos bem pequenininhos. E quando eu vi vocês na minha frente, não deu outra, cresci ouvindo “Maria Chiquinha”, “Tô Ligado em Você”, “Dig Dig Joy”, “As Quatro Estações”. Vi vocês no Rock´n Rio, no Maracanã, lançando carreira internacional…até chegar o dia da turnê de despedida.
E desde então foram quase 12 anos de espera por “essa hora tão mágica”, por esse reencontro tão desejado por mim e por todos que, assim como eu, cresceram com vocês.
“Diz pra mim que a gente vai se encontrar
Que esse dia já tá quase chegando
E o meu coração enfim vai respirar
Vem que a nossa história tá começando…”
E não é que começou mesmo? Aliás, tudo recomeçou no início deste ano em uma troca de mensagens entre os irmãos no stories do instagram com os seguintes dizeres: “Vamos conversar em março?”

Com o texto, veio a ilustração da imagem acima seguindo o conceito do último álbum de estúdio de Sandy e Junior, lançado em 2006. Como prometido, em março a dupla anunciou em uma coletiva de imprensa a turnê comemorativa pelos 30 anos desde a primeira aparição na TV.
Uma madrugada pelos ingressos para Sandy e Junior
Memórias à parte, vamos falar do show em Curitiba? Queria estar acompanhando toda a turnê, mas como não posso, marquei presença em pelo menos um dos shows de Sandy e Junior. Não dava para não ir, né? Não é por acaso que o nome é “Nossa História”, é muita história para lembrar, reviver e deixar se emocionar.
Como eu só poderia ir em um show, eu tinha um pensamento em mente: preciso ficar na grade, frente a frente com eles, como nos velhos tempos. O primeiro passo foi comprar ingresso para a pista premium (“Eu acho que pirei”) e a entrada VIP Gold para ter o gostinho de entrar antes e acompanhar a passagem de som.
Quando abriu a venda dos ingressos para Sandy e Junior no dia 22 de março, eu fiquei na fila até bem tarde, com muito sono e me segurando para não dormir e perder o lugar. A cada minuto que passava, os ingressos iam se esgotando e adrenalina ficava lá em cima. Às 3h34min, eu fechei o carrinho e finalizei a compra. Alguém consegue imaginar a emoção? Meu coração estava só no “turu, turu, turu”.
Um dia, as quatro estações de Sandy e Junior
No dia do show, cheguei na Pedreira Paulo Leminski antes das 13h (7 horas para o show começar). Comparado com o show do BTS que eu nem via o Allianz Parque do final da fila, eu estava bem na frente, relativamente perto da entrada. Além de ter chegado mais cedo, meu ingresso ajudou. Tinha três filas: pista comum, pista premium e VIP Gold.
Para quem tinha direito à entrada antecipada, os portões abriram às 14h. Depois de entregar os ingressos e passar por uma rápida revista, eu recebi a credencial VIP Gold e já fui para outra fila, de quem era da pista premium. Ao redor, tinha uma praça de alimentação no estilo food truck, banheiros e a lojinha de merchandising oficial que estava sendo montada para o show.
Se eu soubesse o que estava por vir, a virada no tempo, eu teria aproveitado a espera para comer alguma coisa. Quis deixar para depois da passagem de som, mas no final só consegui chegar na praça de alimentação depois do show acabar.
Por volta das 14h30min, o tempo, até então ensolarado, com céu azul e um calor de 30ºC em pleno inverno, começou a fechar. O céu ficou encoberto por nuvens e pouco a pouco foi escurecendo. As folhas das árvores caíram, uma atrás da outra, até que as primeiras gotas de chuva deram sinal do que estava por vir.
