Bem cedo, antes do dia começar e antes dos primeiros raios de sol iluminarem as casas e o Grande Canal, eu já estava com as malas prontas, só esperando o horário do café da manhã para sair. Meu próximo destino seria a última parada na Itália: Milano, a capital da moda. Como passou rápido! Parecia que eu tinha acabado de pisar em terras italianas, mas eu estava prestes a sair, prestes a terminar meu mochilão.
Tomei o café da manhã rapidamente e saí para embarcar no Vaporetto que me levaria até a estação de trem de Venezia. A cidade parecia triste por eu estar indo embora, talvez fosse minha própria sensação refletida na paisagem das casas, nas águas do Grande Canal e na própria Ponte Rialto, vazia e ainda escura, sem a iluminação do sol. Na rua, apenas trabalhadores carregando e descarregando carga nos barcos. Um ou outro turista já estava de pé, como eu, com as malas nas mãos.

A viagem de trem até Milano duraria pouco mais de 2h, assim como todas as outras que fiz pela Europa. Como é bom ter essa opção, além de ônibus e avião! É prático, confortável e ainda rende ótimas paisagens na maioria das vezes. Alguns até oferecem sinal de wi-fi, mas isso é assunto para outro post. Vamos voltar para Milano! Cheguei na capital da moda no meio da manhã e, para otimizar o tempo, optei por ir de táxi até o hotel. Era um percurso curto, então achei que valia a pena. Aqui no Brasil compensa mais chamar Uber, mas lá fora o táxi, para mim, foi a opção mais econômica.
Minha hospedagem ficava no meio do caminho entre a estação Milano Centrale e o Duomo di Milano, no bairro Brera. Melhor localização, só pagando um valor mais alto. Foi o melhor custo benefício que encontrei no Booking e já adianto que foi um dos meus preferidos, com direito à varanda com vista para o Parque Indro Montanelli. Fiz o check-in antecipado, como na maioria dos hotéis e logo saí para conhecer a cidade. O tempo era muito curto! Eu teria praticamente uma tarde, lembrando que no inverno os dias são mais curtos, e ainda tinha reserva para visitar o disputado Cenacolo Vinciano, onde fica a obra “A Última Ceia”.
A primeira visita foi ao Quadrilátero da Moda, um mundo totalmente à parte a caminho do Duomo di Milano. O lugar é formado por quatro ruas principais e é lá onde estão os maiores nomes do universo fashion. Grifes de alta costura, boutiques, hotéis sofisticados e restaurantes badalados. As vitrines são uma atração à parte, super criativas, lindas e luxuosas. E os preços nas alturas! Acho que não preciso nem comentar, né? Vale a visita ao menos para dizer que você passou por ali. Ah! Lembro de ter lido em outros blogs sobre o outlet D-Magazine. Fui até lá conferir, mas fiquei um pouco decepcionada. O lugar é super descolado, mas os preços não são atrativos. Cada um, cada um. Se você não se importa com gastos extravagantes, aproveite.
O conceito de outlets que eu conheço segue o modelo norte-americano, um lugar com produtos de marcas a preços acessíveis. No entanto, descobri que o conceito na Europa é um pouco diferente. O foco não é em quantidade, como nos Estados Unidos, mas em qualidade. Só que se você for em frente, vai pagar um preço alto por isso. Aí vai depender do orçamento de cada um, claro. Eu tinha outras prioridades além das compras e não tinha tanto espaço sobrando na bagagem. Então acabei não me animando tanto em Milano como eu imaginava.

Deixando os outlets de lado e também o universo de luxo, cheguei no Teatro alla Scala. Por fora, fiquei um pouco decepcionada, mas não tive a oportunidade de visitá-lo por dentro para acompanhar algum espetáculo. Na noite do dia 21 de dezembro a programação era um concerto de Natal, mas o valor era altíssimo. Não me lembro bem, mas passava de 100 euros. Quem sabe na próxima, não é mesmo? O que acontece é que ao chegar lá me lembrei da imponência da Ópera Garnier, em Paris, e não pude deixar de fazer comparações. Um pouco injusto da minha parte, admito, já que só entrei em um deles.