Eu olhei na minha volta. Todo mundo, quase que ao mesmo tempo, começou a tirar as capas de chuva de bolsas e mochilas. E então:
“Cai a chuva
Chuva não para, cai a chuva
Chuva não para, molha a chuva…”
Uma das músicas de Sandy e Junior nunca fez tanto sentido para um show como essa. Foi assim, ao som de “Cai a Chuva”, entoado em alto e bom som, que os mais de 23 mil fãs de Sandy e Junior, incluindo eu, esperamos por quase 2h a chuva passar para que a passagem de som pudesse começar.
Só que a chuva não deu trégua. O que era apenas algumas gotas virou uma chuva forte, com direito a trovoadas. E logo veio o anúncio de que não teria mais passagem de som.
“Por questão de segurança, a passagem de som vai ser cancelada.”
Foi um misto de decepção e compreensão. Dizem que até choveu granizo em outras áreas de Curitiba. Poderia ser arriscado para todo mundo, ainda mais porque o palco fica em um lugar aberto na Pedreira, sem árvores ao redor e sem qualquer proteção para situações como essa.
“Do lado de fora, do lado dentro…” Já passava das 16h, quando os portões seriam abertos para quem estava nas filas do lado de fora, que a fila do lado dentro começou a andar em direção ao palco.
Todo mundo de mãos dadas para manter a ordem, sem risco de escorregar (por causa dos pequenos alagamentos no chão, com poças d’água e lama), sem correria.
Uma espera que parecia não ter fim
Enfim, cheguei no palco, bem perto dele, na grade. Pena que ele era muito alto. Ficar grudado na grade não dava uma visão tão boa como para quem estava um pouco mais atrás, duas, três filas de pessoas para trás, onde eu fiquei.
Tinha dois grandes telões, um de cada lado. Eu estava bem no centro do palco. Conseguia ver o telão do lado esquerdo, mas o do lado direito estava “escondido” por um P.A., sistema composto por várias caixas de som usadas para amplificar o áudio para o público, em shows.
Em outras cidades que receberam a turnê, tinha também um telão em forma de triângulo, mas dizem que ele caiu durante a chuva em Curitiba.
Pela visão que eu tinha do palco, o camarote não parecia tão longe quanto eu pensei que era. Eu fiquei impressionada com as pistas. Achei que a pista premium não era tão extensa, mas a grade que a separava da pista comum ficavam bem longe, perto daquela estrutura que geralmente tem em shows, onde ficam os técnicos de som e o pessoal que faz imagens para um DVD ou para recordação dos artistas.
No início, tinha poucas pessoas na volta. Dava até para sentar um pouquinho no chão. Afinal, a espera ainda era longa: 4 horas para o show começar. E como diria a Sandy “as costas doem” e como doeram. Quando abriram os portões para todo mundo, as pistas começaram a encher e não tinha mais espaço para sentar, nem para se mexer direito.
Os pés cansados e molhados(de tanta chuva) começavam a formigar, sem posição para ficar. Os técnicos ficaram até poucos minutos antes do show começar, ajustando câmera, som, equipamentos. Não teve tanta música para distrair e, quando tinha, tocava muito Backstreet Boys. Será que é porque eles virão para o Brasil no ano que vem? Merchan da Live Nation. 🙂
A única companhia dessa espera eterna era a chuva que ora parava, ora voltava a cair forte ou apenas alguns pinguinhos só para nos lembrar que ela tinha vindo para ficar.
Se não tem Sandy e Junior, tem Xororó
Entre chuva e trovoadas, o melhor momento da tarde (e da espera) foi quando o pai de Sandy Junior apareceu em cima do palco. A resposta não demorou a vir do pessoal que já estava do lado de dentro da Pedreira:
“E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências
Disfarçando as evidências…”
A animação tomou conta e todo mundo que começou a cantar “Evidências”, um dos maiores sucessos de Chitãozinho e Xororó. Foi uma visita bem rápida, mas que deu um gás a mais até a hora do show.
Teve um momento em que a mãe Noely também apareceu, no corredor que separa a pista premium do palco. Foi uma passagem rápida. E o Douglas Aguillar, que fez o personagem Mau no programa Sandy e Junior, interagiu com o público e estava registrando tudo que acontecia por lá antes do show começar.
Não teve passagem de som, mas os bailarinos fizeram um aquecimento no palco para ensaiar a coreografia ao som de “Nada vai me sufocar” por volta das 17h.
Um show inesquecível, uma turnê para lembrar
O show de Sandy e Junior estava marcado para as 20h. Como não teve passagem de som, os técnicos ainda estavam fazendo os ajustes finais e a entrada do público foi liberada mais tarde, já era de se esperar que atrasasse um pouco.
Com 15 minutos de atraso, começou uma contagem regressiva de 30 minutos, que era intercalada a cada 10 minutos com vídeos marcantes da carreira dos irmãos. Depois de tanta espera, agora faltava pouco para o tão esperado reencontro.
“Atenção para a contagem regressiva: 5, 4, 3, 2, 1…”
Às 20h45min, Sandy e Junior começaram a cantar os primeiros versos da música de abertura da turnê Nossa História, “Não dá pra não pensar”, à capela e acompanhados pelos fãs. Quando a canção começou para valer com a banda, a dupla apareceu no palco, ao vivo e a cores, bem diante dos meus olhos e bem pertinho de mim.
Difícil descrever a sensação, não sabia se chorava ou se sorria. Foi uma mistura de sentimentos. Só quem viveu todos esses anos sabe. Por um momento, parecia que eu tinha voltado no tempo, na minha adolescência, nos shows que eu ia com a minha mãe. Parecia que todos nós, eu, a Sandy, o Junior, todos os fãs, éramos adolescentes/crianças mais uma vez.
Foram pouco mais de 2 horas de show, com um repertório que passou pelos 17 anos de carreira da dupla e relembrou músicas do fundo do baú para os fãs mais saudosistas até os sucessos mais recentes, antes da turnê de despedida em 2007, E momentos românticos com canções que falam de amor.
Uma delas é a que dá nome à pista onde eu estava. “Eu Acho que Pirei” veio logo depois de uma série de vídeos no telão, que convidava o público para uma interação via app enquanto simulava uma troca de mensagens entre o elenco do programa Sandy & Júnior.
Teve também duas canções do álbum internacional com “Love Never Fails” e “Super-Herói”, além de e um medley dançante com os bailarinos: “Beijo é Bom”, “Etc e Tal”, “Vai ter que rebolar”, “Dig dig joy” e “Eu quero mais”.
Um verdadeiro pout porri de sucessos antigos e mais recentes. Junior Lima também teve seu momento solo em algumas partes do show, com “Aprender a Amar”, “Libertar” e “Enrosca”, além do destaque para a hora em que ele fica só na bateria. Aos gritos de “Junior, eu te amo”, o cantor se emocionou e fez uma pausa antes de seguir com o solo.
A gente já sabia que “A Lenda”, “As Quatro Estações”, “Inesquecível”, “Imortal”, “Quando Você Passa (Turu, turu)” levariam todo mundo às lágrimas e a um só coro na Pedreira Leminski. E não deu outra! Para mim, foram os momentos mais emocionantes do show.
Eu ainda acrescento mais um, que me marcou bastante, a parte dedicada ao acústico. Uma das músicas era “Meu Primeiro Amor”, cantada pertinho da gente e pela primeira vez na turnê. Eu me emocionei quando olhei para a Sandy e vi seus olhos molhados, segurando a emoção de reviver aquelas músicas que marcaram a carreira dos dois lá no início.
Teve uma parte engraçada também, quando a Sandy começou a cantar “Com Você”, com o apoio dos fãs, e o Junior logo avisou: “Não é essa, essa é depois”. Ao se dar conta, a cantora parou: “Ele vai começar de novo, estou cantando a música errada”. Ela aproveitou para se desculpar em seguida de um jeito muito fofo: “Desculpa aí que a velhinha não conseguiu lembrar o começo da música”.