O Teatro alla Scala fica bem em frente à Galeria Vittorio Emanuelle II, considerada o shopping mais antigo do mundo. Outro lugar com preços altos para mim, mas extremamente lindo. A arquitetura com todos os seus detalhes em dourado, o teto de vidro e os globinhos de luz é impressionante. E o mais legal é que ao atravessá-la você se depara com a imponente Catedral no Duomo di Milano.
Sem palavras para descrever a sensação de estar frente a frente com algo tão belo. A arquitetura gótica super expressiva é tão linda por fora quanto por dentro, ao subir até o terraço. Por dúvidas em relação às escadas, reservei o bilhete para subir de elevador. Ah! O esquema de segurança aqui foi o mais rígido de todos os lugares que visitei na Europa e na própria Itália. Guardas fardados como soldados, com armas enormes, faziam a vigia da fila para entrar. Tudo que estivesse em bolsos de casaco, bolsas ou mochilas precisavam ser mostrados. E uma revista à parte em cada um antes de terminar o processo. A visita interna e a visita ao terraço valem cada minuto. São duas filas diferentes e duas revistas diferentes, assim como na Catedral de Notre Dame.
O Duomo di Milano é incrível, a vista de cima é inesquecível e dispensa palavras, assim como o Castelo Sforzesco. Os dois lugares levantaram um pouco meu ânimo e minhas impressões sobre a cidade. Visitei apenas a parte externa do castelo, mas apenas isso já valeu todo o passeio por ali. É lindo e enorme! E eu cheguei pouco antes do pôr do sol. Pude acompanhar o dia começando a virar noite enquanto atravessava o castelo em direção ao Parque Sempione, onde fica o Arco della Pace. Reserve uma visita para a noite também se viajar na época de Natal. Tudo fica iluminado e com música. A iluminação no castelo simula uma divertida árvore de Natal. A área do Duomo também fica lindamente iluminada.
Depois de dar uma volta pelo parque, comecei a caminhar em direção ao famoso e concorrido Cenacolo Vinciano. É uma experiência à parte, mas prepare-se para as regras. Tem tempo certo para tudo, inclusive para apreciar a obra “A Última Ceia”, além de algumas orientações. Ao lado, pouco antes de chegar, aproveite para visitar a igreja Santa Maria delle Grazie. Voltei pelo mesmo caminho para ver a iluminação da rua. Conheci também a Decatlhon de lá. É enorme, cada setor ocupa um andar e os preços, comparados ao Brasil, são muito bons. Outra loja que conheci e recomendo é a OVS, uma marca italiana.
Para fechar o dia e a programação, passei na gelateria Grom (aliás, recomendo o gelato de lá, super cremoso) e fui dar uma volta pelo bairro onde eu estava hospedada. É um lugar muito agradável, tranquilo para passear. É lá que fica a famosa Pinacoteca di Brera. Já estava escuro, mas fui de noite mesmo. Queria aproveitar ao máximo meu último dia na Itália.
No dia seguinte, depois de um café da manhã delicioso e super variado, passei rapidamente pelo Corso Buenos Aires para uma última volta antes de ir embora. O Corso Buenos Aires é uma rua famosa por lá por reunir lojas de várias marcas, de grifes a opções mais acessíveis. Foi uma surpresa positiva, com preços para todos os bolsos e gostos. Vá com tempo para pechinchar! O único ponto negativo é o horário de abertura das lojas. Às 9h30min da manhã, poucas lojas estavam abertas, mas eu já tinha lido que os italianos prezam por qualidade de vida e não costumam abrir cedo.
Diferente de Venezia, Milano me decepcionou um pouco. Foi a cidade menos europeia de todas que visitei. De tudo, o pouco que vi na Itália no meu primeiro contato com o país, sou mais Venezia e Roma. 🙂