No final, visivelmente emocionados, os irmãos agradeceram a presença de todos os fãs, mesmo debaixo de tanta chuva. “Vocês estão tão bonitinhos de capinha de chuva”, brincou Sandy.
E por falar em capa de chuva, se tem uma música que não poderia faltar no show de Sandy e Junior em Curitiba é “Cai a Chuva”. Como ela caiu!
A previsão já tinha avisado, mas acho que ninguém imaginava que fosse acontecer na intensidade que foi. Até porque no dia anterior, foi um dia de verão com céu azul e 30ºC nos termômetros, assim como o sábado, dia do show, de manhã.
Depois foi a vez de “Desperdiçou”, um dos maiores sucessos da dupla, que veio pouco antes da última música da noite.
“Vamo pulá, vamo pulá, vamo pulá, vamo pulá…”
E eu pulei! Todo mundo pulou! De onde veio toda essa energia depois de passar mais de 9 horas de pé na fila, na chuva e sem comer? Não sei, mas veio e eu usei tudo que eu tinha para aproveitar os últimos minutos do show, os últimos minutos frente a frente com Sandy e Junior.
O encerramento teve direito a mais lágrimas, claro, mas de felicidade pela chance de estar ali naquela noite tão especial para tanta gente. Teve também balões coloridos e uma chuva de papel picado para celebrar esse tão esperado reencontro.
Escrevendo agora, pouco mais de uma semana depois, eu estou revivendo tudo, todos os momentos. Que vontade de ir em mais shows! Que saudade de Sandy e Junior!
O show terminou às 22h52min, com pouco mais de 2 horas de duração, 31 músicas no repertório (contando tudo, até as que só tiveram uma palhinha), idas e vindas da chuva, muita emoção entre lágrimas e sorrisos, um clima de nostalgia e aquele gostinho de ‘quero mais’.
Um setlist de causar nostalgia

Vou compartilhar aqui com você as músicas da turnê Nossa História em Curitiba, na ordem em que foram apresentadas e também para registrar no meu diário da vida.
Pout Porri | Beijo é Bom, Etc e Tal, Vai Ter que Rebolar, Dig Dig Joy e Eu Quero Mais
Acústico | Você pra Sempre (Inveja), Ilusão, Não Ter, Replay e Meu Primeiro Amor
Quando Você Passa (Turu, turu)
Um figurino muito Sandy e Junior de ser
Quero destacar também o figurino da dupla. A Sandy sempre foi referência para na forma de se vestir. Queria eu poder herdar todas as roupas que ela já usou em shows, entrevistas e na vida. Sempre linda, sempre elegante. Uma das que mais chamou minha atenção dessa vez foi o sobretudo que ela usou com um macacão todo brilhante.
O Junior também com roupas super estilosas, principalmente uma jaqueta com o logo da turnê Nossa História nas costas. Detalhe! Ela tinha iluminação.
Definitivamente, i-n-e-s-q-u-e-c-í-v-e-l
Ao todo, foram 23.650 ingressos vendidos para o show na Pedreira Paulo Leminski. Ingressos esgotados ainda no primeiro dia de vendas, em março deste ano. Com vozes afinadas, muita sintonia e coreografias que nos fazem voltar no tempo, não é difícil perceber por que Sandy e Junior conquistaram tanto sucesso no Brasil.
E olha que coisa mais linda o vídeo que a Sandy e o Junior postaram nos seus instagram dela com imagens marcantes do show em Curitiba. É uma fofa, né?
Aliás, a turnê Nossa História é vista como a mais lucrativa na indústria da música nacional. Não é para qualquer um, né? São 30 anos de história e eu, você, todos nós fazemos parte dela. E aí, foi no show? Compartilha aqui no blog e nas mídias sociais com a hashtag #NossaHistoriaSJEuFui 😉